Fundo de Quintal lança 'Só felicidade' seu 33º álbum

Disco é o primeiro de canções inéditas desde 2010 em que o grupo celebra a alegria, mas evita tom meloso nas composições românticas

por Walter Sebastião 13/04/2015 08:00

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Marcos Hermes/Divulgação
(foto: Marcos Hermes/Divulgação)
'Só felicidade', 33º álbum do Fundo de Quintal, é literalmente o que o título diz: um conjunto de sambas bonitos, simples, bem tocados, interpretados por vários cantores e instrumentistas, com gosto de encontro entre amigos e familiares no fundo de quintal.

“É o resgate da alegria”, afirma Ubirany, vocalista, instrumentista e um dos fundadores do grupo, que se apresentou em Belo Horizonte no último sábado. “O disco tomou, espontaneamente, este caminho. Falamos com alegria até da tristeza”, brinca. Além de exaltar a alegria, o Fundo de Quintal também procurou evitar um tom meloso para as canções românticas desse seu novo CD. Na seleção das músicas, foi mantida a tradição de contemplar compositores do próprio grupo e também gente nova, meio a meio no disco.

A decisão por um disco de inéditas, diz Ubirany, veio para atender a pedido de admiradores do Fundo de Quintal – o último álbum de inéditas havia sido Nossa verdade, de 2010. “Estamos mostrando que continuamos criativos”, avisa. “É disco para ouvir inteiro”, diz, acrescentando que vê com desconfiança quem faz disco com uma música só, que estourou no rádio ou na internet. “A onda passa e acabam esquecendo até do artista.”

“Boi com abobóra pode até estourar, fazer sucesso esplendoro, mas fazer leite é outra coisa”, afirma Ubirany, distinguindo composições “que fazem sucesso esplendoroso” das que marcam e permanecem na memória do ouvinte. “Temos músicas do primeiro disco, gravado há 30 anos, que até hoje todos cantam nos shows. Sempre trabalhamos assim e vamos continuar com essa tradição. Quem nos ensinou foi a madrinha Beth Carvalho”, afirma.

Em 'Só felicidade', o Fundo de Quintal alcançou o resultado que havia pedido ao produtor Rildo Hora, na avaliação de Ubirany: “A melodia e a harmonia estão claras, a percussão não está escondida, cada um dos cantores dá o seu recado”. Hora escalou Bóris para os arranjos, o que “deu modernidade, pegada da moçada em algumas músicas, mas sem tirar o pé do chão”, diz o vocalista.

RAIZ O Fundo de Quintal não toca música de raiz, ele é raiz do samba contemporâneo. Nasceu de pagode que, na metade dos anos 1970, era realizado na quadra do bloco Cacique de Ramos (três dos integrantes - Ubira, Ubiracy e Sereno - são fundadores do bloco carioca), que virou point de compositores. Da formação inicial faziam parte ainda Almir Guineto, Jorge Aragão e Sombrinha. Vem desta roda de samba Vou festejar (que a torcida do Atlético Mineiro tomou como hino), e Coisinha do papai, enviada pela Nasa para Marte, em 1997, na missão Mars Pathfinder.

O primeiro disco do Fundo de Quintal é de 1980 (antes do primeiro de Zeca Pagodinho, outro frequentador da roda de samba do Cacique de Ramos). “Pelas inovações, viramos referência que a rapaziada reconhece, o que muito nos orgulha”, observa Ubirany. A prova é a existência de vários grupos cujo nome se refere a músicas do grupo, como Só Pra Contrariar, Katinguelê e Sereno. O Fundo de Quintal venceu 18 das 23 edições do Prêmio da Música Brasileira, na categoria Melhor Disco de Samba.

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