Vida longa ao vinil

Bolachões voltam à cena com discos de nomes da nova geração como Jack White e Arctic Monkeys

por Rebeca Oliveira 24/12/2014 09:46

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Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Alexandre Trovão, dono de loja, diz que consumidor é público jovem (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press)
Para muitas pessoas, o vinil é mais que uma forma de ouvir música. É um estilo de vida. Muitos consumidores resistiram à facilidade da música digital e nunca perderam o encanto pelo velho hábito de levantar a agulha e colocar o bolachão para rodar na vitrola. Além disso, o lançamento de álbuns de bandas modernas atraiu um novo perfil de consumidores que têm garantido vida longa aos discos. 

Este ano, definitivamente, a indústria de vinis ganhou novo fôlego. Bolachões antigos e clássicos reprensados dividem espaço com discos recém-lançados de artistas nacionais e estrangeiros, atentos à popularidade do formato entre a “velha” e a nova geração. 

“A maioria dos nossos clientes são jovens, fãs de música e que já não se contentam apenas com essa relação virtual oferecida pela internet. Eles querem pular de cabeça dentro dos discos. Os colecionadores já possuem todos os grandes clássicos. Uma parcela bem considerável do mercado é composta por um público novo que está começando a montar a coleção”, afirma Rodrigo de Andrade, um dos criadores do Selo 180, que tem o vinil como principal produto. 

Investindo pesado no rock e em suas vertentes, eles lançaram discos de bandas como Cachorro Grande, Gross, General Bonimores, O Terno e Mustache e Os Apaches. Os bolachões são prensados no Leste Europeu, na maior fábrica de discos do mundo — a GZ Media. 

Mais que lançar LPs como algo paralelo aos convencionais CDs, músicos e bandas oferecem produtos com ares de item para colecionador, com recursos que podem ir de um belo encarte a faixas-bônus — sem esquecer da superioridade na qualidade do áudio. “Com aparelhagem de qualidade, você extrai um som do vinil muito superior ao de um Blu-Ray, por exemplo. Para nós, esse é o maior atrativo: a música com uma qualidade inigualável”, completa Rodrigo. 

Aumento significativo 
Nos Estados Unidos, as vendas de discos de vinil aumentaram 49% em relação a 2013, de acordo com o Wall Street Journal. Os principais responsáveis por esse expressivo crescimento são, respectivamente, o músico Jack White (que vendeu 75.700 cópias do elogiado Lazaretto), a banda britânica Arctic Monkeys (com 40.600 cópias, do disco AM) e a dupla The Black Keys , com a marca de 28.300 cópias vendidas do álbum Turn blue. 

O Reino Unido viveu situação semelhante ao país de Barack Obama. Pela primeira vez em 18 anos,  foram comercializados mais de um milhão de discos de vinil. A reviravolta não acontecia desde desde 1996, segundo dados da BPI (em tradução literal, Indústria Fonográfica Britânica). No Brasil, a expectativa é 60% de aumento comparado a 2013, de acordo com a Polysom, maior fábrica de vinis da América Latina. 

Aos mais otimistas, por mais que a venda de vinis possa soar tímida frente à imponente música digital, os bolachões de bandas modernas podem ser uma das saídas para a combalida indústria fonográfica, que tem visto a compra de mídias físicas despencar ano após ano. Dono de uma loja de discos na cidade desde 1990, Alexandre Trovão é um veterano no formato. 

Ainda assim, tenta não se prender à nostalgia na curadoria que faz para seu estabelecimento: “Sempre trabalhamos com produtos novos. Os lançamentos são umas das nossas especialidades. Sempre acompanhamos e procuramos trazer tais discos recentes, como os do Jack White, Arctic Monkeys, Cachorro Grande e o último do Pink Floyd. Os adolescentes estão aprendendo a escutar música em casa, lendo sobre a produção dos discos e admirando a arte da capa. Uma coisa nova para a geração de hoje”, avalia. 

Reduto roqueiro 
Tantos nas paradas americanas quanto nas britânicas, o rock prossegue com a salvaguarda dos bolachões. A banda britânica Arctic Monkeys e o americano Jack White são campeões de vendas junto aos “setentões” do Pink Floyd e do Led Zeppelin. 

Lançado em novembro, The endless river, do Pink Floyd, vendeu seis mil cópias na primeira semana. Mesmo sem a presença de Roger Waters, o grupo hoje encabeçado por David Gilmour conseguiu um feito inédito com o novo projeto: a melhor estreia em vinil em sete dias desde 1997. O disco é considerado um tributo a Richard Wright, um dos fundadores da banda, morto em 2008, e pôs fim a um hiato de 20 anos sem álbum de inéditas do Pink Floyd. 


Música para… ver?
Segundo pesquisa do ICM Group, divulgada no mês passado, 15% das pessoas que compram um álbum físico, seja vinil, CD ou fita cassete, não têm intenção de ouvi-lo. 


Mais vendidos nos EUA 
» Jack White 
Lazaretto — 75.700 cópias
» Arctic Monkeys 
AM — 40.600 cópias
» The Black Keys 
Turn Blue — 28.300 cópias
» Lana Del Rey
Born To Die — 27.200 cópias
» Beck 
Morning Phase — 25.200 cópias

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