Aos 66 anos, Robert Plant faz show irretocável em seu retorno a BH

Ex-vocalista do Led Zeppelin abriu a apresentação com Babe I'm gonna leave you

por Mariana Peixoto 26/03/2015 23:31

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Tulio Santos/EM/DA Press
(foto: Tulio Santos/EM/DA Press)

Dois anos e meio após sua então única apresentação em Belo Horizonte, Robert Plant voltou à cidade. Do alto de seus 66 anos, ainda melhor. Um Chevrolet Hall lotado e encalorado graças à cinco mil pessoas arrebatou-se logo de cara com o velho mas nada cansado deus dourado. A abertura com Babe I'm gonna leave you, que o Led Zeppelin pegou do repertório de Joan Baez há 46 anos, provou que a garganta de Plant ainda segura os agudos. A interpretação, ora melancólica, ora doída, mesmerizou a plateia, que assim continuou durante uma hora e meia.


O Plant que está agora no Brasil e participa neste sábado do festival Lollapalooza, em São Paulo, volta ao país a bordo de sua mais recente banda. The Sensational Space Shifters, sexteto que ele reuniu em 2012, retornou ao país já maduro. Com um álbum lançado com essa formação – Lullaby and... The ceaseless roar (2014) – e duas turnês desde então, o entrosamento com o grupo fica latente. E já com repertório próprio, ele nadou de braçada, fazendo um show redondo.

O repertório, mais extenso que o da estreia no Rio de Janeiro, há dois dias, basicamente mescla canções do novo álbum com standards do Zep. Ou seja, folk, blues e rock. E a costura é tão bem feita que uma nova canção como Rainbow não parece deslocada quando dá sequência a um clássico zeppeliano. Black dog, aqui em versão estendida e mais lenta, ganhou uma longa parte instrumental graças à participação do músico gambiano Juldeh Camara. Empunhando o ritti, um violão africano de um só corda, ele interveio mais de uma vez em velhos blues-rock. A plateia, a despeito disto, respondeu bem às intervenções.

Ainda que algumas canções do Zep estejam em novos arranjos, houve aquelas executadas tal como de sua gravação original. Going to California foi a primeira grande comoção da noite, em momento de celulares iluminando todo o ginásio. The lemon song também teve recepção à altura de sua popularidade. Willie Dixon, uma das principais referências de Plant, apareceu mais de uma vez no show. Pesado no blues-rock Spoonful e melancólico em I just want to make love to you. Esta, emendada a Whole lotta love, foi deixada para a parte final.

Em cena, a Sensational Space Shifters, com o perdão do trocadilho, sabe ser sensacional. O guitarrista Justin Adams foi o destaque na versão para Fixin' to die de Bukka White, outro mestre blueseiro de Plant. No bis, quando todos pensavam que Plant já iria mandar Rock and roll, que tradicionalmente encerra seus shows, ele ainda interpretou Nobody's fault but mine.

Quando os acordes finalmente anunciaram Rock and roll, não houve para mais ninguém. E Plant, que já se negou a receber milhões para voltar com sua antiga banda, provou, mais uma vez, que não precisa do zepelin para voar alto.

Confira o repertório do show

Baby I'm gonna leave you
Rainbow
Black dog
Turn it up
Embrace another fall
Going to california
Spoonful
What is and what should never be
Little Maggie
The lemon song
Fixin' to die
I just want to make love to you/Whole lotta love/Who do you love
Nobody's fault but mine
Rock and roll

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