Grupo Semente lança o primeiro disco sem a estrela Teresa Cristina

Repertório traz canções antigas, novidades e faixas autorais escolhidas democraticamente pelos cinco integrantes

por Eduardo Tristão Girão 21/12/2014 15:00

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Alfredo Alves/divulgação
Cria da Lapa carioca, o Grupo Semente aposta na simplicidade e busca conciliar o moderno e o tradicional em seu repertório (foto: Alfredo Alves/divulgação)
Formado em 1998 para acompanhar Teresa Cristina, que na época começava sua carreira, o grupo de samba Semente ficou bastante associado à cantora, com quem excursionou e gravou nada menos de cinco discos. A brecha para o quinteto conseguir gravar seu primeiro álbum demorou a surgir. Mesmo assim, foi um processo longo devido a projetos paralelos de cada integrante. Compatibilizadas todas as agendas, só agora vieram à tona as 12 faixas do CD 'Semente'.


“É um disco de grupo, um trabalho coletivo, com todo mundo representado. Tem música autoral, outras que vínhamos tocando e não eram nossas, coisas mais antigas e mais novas. Todo mundo falou e deu opinião, a escolha foi bem democrática. Cada um tem uma cara, um jeito, e isso está bem representado. 'Semente' traz samba antigo, moderno e até baião. Não ficou uma colcha de retalhos. É o retrato do grupo”, define o cavaquinista João Callado.

Ao lado de Mestre Trambique (voz e percussão), Marcos Esguleba (voz e percussão), Bernardo Dantas (violão) e Bruno Barreto (voz e percussão), ele selecionou canções como 'Mestre Marçal' (Trambique, Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro), 'Por todos os santos' (Nelson Rufino e Carlinhos Santana), 'Disritmia' (Martinho da Vila) e 'Alô João' (Baden Powell e Cyro Monteiro). Entre as autorais estão 'Nós e o luar' (Callado) e 'Ideia' (Dantas), essa última a única instrumental.

As participações especiais ficaram por conta dos cantores Diogo Nogueira, Pedrinho Miranda (ex-Semente) e a própria Teresa Cristina. “O grupo foi criado em torno da Teresa, estávamos todos começando. Nossas trajetórias estão misturadas, ela está sempre por perto. É uma referência para todos nós, seja pelo repertório, pelos arranjos ou as escolhas que faz”, explica Callado.

GERAÇÕES Uma das peculiaridades do grupo é a diferença de idade. Mestre Trambique é o mais velho, com 69 anos, e Bruno o mais novo, com 31. Na avaliação de Callado, esse fato, bem como os perfis distintos de cada um, enriquece bastante a sonoridade do Semente. “Trambique e Esguleba vêm de escola de samba. Eu e Bernardo somos mais Zona Sul, estudamos música na escola e somos mais músicos do que sambistas. Já o Bruno transita bem entre todos esses mundos”, diz o cavaquinista.

Callado acredita que, em termos de sonoridade, o quinteto aperfeiçoou a busca pela simplicidade com o passar do tempo. “É preciso servir ao propósito da música. Ou seja, tentar não ficar fazendo mil solos, mil viradas. E procurar a medida entre o samba moderno e tradicional. Particularmente, tenho buscado linguagem mais moderna na harmonia e na melodia. Às vezes, até com um pé no internacional. Estava ouvindo Paul McCartney na época da gravação”, revela.


Tem uai no samba

Entre cariocas e niteroienses, há um mineiro no Semente: Mestre Trambique. Ainda criança, ele se mudou para o Rio de Janeiro. Começou a carreira como ritmista nos anos 1960, foi mestre da escola mirim da Vila Isabel e, em 1980, ganhou o Prêmio Estandarte de Ouro de personalidade masculina. Com parceiros, compôs canções lançadas por Bezerra da Silva (Garoa). Trambique gravou com Chico Buarque, Maria Bethânia, Raphael Rabello, Beth Carvalho e Moraes Moreira.

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