Nina Becker faz uma bela homenagem a Dolores Duran, no Teatro Bradesco

Show 'Minha Dolores' mostra artista longe do estereótipo da rainha da dor de cotovelo

por Ailton Magioli 20/03/2015 09:00

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Caroline Bittencourt/Divulgação
(foto: Caroline Bittencourt/Divulgação)
“Não deve ter sido nada fácil ser Dolores Duran (1930-1959) em plenos anos 1950, no Rio de Janeiro”, diz a também cantora e compositora Nina Becker, de 40 anos, que traz finalmente a Belo Horizonte o show 'Minha Dolores', através do qual ela ascendeu na carreira solo depois de passagem pela Orquestra Imperial. Ela também tem dois discos, 'Azul' e 'Vermelho', lançados em 2010. Atração da noite desta sexta-feira do Teatro Bradesco, acompanhada de Luís Barcelos (bandolim) e Lucas Porto (violão 7 cordas), ela apresenta a sua versão da cantora aos fãs – a bem da verdade, distante da estereotipada artista que a mídia ainda insiste apontar, como a rainha da dor de cotovelo e afins. “Famosa, independente, crooner de boate e boemia, Dolores fugia totalmente do que se esperava de uma mulher na época dela”, diz Nina Becker, que classifica a artista como uma mulher à frente de seu tempo.

“A Dolores veio para mim antes do bolero e do samba canção”, chama a atenção a cantora carioca, que se aprofundou no universo da artista, precursora da bossa nova, ainda na adolescência. Graças ao padrasto, Roberto Gnattali, sobrinho do maestro Radamés Gnattali (1906-1988), historiador da MPB, Nina teve acesso ao acervo de Dolores Duran no qual chafurdou, literalmente, ainda menina. “Tive sorte, porque ouvia uma Dolores mais rica que a da dor de cotovelo e do samba canção”, pondera Nina, salientando que graças à carreira de crooner de boate, Dolores cantou de tudo, em vários idiomas (inglês, francês, italiano, espanhol e esperanto). “Dolores teve disco até de música nordestina”, diz, referindo-se a Esse norte é minha sorte, de 1959, ao qual ela recorre inclusive no show.

TERNURA Consagrada através de canções como 'Ternura antiga', da parceria com Ribamar, e 'Estrada do sol' e 'Por causa de você', com Tom Jobim, Dolores também compôs sozinha sucessos como 'A noite do meu bem', 'Fim de caso' e 'Solidão'. À exceção de 'Estrada do sol' e 'Solidão', Nina Becker não incluiu nenhum desses clássicos no repertório do show. “São canções que eu gostava de ouvir com ela. Trata-se de um disco sobre a personalidade dela, sobre o Rio de então”, esclarece a cantora que, antes de partir para o trabalho, ouviu gravações de Dolores nas vozes de Marina Lima e Nana Caymmi, a última, dona de um verdadeiro clássico dedicado ao repertório de Dolores Duran.

Minha Dolores, na verdade, nasceu do convite do Canal Brasil para Nina participar do projeto Cantoras do Brasil, no qual as novas prestam um tributo às antigas intérpretes, cabendo a ela cantar Dolores. No repertório do show estão autores como Isamel Silva ('Tradição'), Ismael Netto e Antonio Maria ('Carioca'), Celso e Flávio Cavalcanti ('O amor acontece'), Billy Blanco ('O outono'), Chico Baiano ('Coisas de mulher') e Lúcio Alves ('Vou chorar', da parceria com a própria Dolores), entre outros.

NINA BECKER

Nesta sexta-feira, às 21h, no Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), na bilheteria ou pelo site www.ingresso.com. Informações: (31) 3516-1360.

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