Primeiro disco solo de Simone Mazzer expõe vasto leque de influências

Paranaense faz releituras de Björk a Assis Valente e passeia por diversas décadas da produção musical

por Ailton Magioli 17/04/2015 10:40

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Rodrigo Ferdinand/Divulgação`
A cantora paranaense Simone Mazzer, que lança 'Férias em videotape' (foto: Rodrigo Ferdinand/Divulgação`)
Cida Moreira? “Naturalmente, ela acaba como referência forte em minha história com a música. Ouvi e ouço muito Cida, cuja ligação com o teatro acaba nos aproximando.” Ney Matogrosso? “É o mesmo. Desde a infância ele é um mestre.” Elza Soares? “Quisera poder contar com ela sempre do meu ladinho”, responde, sem pestanejar, Simone Mazzer, a cantora paranaense que chega ao primeiro disco solo de carreira prometendo ocupar espaço definitivo na galeria dos grandes intérpretes da MPB.

Além de remeter imediatamente à também cantora-atriz paulistana Cida Moreira, ela tem tudo a ver com o camaleônico Ney Matogrosso e ainda faz lembrar a sempre irrequieta Elza Soares, os dois últimos, não por acaso, presentes em 'Férias em videotape', do selo Pimba, no qual Simone exala contemporaneidade, sem ignorar as indispensáveis correntes moderna e clássica.

 

Ouça a faixa-título 'Férias em videotape':

 

 

Eclética. Carismática. Envolvente. Teatral. Escolha o adjetivo que mais lhe apraz para classificar a cantora, que também é atriz, natural de Londrina (PR). Além das já citadas influências, ela bebe nas fontes de Linda Batista, Angela Maria, Lupicínio Rodrigues, Elis Regina, Rita Lee, Elke Maravilha, Maria Alcina, Cazuza, Cássia Eller e, segundo diz, “todo o povo que não tinha receio nenhum de ser careta”.

Mazzer passeia pelo repertório dos anos 1930, 1960, 1970, 1980, 1990, sorve os clássicos da MPB e experimenta o rock inglês, sem se afastar das raízes brasileiras, como prova sua regravação de 'Camisa listrada', do bom baiano Assis Valente.

Em 'Férias em videotape', Simone Mazzer também relê 'Babalu', de Margarita Lecuona, e apresenta versões pra lá de pessoais de 'Mente, mente', de Robinson Borba, que Ney Matogrosso havia gravado; 'Hyper ballad', de Björk, e 'Back to black', de Amy Winehouse. De Itamar Assumpção ela gravou 'Parece que bebe', enquanto Celso Fonseca e Ronaldo Bastos comparecem com 'Você não sacou'.

NOVOS NOMES No mais, os novos nomes da cena musical vêm à tona por meio de 'Tango do mal', de Luciano Salvador Bahia; 'Essa mulher' e 'Dei um beijo na boca do medo', de Bernardo Pellegrini; 'Estrela blue', de Maurício Arruda Mendonça, e a única em que ela comparece como autora, exatamente a faixa-título do disco, que divide com Elton Mello e Silvio Ribeiro.

“Desde o começo, mesmo sem pensar, fui para este lado multifacetado”, diz ela, salientando que a música de que gosta não se encaixa em nenhuma gaveta. “Fusion? Rock? Jazz? MPB?’’, lista, interrogando-se.

Segundo Simone, para cantar uma música é preciso estar dentro dela. “Não tem como tirar. Quando gosto, entro na música”, diz. “Gosto muito desta relação. Não ouço música o dia inteiro, mas tudo me relaciona a ela: cheiros, sabores.”

Sem tocar um instrumento – “sou intérprete”, posiciona-se –, a cantora diz faltar a ela a disciplina para se dedicar a algum deles. “Comecei com o violão, no conservatório, quando o meu negócio era jogar vôlei”, diverte-se. “Depois voltei a tentar, com o sax”, recorda, assumindo ser ”meio intrometida”.

No musical infantojuvenil 'Mas por quê – A história de Elvis', com o qual está em cartaz aos fins de semana no Rio de Janeiro, além de baixo ela toca bateria e gaita.

“Interpretar”, diz Simone, “é trabalho árduo”. “Ouço a música e, para cantar, tenho de gostar muito. Além de entender o que querem passar por meio dela, é preciso ver se fica bem na minha voz. Muitas não rolam, mas outras são o contrário. Vestem tão bem que eu meio que pego-as para mim, claro que respeitando o autor, pedindo licença para a leitura.”

Antes de estrear carreira solo, Simone Mazzer integrou as bandas Chaminé Batom, em Londrina, e As Madamas, trio formado, segundo ela, por “três gordas”, em São Paulo. O marcante na trajetória da artista, no entanto, foi a Armazém Companhia de Teatro, do Rio, na qual permaneceu por 20 anos como atriz. Entre 2010 e 2011, ela retomou a música, trabalhando também com a companhia francesa LZD, com sede em Lion.

Segundo afirma, ela não consegue separar o teatro da música. “Quando canto, é a atriz quem está lá, também, embora não como personagem. A atriz está lá o tempo inteiro e a cantora também”.

“O teatro me ensinou desde a noção básica de estar em cena”, resume ela, que, antes de gravar 'Férias em videotape', sob a produção do uruguaio Leonel Pereda, radicado no Brasil, estreou o repertório em show, que acabou dando origem ao disco. O show, que chegou a contar com 25 canções, teve 12 delas gravadas. Ao vivo, além de sucessos de Angela Ro Ro, ela também inclui clássicos de Donna Summer e de Gilberto Gil. Em negociação com o Galpão Cine-Horto, a cantora anuncia que deverá se apresentar na capital entre maio e junho.

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