Vida dupla: músicos autorais fazem cover em projetos paralelos

Pernambucanos recorrem ao trabalho de outros artistas para arejar produções autorais e movimentar agenda de shows

por Larissa Lins 13/04/2015 10:38

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Divulgação
Autoral e cover: Mombojó e China formam o Del Rey (cover de Roberto e Erasmo), Tibério Azul lidera a banda Seu Chico (cover de Chico Buarque), Céu canta Bob Marley e Nação Zumbi forma o Los Sebosos Postizos (cover de Jorge Ben Jor) (foto: Divulgação)
Na primeira vez em que o projeto Del Rey, parceria do pernambucano China com os conterrâneos do Mombojó, subiu aos palcos, o cachê foi pago em escambo: em troca do show, cervejas geladas. A informalidade, que não elimina o profissionalismo por trás das apresentações, é um dos principais estímulos ao crescente número de artistas dedicados a covers em paralelo às carreiras autorais.

Ganham, além de uma agenda mais movimentada e lucrativa, a chance de adaptar ao próprio estilo as obras que já admiravam. “Não temos o peso de apresentar algo novo, que pode encontrar resistência. O público reconhece aqueles clássicos com facilidade, mesmo quando adaptados”, explica China, que canta os hits de Erasmo e Roberto Carlos nos vocais do Del Rey.

Assim como China, que deu início à empreitada para animar o aniversário de uma amiga, o músico pernambucano Tibério Azul também acredita que o cover pode ser interessante e original. No comando da banda recifense Seu Chico, dedicada à obra de Chico Buarque, ele assegura ainda que o projeto e a carreira solo convivem de forma saudável.
“Quando a banda começou, já tínhamos nossas carreiras e o objetivo era simplesmente reunir amigos por diversão. Com a popularidade do Seu Chico aumentando, especialmente com o lançamento do DVD, ficamos mais ligados a esse projeto”, afirma. No palco, permite-se dar nova roupagem às composições de Chico, sem a cobrança de reproduzi-las fielmente.

Também na capital pernambucana, o cantor Silvério Pessoa mantém há cerca de oito anos o projeto Sir Rossi, um tributo ao falecido Rei do Brega. “Nos apresentamos em casamentos, prévias carnavalescas e fizemos turnê pelo interior do estado”, explica Silvério, que atribui grande valor afetivo ao repertório de Reginaldo Rossi, além de considerá-lo um facilitador da empatia entre a banda e o público. “Quando subimos ao palco cantando hits já consagrados, estamos em vantagem. Podemos improvisar arranjos, ousar, nos divertir e, ainda assim, ouvir as pessoas cantarem conosco”, comemora. Para ele, o cover também ajuda a arejar a criatividade necessária às composições autorais.

Jorge Du Peixe, vocalista do Nação Zumbi, que deu origem ao grupo de tributo Los Sebosos Postizos, concorda. Em 2012, lançou o disco Los Sebosos Postizos interpretam Jorge Ben Jor, materializando projeto que dura mais de dez anos. “O que, a princípio, é uma homenagem a um artista que admiramos, se torna uma oportunidade de movimentar o calendário da banda e agregar novas experiências sonoras, inovar”, avalia Du Peixe.

>> VIDA DUPLA

CHINA E MOMBOJÓ cantam Erasmo e Roberto Carlos, no projeto Del Rey

Como surgiu: projeto começou de forma despretensiosa e, atualmente, tem show toda semana. Para China, o tributo a Erasmo e Roberto Carlos foi criado por diversão e prazer. “Mas, se pagar as contas, melhor ainda”, brinca. Alcança diferentes faixas etárias com o repertório cover, além de circular em eventos particulares, como casamentos e aniversários - eventos nos quais China acredita que não haveria espaço para o trabalho autoral.



NAÇÃO ZUMBI canta Jorge Ben Jor, no projeto Los Sebosos Postizos

Como surgiu: há mais de dez anos, os Los Sebosos Postizos revisitam a obra de Jorge Ben Jor, o que rendeu álbum lançado em 2012. Para Jorge du Peixe, a ideia nasceu da vontade de tocar algo que todos gostassem de ouvir. A temporada que passaram no Rio de Janeiro, no Bairro de Santa Teresa, onde Jorge Ben Jor é bastante popular, ajudou na escolha do homenageado. “Não adianta tentar copiar o que Ben Jor já fez. São nossas versões”, explica.



SILVÉRIO PESSOA canta Reginaldo Rossi, no projeto Sir Rossi
Como surgiu:
Reginaldo Rossi ainda vivia quando Silvério deu início ao projeto, que chegou a ser “abençoado” por ele. Os músicos da banda priorizam as carreiras autorais, mas se reúnem para casamentos, aniversários e prévias carnavalescas. Ainda não gravaram álbum, mas em 2014 fizeram turnê pelo interior pernambucano. O primeiro show foi há cerca de oito anos, no Clube Carnavalesco Misto das Pás, no Recife.



CÉU canta Bob Marley, no projeto 73 produções da Radiola Urbana
Como surgiu:
em 2013, envolveu-se com projeto em que canta o álbum Catch a fire, de Bob Marley. O convite partiu do site Radiola Urbana para o projeto 73 produções, que convocou artistas para interpretar discos clássicos lançados em 1973. Fiel aos arranjos contidos na obra do cantor jamaicano, Céu celebra a boa receptividade do projeto e a chance de tocar o álbum completo e não apenas as canções mais famosas.



TIBÉRIO AZUL canta Chico Buarque, no projeto Seu Chico
Como surgiu:
Tibério costuma frisar que a banda Seu Chico não é estritamente um grupo de fãs da obra de Chico Buarque. São músicos em busca de desafios paralelos às carreiras autorais. Os arranjos ousados e improvisos no palco não visam copiar clássicos da MPB, mas criar versões próprias. Flexível, o projeto é congelado quando algum dos integrantes está em fase de gravação de discos, por exemplo. Fazem shows em diferentes estados, durante todo o ano.

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