Show de Robert Plant em BH foi puro rock na veia

Plateia reuniu pais e filhos que herdaram dos veteranos o gosto pelas guitarras

por Mariana Peixoto 28/03/2015 10:52

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Túlio Santos/EM/D.A Press
Robert Plant se apresentou com a banda Sensational Space Shifters, no Chevrolet Hall (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press )
Já faz muito tempo que ele é do rock and roll. “It’s been a long time, been a long time”, canta Robert Plant. Prestes a completar 44 anos, Rock and roll, o petardo zeppeliano com que ele invariavelmente fecha seus shows, é entoada como se não houvesse amanhã no Chevrolet Hall. Cinco mil pessoas estavam na plateia que, anteontem, lotou o ginásio na segunda apresentação do antigo deus dourado, hoje mais um velho sábio grisalho, em Belo Horizonte.

Se o tempo faz pouca diferença para a performance de Plant – que a despeito das rugas exibe ânimo de garoto na turnê sul-americana que termina hoje, em São Paulo, no festival Lollapalooza – que o diga seu público. Décadas separam garotos que descobriram agora o rock clássico de tiozões que ouvem o Led Zeppelin desde os anos 1970. Mas ouvir Going to California, The lemon song, Whole lotta love e Black dog acabou com qualquer diferença geracional.

Luiz Cláudio Patrus tem 55 anos. Ouve a banda há pelo menos 30. Quando Plant esteve em BH, em 2012, foi assisti-lo no Expominas. A empolgação foi tanta que, na época, “aplicou” a filha Luiza. Para o show desta semana, foram juntos. Luiza, hoje com 17 anos, com a obrigatória camiseta da banda, ainda exibe, nas costas, tatuagem com os quatro símbolos que identificam Robert Plant, Jimmy Page, John Bonham e John Paul Jones. O pai também tem uma, feita no mesmo dia em que a filha.

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Saulo Monteiro, Leidiane, os filhos Mateus, Luiz e Luana e a tia Madalena viajaram 300 quilômetros para ver Plant (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press )
Quando resolveu ir ao show, Saulo Monteiro Dias, 38, decidiu fazê-lo com a família inteira. Deixou São Vicente de Minas, a 300 quilômetros de BH, com a mulher, Leidiane, e os três filhos, Luiz e Luana, de 16, e Mateus, de 15. De quebra, ainda levou a madrinha Madalena ao Chevrolet Hall. “Vê-lo pela primeira vez com os meninos foi maravilhoso. O show foi excelente, ainda mais porque Plant mesclou as músicas antigas com as novas”, disse.

Entre as famílias no local, também se destacava a de Nelson Morais, de 57, Rosiléia Castro, de 51, e Michele, de 17 anos. O pai ouve rock desde a adolescência, não perde a chance de estar na plateia dos medalhões. A filha acabou herdando o gosto paterno, tanto que, depois de ver Plant em 2012, resolveu convidar o pai para irem juntos ao show de anteontem. Rosiléia, que é da turma da MPB, decidiu ir também. Junto do marido e da filha roqueiros, ela era a estreante num show do gênero.

Até o mais rock and roll dos músicos brasileiros era um debutante por ali. Arnaldo Baptista e a mulher, Lucinha Barbosa, assistiam pela primeira vez ao ex-vocalista do Led Zeppelin. “Era conhecido como o melhor show do mundo”, lembra o mutante. Para Arnaldo, a mise en scène e a voz característica de Plant “fazem com que a gente ache que o Led não faz tanta falta”.

Em meio a tantos veteranos, uma garota que iniciou sua comemoração de 15 anos no show de Plant assistia ao show com experiência de veterana. A idade de Joana Ziller é inversamente proporcional à sua frequência em eventos de rock. Contando o de Plant nesta semana, já assistiu a 14 atrações internacionais, além de ter ido a três festivais. O gosto, claro, veio de casa, dos pais Gustavo Ziller e Patrícia Brandão.

“Mamãe sempre gostou do Plant, um deus grego quando era novo. Então, tinha a coisa da estética dele. Depois, foi a vez de o papai me mostrar. A voz dele é muito melódica, diferente da de todos os vocalistas do rock.” Joana já viu Radiohead, Kraftwerk, AC/DC, Black Sabbath, Foo Fighters, Paul McCartney. Plant foi a segunda vez.

“Achei que ele estava mais animado, com a voz melhor. O repertório foi diferente do outro show (2012). Todo o mundo esperando ouvir Led Zeppelin, e ele vem e mostra que aqui é Robert Plant. É um tapa na cara da plateia, mas um tapa bom.”

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