Ilumina Festival reúne premiados violonistas internacionais em janeiro

Jovens e veteranos têm rara oportunidade de interação e total liberdade para explorar novas ideias. Primeira edição do evento acontece no interior de Minas

por Walter Sebastião 29/12/2014 09:11

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Angela Morris/Divulgação
"O Brasil tem muitos talentos, a maioria com trajetória difícil. Às vezes, há carência cultural, às vezes, econômica, e as duas em certos casos" Jennifer Stumm, coordenadora Ilumina Festival (foto: Angela Morris/Divulgação )
Dedicado à música de concerto, o Ilumina Festival será realizado em janeiro em Sapucaí-Mirim, no Sul de Minas. A primeira edição do evento chega ao Brasil com uma proposta diferente: cinco instrumentistas estrangeiros com carreira internacional e 24 jovens brasileiros vão conviver por sete dias na Fazenda Palmar. O resultado desse encontro será apresentado em recitais em São Bento do Sapucaí (MG) e em Campos do Jordão (SP).

“Criamos um festival de alto nível artístico baseado na liberdade de explorar ideias”, explica Jennifer Stumm, de 35 anos, coordenadora do encontro. Ela frisa que, em vez da tradicional relação professor/aluno, o evento é baseado na troca de experiências e na interação entre colegas. “Minha expectativa é que jovens e veteranos construam juntos uma experiência musical única”, afirma.

Os jovens terão contato com o modo de trabalhar que qualifica o instrumentista para a carreira internacional, enquanto os veteranos poderão se renovar ao conviver com a energia e a criatividade dos novatos.

“O Ilumina é cheio de utopias. Queremos cruzar padrões em um ambiente bonito e inspirador, onde as pessoas se sintam seguras para trocar experiências”, explica Jennifer. Ela criou o projeto para o Brasil, mas não afasta a possibilidade de ações semelhantes em outros países. Os convidados do Ilumina, todos premiados e respeitados internacionalmente, são as violonistas Alexandra Soumm e Esther Hoppe, o violoncelista Giovanni Gnocchi, o contrabaixista Joseph Conyers e o pianista Cristian Budu.

A diretora artística do festival se encanta com o Brasil. “A música está na alma do povo”, afirma. Violista respeitada, a norte-americana diz que música de concerto exige disciplina, estudo e conhecimento. “Só por meio desses elementos conseguimos atingir nossos objetivos”, argumenta.

“O Brasil tem muitos talentos, a maioria com trajetória difícil. Às vezes, há carência cultural, às vezes, econômica, e as duas em certos casos”, analisa Jennifer. Ela quer pôr nas mãos de cada criança menos privilegiada um instrumento relacionado à música clássica. Utopia? “A Venezuela fez isso”, responde, referindo-se ao programa que projetou Gustavo Dudamel, o renomado regente da Orquestra Filarmônica de Los Angeles.

O Ilumina não é o primeiro festival criado por Jennifer Stumm. “Mas é o maior e o primeiro em outra língua”, brinca ela. O interesse veio da disposição dela e de seus colegas para buscar ambientes sem barreiras para a criatividade. “Ao longo da minha carreira, vi jovens talentosos sem oportunidade de contato com outros músicos, cuja experiência era importante conhecer. Decidi criar possibilidades de encontros”, explica.

A preocupação com aspectos inovadores, explica a violista, não é uma crítica à academia, “mas ao sistema mundial de educação”. Na opinião dela, alunos de todos os níveis precisam ser mais expostos à arte de qualidade.

JUILLIARD SCHOOL Jennifer Stumm nasceu em Atlanta, nos EUA. Estuda viola desde os 8 anos, quando ficou admirada com o som do instrumento durante apresentação na escola onde estudava. Frequentou o Curtis Institute of Music, na Universidade da Pensilvânia, e fez mestrado na Juilliard School, em Nova York. Instrumentista respeitada, ela se divide entre salas renomadas dos EUA e da Europa. Atualmente, dá aula no Royal College of Music, em Londres, e é professora visitante da Escola de Música do Estado de São Paulo – Tom Jobim, na capital paulista.

Este ano, a violista lançou o disco 'Harold in Italy' (Orchid Classics), dedicado a Hector Berlioz. “Considero todas as fases da história da música importantes. Todas devem ser ouvidas intensamente. O instrumentista precisa saber tocar de tudo e ter o que ama em seu repertório”, acredita.

Jennifer sai em defesa do ensino de música nas escolas. “Uma criança, quando faz música com a outra onde estuda, está aprendendo a participar da sociedade. O contato com a arte e a boa música não pode ser privilégio só de alguns”, conclui.

ILUMINA FESTIVAL
» 4 e 7 de janeiro
Às 19h, na Igreja Matriz de São Bento, em São Bento do Sapucaí (MG)

» 8 de janeiro
Às 19h, no Auditório Dr. Além, em Campos do Jordão (SP).

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