Joyce Moreno reúne em álbum canções que exaltam a beleza do Rio de Janeiro

Cantora declara seu amor pela Cidade Maravilhosa no ano de seu 450º aniversário

por Ailton Magioli 31/03/2015 08:30

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Leo Aversa/Divulgação
(foto: Leo Aversa/Divulgação)
Em seu aniversário de 450 anos (comemorado no último dia 1º de março), a Cidade Maravilhosa ganha justa homenagem de uma de suas filhas diletas. Originalmente lançado no Japão e na Europa, em 2011, pelo selo Far Out, o disco Rio de Janeiro, de Joyce Moreno, chega finalmente ao seu destino certo, em lançamento da gravadora Biscoito Fino.

Em destaque, o repertório especialmente selecionado pela cantora-compositora-violonista para a apresentação única que fez no verão de 2010, na faixa de areia conhecida como Praia do Arpoador, entre Copacabana e Ipanema. Convidada da prefeitura da cidade, acompanhada apenas de seu violão, Joyce fez uma espécie de luau de fim de tarde, atraindo atenção do público que curtia a praia.

“Botei um vestidinho por cima do biquíni, sandálias Havaianas nos pés, uma água de coco ao alcance da mão e lá fui eu”, recorda. Ao levar a experiência para estúdio, acabou acrescentando-lhe outras pérolas ao repertório, como 'O mar', trecho da Sinfonia do Rio de Janeiro, de autoria de Tom Jobim e Billy Blanco.



“Na praia, fiz canções com as quais tenho bastante intimidade”, recorda a cantora. “Foi muito emocionante, com todos aplaudindo o pôr do sol” e, claro, a performance da intérprete. Ao encerrar a apresentação com Cidade Maravilhosa, de André Filho, segundo relata, o público não parava de cantar a composição, que se tornou o hino da cidade.

Haroldo Barbosa ('Adeus, América', com Geraldo Jaques), Armando Cavalcanti ('Manhã no Posto 6'), Paulinho da Viola ('Vela no breu', com Sergio Natureza), Caetano Veloso ('Desde que o samba é samba'), Ismael Netto ('Valsa de uma cidade', com Antonio Maria), Adoniran Barbosa ('As mariposa'), Noel Rosa ('Com que roupa'), Vadico ('Feitio de oração', com Noel Rosa), Billy Blanco ('Viva meu samba'), Elton Medeiros ('Mascarada', com Zé Keti), Carlos Lyra ('Samba do carioca', com Vinicius de Moraes) e a própria Joyce ('Puro ouro', 'Rio meu', 'Tardes cariocas/See you in Rio') estão no repertório do primeiro disco de voz e violão feito pela cantora, que, por gostar de interagir com músicos, evitou o formato até então.

CARIOCA DA GEMA 
“Já fiz de um tudo no palco. Desde cantar com uma big band, na Europa, até com duos e bandas aqui no Brasil”, diz. À exceção do baiano Caetano Veloso, do paulista Adoniran Barbosa e do paraense Billy Blanco, todos os autores cantados por ela em Rio de Janeiro são cariocas da gema, feito ela.

Pertencente às gerações que se seguiram à bossa nova – há controvérsia se ela pertence à segunda ou à terceira geração do gênero musical brasileiro que mais fãs conquistou no mundo –, a cantora afirma que o grande legado bossa-novista é a riqueza harmônica. “Um legado maravilhoso, espetacular”, diz, acrescentando à herança, também – não necessariamente à bossa nova, mas a João Gilberto – a conversa entre violão e voz que, em sua opinião, acaba gerando uma terceira coisa que, “na verdade, é uma coisa só. Sem ser mas sendo”, explica a fã de carteirinha do mestre baiano, que criou a famosa batida de violão, segundo consta, em Minas Gerais. Mais precisamente, na histórica Diamantina, onde passava temporada na casa de uma irmã.

Gravado em duas únicas sessões de estúdio, Rio de Janeiro teve show de lançamento na 'Cidade Maravilhosa', com direito à participação do marido baterista Tuty Moreno, como convidado. Recém-chegada de turnê pela Europa, em junho-julho próximos ela inicia um novo tour, desta vez por Estados Unidos e Canadá, seguido de uma nova passagem pelo Japão, em agosto. Em dezembro, a música da cantora-compositora carioca será alvo de um grande concerto no Berklee College of Music, de Boston, com a participação da própria Joyce, como convidada.

INFLUÊNCIA 
O tratamento dispensado à bossa nova no Brasil, em comparação ao sucesso no exterior, é assim avaliado por ela: “Acho que é desconhecimento. Tem gente que nem sabe que a bossa nova existe. Afinal, atualmente se nega acesso à própria cultura do país”, diz. Ela critica também a influência da música americana na brasileira. “Estão cantando Ataulfo Alves cheio de maneirismos, como se fosse música gospel. Cheio de vibratos e firulas de cantor americano.”

Entre as novas composições registradas por ela em 'Rio de Janeiro', está 'Puro ouro', o samba que fez em homenagem às novas gerações de sambistas cariocas. “Uma juventude morena, que sacode a poeira e tira o mofo do salão”, afirma. Segundo a cantora-compositora, a mais linda definição do samba que já ouviu está na letra de 'Desde que o samba é samba', de Caetano Veloso, que também está no disco: “A lágrima clara sobre a pele escura”.

Joyce aprendeu a tocar violão aos 14 anos de idade, segundo diz, vendo o irmão mais velho tocar. “Foi uma epifania quando descobri que, com aqueles primeiros acordes, podia compor uma música eu mesma”, recorda ela, que, não por acaso, fez então 'Meu Rio', a primeira canção dela, já falando de seu amor pela Cidade Maravilhosa.

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