Especialistas afirmam ter encontrado restos mortais de Miguel de Cervantes

Material foi encontrado entre fragmentos de ossos em um convento de Madri

por AFP 18/03/2015 12:25

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Sociedad de Ciencia Aranzadi/AFP
Equipe durante investigação (foto: Sociedad de Ciencia Aranzadi/AFP)
A equipe responsável por procurar os restos mortais do escritor espanhol Miguel de Cervantes, autor de Dom Quixote, está convencida de ter encontrado o material entre fragmentos de ossos localizados em uma cripta de um convento de Madri, um ano depois do início dos trabalhos.

"À vista de toda a informação gerada no caso de caráter histórico, arqueológico e antropológico, é possível considerar que entre os fragmentos da área localizada no solo da cripta da atual igreja das Trinitárias se encontram alguns pertencentes a Miguel de Cervantes", disse o antropólogo Francisco Etxeberría, coordenador da equipe multidisciplinar.

"São muitas as coincidências e não há discrepâncias", completou Etxeberría, que reconheceu que não foi possível rastrear indícios dos ferimentos sofridos pelo escritor na batalha de Lepanto.

Na batalha naval de Lepanto, em que a Santa Liga formada principalmente por Espanha, Veneza e a Santa Sé venceu os turcos em 1571, Cervantes foi ferido no peito e na mão de esquerda por um arcabuz.

O ferimento deixou sua mão esquerda inutilizada e o autor passou a ser chamado de "o manco de Lepanto".

"Não conseguimos verificar esta circunstância porque o nível de conservação do osso não permitiu, não conseguimos descobrir nenhum sintoma de patologia traumática", disse o antropólogo.

"Todos os membros da equipe estão convencidos de que temos entre estes fragmentos algo de Cervantes, mas, no entanto, não posso dizer em termos de certeza absoluta", completou.

"As coincidências e as não discrepâncias da articulação e dos elementos de caráter histórico, antropológico e arqueológico nos levam a considerar que ali estaria Cervantes em termos razoáveis", explicou.

"Não vai acontecer uma individualização confirmada pela genética", afirmou a arqueóloga Almudena García Rubio, ao reiterar o que já havia sido antecipado pela equipe no início da busca, em março do ano passado.

Apesar da boa conservação dos restos mortais para exames de DNA, a única descendência atual da família de Cervantes procede de seu irmão Rodrigo.

"E depois de 12 gerações, o DNA que poderia ter em comum com Cervantes é mínimo", já havia afirmado o historiador Fernando de Pardo.

Os restos mortais daquele que é considerado o maior escritor espanhol da história foram localizados na cripta da igreja do Convento de 'San Ildefonso de las Madres Trinitarias', no conhecido bairro da Letras, centro de Madri.

No entanto, com a passagem do tempo e as obras de reforma no convento, perdeu-se o rastro de sua sepultura, caída no esquecimento durante quatro séculos, até que o início da busca se deu em março de 2014.

Desde então, a equipe encontrou e decifrou documentos históricos, sondou com um geo-radar o solo do convento onde vivem ainda as religiosas, perfurou um caminho para uma minúscula cripta subterrânea na igreja e acabou descobrindo os restos de 300 pessoas, onde, a princípio, se achava que eram apenas oito.

Entre eles, ossos em pequenos fragmentos que há apenas alguns dias foram identificados como pertencendo a um grupo de 15 pessoas enterradas no século XVII em outra área do convento, e transferidos posteriormente, entre os quais, segundo os documentos, estaria Cervantes.

Nascido em 1547 em Alcalá de Henares, perto de Madri, o autor de Dom Quixote de la Mancha viveu seus últimos anos neste bairro madrileno e faleceu em 22 de abril de 1616.

Cervantes foi sepultado na igreja do convento um dia depois, 23 de abril, data que foi oficializada como a de sua morte, já que na época o dia do enterro era considerado a data do óbito.

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