Pussy Riot lança clipe em inglês

Vìdeo faz homenagem ao cidadão negro americano Eric Garner, assassinado pela polícia

por Mariana Peixoto 20/02/2015 09:46

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ROBIN VAN LONKHUIJSEN/AGÊNCIA FRANCE PRESSE
Nadya Tolokonnikova (E) e Masha Alyokhina, integrantes da banda Pussy Riot, durante entrevista no Festival de Cinema de Roterdã, onde falaram a respeito de feminismo (foto: ROBIN VAN LONKHUIJSEN/AGÊNCIA FRANCE PRESSE)
Em 17 de julho de 2014, o cidadão negro Eric Garner, de 43 anos, foi abordado por policiais em Staten Island, Sul da ilha de Manhattan. Acusado de vender cigarros sem pagar impostos, levou uma chave de pescoço de um policial branco, Daniel Pantaleo, de 29. Na sequência, foi algemado. Toda a prisão foi registrada em vídeo por um amigo de Garner. Com problemas cardíacos e asmático, o homem de 1,91m e 160 quilos morreu de ataque do coração na ambulância, a caminho do hospital.


Antes de morrer, Garner repetiu 11 vezes “I can’t breathe” (Não consigo respirar).

Este é o título da primeira canção em inglês da banda punk feminista russa Pussy Riot. Lançada anteontem no YouTube, a música foi gravada por Nadya Tolokonnikova e Masha Alyokhina. No vídeo gravado em Moscou, ambas estão com uniformes da polícia russa. Sobre um monte de terra preta, vemos um maço de cigarros. A câmera se aproxima das duas, que são enterradas vivas.

À medida que elas vão sendo enterradas, a música, com batida industrial, vai se tornando mais opressiva. O clima chega ao ápice na parte final, quando as últimas palavras de Eric Garner são repetidas por Richard Hell, cantor, escritor e compositor norte-americano que teve uma passagem no baixo da banda pré-punk Television nos anos 1970.

'I can’t breathe' foi gravada em dezembro, num estúdio nova-iorquino. Nadya e Masha estavam na cidade participando dos protestos contra a decisão do júri que livrou Pantaleo do julgamento pela morte de Garner. “O ritmo e a batida da música são uma metáfora de um piscar de olhos, da batida de um coração que está prestes a parar. A ausência dos habituais vocais agressivos nesta canção é uma reação a esta tragédia”, disseram, em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

Mas não é somente à tragédia norte-americana que 'I can’t breathe' faz referência. “Desde nosso vídeo anterior, 'Putin will teach you how to love' (Putin irá ensiná-lo a amar, lançado há um ano), gravado durante uma violenta batalha entre criminosos e militantes durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochia, a Rússia ficou seriamente alterada. A partir da última primavera, temos vivido em uma condição de guerra e ódio em relação ao resto do mundo que o Kremlin chamou de Primavera Russa, após a anexação da Crimeia. Percebemos que a Rússia está se enterrando viva em relação ao resto do mundo, cometendo suicídio diário”, acrescentaram.

 

Assista ao clipe de 'I can't breathe':

 

 

 

Grupo é alvo de mordaça russa

 

Opositoras veementes do governo Putin, a quem consideram um ditador, as Pussy Riot se reuniram em Moscou em agosto de 2011. Com número de integrantes variável – uma dezena de mulheres, entre 20 e 33 anos –, o grupo ficou conhecido por performances provocativas que ocorriam em lugares públicos. O coletivo punk, com músicas que versam sobre o feminismo, os direitos dos LGBT e de contestação ao governo Putin, geralmente gravava suas aparições. Os vídeos rapidamente viralizavam.

No Ocidente, as Pussy Riot ficaram mais conhecidas a partir de 2012, quando algumas de suas integrantes foram presas. Em março daquele ano, Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova foram encarceradas sob a acusação de vandalismo. Negaram integrar o grupo num primeiro momento e fizeram uma greve de fome. No mês seguinte, outra mulher, Ekaterina Samoutsevitch, também foi presa e indiciada.

Em junho, foram apresentadas acusações formais contra o grupo, num processo de 2,8 mil páginas. As três foram notificadas de que teriam cinco dias para preparar sua defesa. Iniciaram nova greve de fome, dizendo que o prazo era insuficiente. Em agosto, as três foram condenadas a dois anos de prisão por vandalismo motivado por ódio religioso (a performance que originou a prisão foi realizada numa igreja). Pouco depois da sentença, outras integrantes abandonaram a Rússia.

Libertadas no final de 2013, Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova participaram, em fevereiro do ano passado, de um show em benefício da Anistia Internacional no Barclays Center, em Nova York. A participação ocorreu após convite de Madonna. Integrantes anônimos do Pussy Riot fizeram um protesto dizendo que as duas não mais pertenciam ao grupo.

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