Órgão histórico do século 18 ganha festival em Diamantina

1º Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina vai até 1º de março

por Ailton Magioli 20/02/2015 08:00

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Mikel Muruzabal/divulgação
A mezzosoprano Nerea Berraondo vai cantar na Igreja de Nossa Senhora do Carmo (foto: Mikel Muruzabal/divulgação)
A necessidade de formar mão de obra própria e especializada para atender à demanda criada pela restauração do órgão Almeida e Silva/Lobo de Mesquita, do século 18, é um dos motivos da criação do 1º Festival Internacional de Música Antiga de Diamantina. De hoje a 1º de março, a cidade histórica vai receber oito concertos, três mesas de debates, um espetáculo de teatro e um cortejo de capoeira. Desembarcam em Minas os grupos Ministriles de Marsias, da Espanha, e Alemmares Ensemble, de Portugal. Os organistas João Vaz, Fernando Sánchez, Bruno Forst, Javier Artigas e Elisa Freixo participarão do evento, assim como o fagotista Josep Borrás e a cantora lírica Nerea Berraondo.


“O festival surgiu da necessidade de colocar em prática o diálogo entre os patrimônios material e imaterial de Diamantina, pois um dá sentido ao outro”, explica Marcela Bertelli, diretora-executiva do evento. Depois de coordenar uma das quatro edições do Festival de Música Antiga da UFMG, Marcela chegou à conclusão de que Minas Gerais comportava outra atração do gênero, pois a promoção da UFMG é mais acadêmica, enquanto o tradicional festival de música colonial de Juiz de Fora abriga programação maior.

Natural de Diamantina, o flautista Evandro Archanjo, de 31 anos, foi estudar em Berlim, onde descobriu a beleza do órgão e de sua sonoridade. De volta à terra natal, o músico passou a acompanhar com interesse o projeto de restauração do Almeida e Silva/Lobo de Mesquita, processo que levou oito anos. Ele voltou à ativa em 29 de março de 2014. Evandro se tornou organista assistente. O titular é Marco Brescia, diretor artístico do festival.

A cada 15 dias, o instrumento pode ser ouvido na Igreja Nossa Senhora do Carmo. “Esse era um sonho antigo da nossa cidade”, relata Evandro, lembrando que o organista Lobo de Mesquita nasceu no Serro, município vizinho a Diamantina. De todos os órgãos fixos de Minas Gerais – há exemplares em Mariana, Tiradentes e Barbacena –, o diamantinense é o único integralmente construído no estado, informa Evandro. A proeza coube ao padre Manoel de Almeida e Silva.

“Para ser preservado, o órgão da cidade precisa dialogar com a prática”, afirma Marcela Bertelli. Com seu conceito forjado no mundo ocidental, a música antiga, lembra ela, exclui melodias não-escritas. Daí a ideia de promover um cortejo de capoeira, manifestação que no Brasil fica mais a cargo da etnomusicologia.

As atividades do festival serão gratuitas. “A programação foi pensada para os horários mais adequados para a população. Tanto que não há concertos durante o dia”, destaca Marcela. Marco Brescia diz que o elo fundamental da agenda é a valorização do tesouro histórico pertencente a Diamantina. De acordo com ele, ganhará primazia o repertório originalmente composto para esse instrumento à luz dos contextos luso-brasileiro, íbero-americano e ítalo-ibérico.

PROGRAMAÇÃO

>> Sexta
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, às 20h30. Peça de Domenico Zipoli. Com Marco Brescia

>> Sábado
Igreja de Nossa Senhora do Carmo, às 20h30. Música religiosa luso-brasileira do último quartel do século 18. Com Rodrigo Teodoro, Rosana Orsini, Nerea Berraondo, Luciano Botelho, Pedro Ometto, André Tavares, Diana Vinagre,
José Gomes e Marta Vicente

>> Domingo
Teatro Santa Izabel, às 11h. Música italiana para cravo. Com Bruno Procopio

. Até 1º de março. Programação completa: www.musicaantigadiamantina.com

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