Maquiadora e atriz mineira Regina Mahia se arrisca no funk

Personagem Tiazzona acaba de lançar seu primeiro clipe, o 'Funk da Maria da Penha'

por Ana Clara Brant 19/02/2015 09:00

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Carol Viveiros/Divulgação
A maquiadora e funkeira Regina Mahia, que se prepara para lançar a música 'Eu não nasci pra ser princesa' (foto: Carol Viveiros/Divulgação)
Há alguns anos, a maquiadora e atriz mineira Regina Mahia, de 55 anos, passeava pelo Rio de Janeiro e ficou incomodada com as letras do funk que ecoavam pelas ruas da Cidade Maravilhosa. A maioria das canções depreciava as mulheres. Foi então que ela tomou uma decisão. “Achei aquilo horrível. Quando me dei conta, comecei a brincar com isso espontaneamente. Mas não naquela vibe. Não quis aceitar que, em pleno século 21, ainda vivamos numa sociedade machista e que aprova música que detona a mulherada, e, pior, boa parte nem liga”, diz.

Surgia assim a personagem Tiazzona, uma espécie de alter ego de Regina, que acaba de lançar seu primeiro clipe, o 'Funk da Maria da Penha' (Eu sou gostosa, eu sou mulher. Na minha pele eu ponho muita fé. Te dou carinho, meu coração, mas nesse corpo, você não manda, não. Homem que é homem sabe o que quer. Homem que é homem não bate em mulher).



A maquiadora já tem 10 composições em torno da temática de valorização do sexo feminino e também de protesto em relação a variados assuntos. “Fiz uma proposta de jogar a mulher pra cima. Como eu não queria aparecer de cara lavada, criei essa figura, a Tiazzona, que é tipo um disfarce. Confesso que incorporá-la é encarar muita coisa e sair da zona de conforto. Mas é isso que pretendo mesmo. Estou a fim de incomodar. Mas não estou agredindo ninguém e apenas falando o que penso e sinto”, avisa a atriz e maquiadora que pretende criar uma grife inspirada em seu mais novo ‘papel’.

Regina Mahia, que nasceu em Belo Horizonte e mora em Vespasiano, na região metropolitana, conta que a maioria das pessoas com quem convive teve uma reação de surpresa quando ela decidiu enveredar pelo mundo do funk. Embora os amigos mais próximos a tenham apoiado, diz que muita gente a olha de uma maneira torta.

No entanto, ela diz estar satisfeita com as reações, por acreditar que esteja conseguindo provocar tanto homens quanto mulheres.

“Eles escutam e tal, mas sei que mexe com os homens. Já elas se sentem eufóricas, porque boa parte se identifica com o que eu canto. É muito bacana saber que a sua mensagem está atingindo de alguma forma porque, pra mim, não foi fácil achar essa mulher dentro de mim. É um desafio e tanto.”

Passado o carnaval, a Tiazzona se prepara para lançar uma composição inspirada em sua própria história, Eu não nasci pra ser princesa (Eu não nasci pra ser princesa, nasci pra ser mázinha. Desde muito nova, eu me amarro nas bruxinhas). Ela quer montar o próprio show para poder se apresentar em eventos como a Parada Gay e a Virada Cultural.

Paralelamente à carreira no funk, não deixa de se dedicar ao seu principal ofício, a maquiagem. Com três décadas de profissão, sendo que a estreia foi aos 19 anos, no monólogo de Cidinha Campos Homem não entra, encenado no Palácio das Artes, Regina Mahia tem no currículo produções para ópera, teatro e cinema.

“Tive e tenho o privilégio de trabalhar ao lado de  Carla Camuratti, Raul Belém Machado, Naum Alves de Souza, Bibi Ferreira, Fernando Bicudo, Gringo Cardia, José Possi Neto e tantos outros. Não fui eu que escolhi a maquiagem, foi ela que me escolheu. Sempre acreditei que ia fazer um trabalho autoral com essa arte. Maquiador não é só aquele que domina a técnica, mas o que dá solução para as linguagens que você quer trabalhar.”



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