Chegada do rapper Rico Dalasam traz novidades para o mundo do hip-hop

Homossexual assumido, Dalasam quebra paradigmas no universo do rap

por Correio Braziliense 10/02/2015 10:54

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Showlivre/Divulgação
Rico Dalasam é um dos principais nomes do queer rap no Brasil: objetivo é combater o preconceito (foto: Showlivre/Divulgação)
Morador de Taboão da Serra, periferia de São Paulo, o rapper Rico Dalasam, de 25 anos, desponta como o principal expoente de um gênero musical que, até então, permanecia sem representantes no Brasil: o queer rap. Um dos primeiros (se não o único) homossexual assumido dentro do universo do rap nacional, Dalasam importa uma derivação do hip-hop que já é reconhecido nos Estados Unidos como uma música de resistência — na qual a diversidade sexual é assumida e protagonizada em um cenário predominantemente machista e homofóbico.

“É um tempo de virada, alguns preconceitos velhos vão se transformar ou se tornar obsoletos”, afirma o rapper. Negro, pobre e gay, Dalasam começou a enxergar uma possibilidade na música por volta de 2006, mas esperou alguns anos até encontrar um espaço para suas rimas. “De lá para cá, muita coisa se estruturou dentro do circuito, muitas portas novas se abriram, muitas barreiras foram quebradas”, conta.

Em 2015, Rico vai lançar 'Modo Diverso', o primeiro disco de rap brasileiro com temática gay. “Ainda dá tempo de ser quem se é, tempo de ser quem se quer, deixa quem quiser falar”, diz 'Aceite-c', primeiro single do EP, embalado por um sample de 'O mais belo dos belos', de Daniela Mercury. É com essa pegada mais animada e positiva que ele pretende construir, cada vez mais, seu lugar na música e na luta: “A gente consegue levar esse alívio, esse suspiro, vamos construindo uma moçada com mais autoestima”, conta o rapper, que tem recebido mensagens de jovens que começaram a ver na música um caminho para a aceitação.

FUNK LÉSBICO As brasilienses do Sapabonde abriram espaço para um novo fenômeno musical: o funk lésbico. Depois de postar um vídeo, em 2010, cantando duas músicas, 'Éus sapa' e 'Vai não se esconde', o grupo, formado por cinco lésbicas assumidas, começou a ser convidado para fazer shows pelo país e a bombar na internet. O que se iniciou como brincadeira, colocou as meninas como representantes de um movimento. “A música celebra o corpo e a sexualidade, mas de uma maneira na qual a mulher tem a liberdade de se colocar no mundo e de se apropriar de si mesma”, explicam.

“Sempre gostamos muito de compor músicas engraçadas sobre nossa sexualidade, mas nunca deixando de lado a militância”, conta a MC Carol. Completamente escrachadas, elas precisaram encontrar um equilíbrio entre o funk proibidão com o emponderamento feminino.

Para a rapper brasiliense, Flora Matos, o hip-hop abre espaço para letras engajadas. “O rap é o estilo musical mais livre que existe. Não mais aberto, mais livre”. Flora explica que existe a liberdade de, por exemplo, misturar uma batida de funk com o som de um pífaro e cantar o que se pensa, mas permanece sendo um circuito predominantemente machista.

» Música de aceitação

Flora Matos, rapper brasiliense

A brasiliense que começou a gravar as primeiras músicas aos 13 anos, concorda com Rico Dalasam. “É como ele diz, o fervo (balada) é protesto”. Para ela, o rap deve ser uma música libertadora. “É simples, somos livres”. Associada a um estilo musical libertário, Flora ressalta o machismo no gênero e explica que, de forma não agressora ou ditadora, às vezes aborda algumas dessas questões em suas músicas.

A funkeira MC Xuxú
Influenciada pelo hip-hop e pelo rap, a MC Xuxú decidiu escolher o funk para usar o microfone como forma de luta contra o preconceito. “Sou transexual e quero ser tratada como mulher. Não é todo mundo que respeita isso. O funk é só mais uma arma que tenho”, conta. Para ela, a questão deve ser debatida em todos os lugares e em todos os gêneros musicais. É fundamental ter atitude”, canta em sua música Desabafo.

Sapabonde, funkeiras brasilienses

“Sempre gostamos muito de compor músicas engraçadas sobre nossa sexualidade, mas nunca deixando de lado a militância”, afirma a integrante MC Carol. Em uma das faixas, elas cantam: “Vem, não se esconde, vem pro Sapabonde”. Engajadas, as integrantes gostam de ressaltar o empoderamento feminino de forma bem-humorada.

Karol Conka, rapper

A intenção de Conka é enviar uma mensagem de aceitação em suas músicas, que levante a autoestima de quem ouve. Naturalmente feminista, a rapper conta que, na cena do rap, ainda existe um despreparo dos homens com a presença de mulheres. “O debate é sempre importante, e acho que demorará alguns anos para a mulher se firmar de vez, a ponto de não responder mais perguntas sobre como é ser mulher no rap.”

Candy Mel, cantora
Integrante da goiana Banda Uó, a cantora é transexual. O trio, que mescla tecnobrega com pop, bomba nas pistas de todo o país. Além do espaço na música, também encontrou tempo para colocar a questão do gênero em debate.

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