Novo disco de Elba Ramalho traz fado, samba e música francesa

'Do meu olhar para fora' tem faixas inéditas e regravações

por Irlan Rocha 12/04/2015 15:35

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coqueiroverderecords.com/elbaramalho/Divulgação
(foto: coqueiroverderecords.com/elbaramalho/Divulgação)
Ao longo de 35 anos, Elba Ramalho construiu uma carreira vitoriosa como intérprete de forró, frevo, ciranda e outros ritmos nordestinos. A cantora paraibana, antes de decolar para a fama, participou da turnê 'A feira', do Quinteto Violado. Desde então, vinha mantendo-se fiel a esse universo, mesmo que, em algumas ocasiões, tenha emprestado sua voz rascante para outros estilos musicais.

Sem perder o Nordeste de vista — muito pelo contrário —, pela primeira vez, sai da “zona de conforto” e se joga com entusiasmo num projeto em que batidas eletrônicas emolduram canções de autores diversos, reunidas no CD 'Do meu olhar para fora', o 33º de sua trajetória artística. Na formatação desse álbum, em que o som pop contemporâneo dá o tom, ela teve ao seu lado dois jovens produtores, o filho Luã Mattar e o guitarrista pernambucano Yuri Queiroga.

Como em produções anteriores, Elba se deixou nortear pela liberdade na escolha do que cantar. Com as antenas ligadas no mundo, ela conseguiu reunir no repertório uma interessante mistura de gêneros musicais — do rock a embolada, do mangue beat ao fado, do samba à canção francesa. Tudo permeado pela sonoridade criada por mestres instrumentistas, como o guitarrista Paulo Rafael, o baixista Ney Conceição, o flautista Dirceu Leite , a harpista Cristina Braga, além do auxílio luxuoso das programações do DJ Dolores.

“Quis com esse trabalho sair da coisa nordestina, ao ampliar o meu olhar, mas semperder o meu eixo. Voltei a gravar compositores da região, mas vesti as canções com uma sonoridade ousada e inovadora”, explica Elba. “Durante seis meses, o estúdio foi o lugar em que mais estive, ao lado de Luã e Yuri. Além da gravação, me mantive atenta e dei palpites no processo de mixagem”, acrescenta.

Forró romântico
Dominguinhos, compositor que presenteou Elba com clássicos como 'De volta pro aconchego' e 'Gostoso demais', é reverenciado  em 'Do meu olhar para fora', em três faixas. Uma delas é o forró romântico 'Olhando o coração', parceria inédita do saudoso acordeonista com o piauiense-brasiliense Climério Ferreira; as outras duas têm como co-autores Anastácia ('Contrato de separação') e Fausto Nilo ('Nos ares de Lisboa — Um passarinho enganador'). Esta última uma fado em que há a participação cantora portuguesa Carminho.

Elba gravou outros compositores nordestinos. Do conterrâneo Chico César, ela canta a esfuziante Patchuli. De Lenine, recria 'É o que me interessa'. Outro pernambucano, Chico Science, está presente com 'Risoflora', extraída do álbum clássico do mangue beat 'Da Lama ao caos'. Já o coletivo formado por Clayton Barros, Emerson Calado, José Paes Lirinha, Nego Henrique e Rafael Almeida, do Cordel do Fogo Encantado, assina a nada ortodoxa Nossa Senhora da Paz, enquanto o regueiro baiano Edson Gomes comparece com Árvore.

O caráter díspare do projeto traz para o disco a carioquice de Pedro Luis em 'Fazê o que'; e de Arlindo Cruz e Zeca Pagodinho, que tabelam em 'Ser livre'. “O Zeca disse que fez este samba para mim há mais de 20 anos, mas só recentemente é que me entregou”, brinca. A fluminense-brasiliense Zélia Duncan e o paulistano Dani Black são os autores de 'Só pra lembrar'. Elba vai além ao importar do cancioneiro francês La noyée, de Serge Gainsbourg, interpretada na língua de Honoré de Balzac, com a participação de Marcelo Genex.

'Do meu olhar para fora' vira show que estreia no próximo dia 24, em São Paulo. “A partir dali, saio em turnê pelo país e, com certeza, chegarei a Brasília, uma das capitais em que mais me apresento e onde costumo lançar meus trabalhos”, ressalta.

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