Artistas de BH conciliam atuação em bandas cover com trabalhos autorais

Desenvolver projetos próprios é um desafio para os militantes dessa cena

por Daniel Seabra 11/02/2015 09:00

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Ramon Lisboa/EM/D.A Press
Os músicos mineiros Gabriel Oliveira, Alessandra Nunes, Rafael Dinnamarque e André Bastos se dividem entre o cover e o autoral (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press )
Clássicos do rock e do heavy metal por todos os lados. Quase diariamente, os roqueiros de plantão de Belo Horizonte podem conferir nos palcos da cidade músicas de suas bandas preferidas, como Iron Maiden, AC/DC, Metallica e Queen. É consenso entre frequentadores de bares e pubs que BH virou celeiro de covers. A grande maioria das casas com música ao vivo privilegia grupos dedicados ao repertório alheio. Ainda assim, há quem reme contra a maré e insista na carreira autoral. Mesmo que para isso tenha, paralelamente, que “incorporar” algum ídolo do rock.

Várias bandas de rock, hard rock e heavy metal não se entregam totalmente ao cover. Elas tentam virar o jogo da cena mineira resgatando a tradição da produção própria. Rafael Dinnamarque pertence a esse grupo. Ele atua nas duas frentes – ou melhor, em quatro, pois integra duas bandas cover (Kiss Alive e Dr. Smith, essa do Aerosmith) e mantém duas autorais: Dinnamarque (heavy metal cantado em inglês) e Directa (rock em português).

 “Não acho que o fato de a gente se dividir entre o cover e o autoral atrapalhe, pois começamos a fazer cover pra ir pro autoral. Vai depender do que cada um quer: reconhecimento por sua própria criação ou viver de imitar alguém e ser elogiado por isso? Autoral inteligente e de qualidade não vinga no país se você não estiver na moda ou não tiver QI (quem indica)”, afirma.

Para ele, é preciso driblar muitas dificuldades para emplacar o trabalho autoral. “Para montar uma banda, é preciso ter instrumentos de qualidade, o que é muito caro. Também é difícil achar quem leve a sério o trabalho. É necessário achar alguém que ponha o seu produto na vitrine”, observa, referindo-se ao rádio e à televisão. Para ele, tudo depende do estilo musical adotado, “pois vivemos em um país onde as pessoas andam conforme a moda, e não conforme seu gosto”.

Outro que atua em duas frentes é André Bastos, baterista da banda Pleiades e do Metallica Cover Brazil. “A cena autoral em BH passa por tempos difíceis. Não só as casas de shows dão pouco ou quase nenhum espaço às bandas, como não há interesse maior por parte do público. Isso leva muitos grupos autorais de qualidade a buscar outros caminhos. A perspectiva atual não é animadora”, lamenta.

O baterista e produtor Ruy Montenegro, proprietário do Estúdio Gênesis, é um dos fundadores do Creedence Cover, banda criada há 24 anos. Tocou também nas autorais Serpente, Blefe, Arte Final e Outsider. “Voltaria a me dedicar a um projeto autoral desde que ele fosse compatível com o que gosto de fazer. BH já foi a cidade do cover, mas hoje não é bem assim”, pondera. “Não se pode levantar a bandeira de que uma coisa atrapalha a outra. Isso não existe. O que existe é trabalho e dedicação. E, claro, uma dose de sorte e boas escolhas.”

QUALIDADE Montenegro garante: em seu estúdio, há muita gente gravando trabalho autoral de qualidade. Gabriel Oliveira, vocalista do Engradado, vai lançar mais um clipe, no Bar Stonehenge, no dia 28. Ele toca também em bandas cover de The Who, Led Zeppelin e Raimundos. “O rock autoral vive uma fase interessante em BH. As bandas estão produzindo muito mais e reclamando menos. Isso traz qualidade ao som, marketing positivo e agrega público realmente interessado”, acredita.

Auder Júnior, guitarrista e vocalista da Audergang e integrante do Led III, dedicado ao Led Zeppelin, avisa que o cover traz imediatismo, mas ele tem limite. “Muitos fãs do Led acabam seguindo também nosso trabalho próprio”, afirma. Alessandra Nunes, vocalista da banda Immortal Opus, diz que o desafio do cover é atrair o público para o evento autoral.

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