Roberto Carlos encanta 14 mil pessoas no Mineirinho

Mesmo com repertório previsível, cantor seduz fãs com álbum duplo apresentado no ano passado, em Las Vegas

por Ailton Magioli 29/03/2015 08:11

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Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press )
Um ritual de sedução movido a muita, muita emoção. É o mínimo que de pode dizer do show que Roberto Carlos fez sábado à noite, no Mineirinho, para uma plateia de 14 mil pessoas, essencialmente feminina. De repertório previsível, inspirado no álbum duplo do Rei baseado na apresentação que ele fez, no ano passado, em Las Vegas, de Emoções a Jesus Cristo, foram 18 canções, a maioria delas cantada pela mulherada em alto e bom tom.

"Da qualidade da música, profunda, que faz até a pessoa que ele é, tudo me atrai em Roberto Carlos", afirmou, visivelmente emocionada, a estudante Larissa do Nascimento, de 17 anos, pouco antes do show começar em BH. "Este é o segundo show de muitos shows dele que virão em minha vida", anunciou a jovem, acompanhada da mãe, convicta de que não vai perder uma nova apresentação do Rei na capital. "Será a primeira vez, nunca vi um show dele", emendou, também emocionada a dona de casa Mércia Tomino Miranda, de 68 anos, enquanto o casal de empresários formado por Sirley Fátima Faria Souza, de 59 anos, e Miguel Soares, de 63, vindo de Pium-Hi, se deixava ser fotografado diante da imagem de RC próxima à banda que vendia a primeira fotobiografia dele.

Do livro (R$ 100) às inevitáveis camisetas com o rosto do Rei estampado, o show de Roberto Carlos também é uma verdadeira feira, com a própria produção e ambulantes disputando a atenção dos fãs em busca de trocados. Surpreendentemente falante, vestido de terno branco com camisa estampada em vários tons de azul, ele entrou em cena com meia hora de atraso, enquanto o público se acomodava nos variados setores do ginásio, especialmente preparados para receber o Rei. Das arquibancadas, a massa já prenunciava indisposição para os inveitáveis atrasos, enquanto privilegiados que puderam pagar mais caro - o ingresso mais barato foi vendido a R$ 120,00, a inteira - aguardavam nas cadeiras dispostas em frente ao palco ou no camarote.

Veja fotos do show no Mineirinho

A temida acústica do Mineirinho não apresentou problemas. Pelo menos os que estavam mais à frente puderam desfrutar de toda e qualquer palavra do Rei, cantando ou falando durante o ritual de sedução das fãs. A cada nova canção, Roberto tinha sempre um pequeno texto a dizer no início ou final da interpretação, para o delírio da mulherada que respondia aos gritos. Na disputa pelas rosas brancas e vermelhas, religiosamente distribuídas às súditas no fim da apresentação, houve de tudo um pouco. Desde a entrega de presentes (vela, miniatura de carro, bandeira de MG, ovo de Páscoa, faixas e dezenas, dezenas de cartazes) até a queda de algumas fãs que, desvairadas em receber a rosa providencialmente beijada pelo cantor, subiam nas cadeiras para disputá-la.

Além da massa feminina, muitos, muitos cadeirantes e até uma pequena ala religiosa, formada por cinco freiras da ordem Pequenas Missionárias de Maria Imaculada, de BH, se destacavam em meio à plateia. "Estamos em missão especial", disse uma das religiosas, evitando revelar a identidade, enquanto outra, mais aberta, justificava a presença no ginásio sob o argumento de que ele, o Rei, é um grande evangelizador.

Dos elogios aos músicos e autores das canções (Outra vez, de Isolda, foi uma das que mereceram destaque dele) até à surpreendente manifestação política ("Temos um país lindo e maravilhoso. Não podemos perder a esperança de mudar o Brasil", afirmou ele), RC cumpriu rigorosamente a missão de seduzir, não acrescentando uma canção sequer ao roteiro previamente liberado para os jornalistas, sem bis. O maestro Eduardo Lages comandava a superbanda que acompanhou o Rei, que se deu ao luxo de, inclusive, voltar a tocar violão solo em cena, na introdução de Detalhes. A noite foi das melhores para as súditas do Rei, no Mineirinho, com direito a bela iluminação do palco, sem cenário, além de três telões - dois gigantes de frente e um menor, voltado, para o camarote.

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