Mostra Cantautores convida o público a escutar o que jovens e veteranos compositores têm para dizer

Guinga e Sergio Santos se juntam a novos talentos da música brasileira

por Eduardo Tristão Girão 07/12/2014 00:13

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Leandro Couri/EM/D.A Press
André Travassos, Jennifer Souza, Sérgio Santos, Laura Catarina, Pablo Castro, Téo Nicácio e Luiz Gabriel Lopes: ao vivo e em cores (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
William Serra trocou Belo Horizonte por Catas Altas, na Região Central do estado, onde segue escrevendo suas músicas e prepara a abertura de um café que terá um piano. Téo Nicácio, que não saiu de BH e toca violão, formou-se em bandas de garagem e como artista de rua. Pamelli Marafon nasceu em Rio Claro (SP), mas radicou-se em Ouro Preto há uma década para estudar piano. Vinikov, baixista da banda mineira Dead Lover’s Twisted Heart, vem tentando equilibrar português e inglês nos rocks que compõe. Laura Catarina, fã das canções do pai, Vander Lee, adora o lado pop de suas criações ao violão.

Essas são apenas algumas das trajetórias artísticas que se cruzarão nos palcos de BH durante a 4ª Mostra Cantautores, que começa amanhã. Serão 14 atrações, entre nomes mineiros e de outros estados, novatos e veteranos. Contando exclusivamente com a própria voz e um instrumento, cada um deles defenderá seu repertório autoral – daí o termo cantautor.

A noite de abertura terá o mineiro Rafael Martini e os cariocas Pedro Carneiro e Guinga – esse último, veterano da MPB. Na sequência, BH assistirá a uma verdadeira maratona de novidades para os ouvidos mais curiosos, sempre na Funarte MG: Pamelli Marafon, Iara Rennó, Laura Catarina, Téo Nicácio, William Serra, Thiago Amud, Vinikov, André Travassos, Tiganá Santana e o português JP Simões, o único estrangeiro da turma. A exemplo da estreia, o encerramento será no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, a cargo de Luiza Brina, Tó Brandileone, Pablo Castro e Sergio Santos.

Alguns deles aproveitarão para mostrar novos trabalhos. É o caso de Guinga, que revelará as composições do recém-lançado Roendopinho. Trata-se de seu 13º disco, por coincidência, o primeiro que gravou sozinho, ou seja, apenas com voz e violão. Todos os 15 temas são de sua autoria, incluindo apenas duas parceiras: Cambono (com Thiago Amud, outra atração da mostra) e Lendas brasileiras (com Aldir Blanc). As canções foram escritas entre a década de 1990 (caso de Cheio de dedos) e este ano, quando surgiu Constance nº 2, por exemplo.

PORTE

“Estamos fazendo um trabalho de formação de público, pois esse hábito não é tão forte no Brasil. Na Argentina, aqui do lado, há outra relação com a música ao vivo, de respeito absoluto. Ela não é vista como música de fundo. Criamos um espaço alternativo para defender o ritual da escuta, você sentar para ouvir o que o artista quer dizer. Coisa boa não falta. Nada contra a música de boteco, mas essa não pode ser a única alternativa. É preciso um espaço de formação, diálogo e encontro”, explica Luís Gabriel Lopes, um dos organizadores da mostra.

Na opinião dele, o público não deve ser subestimado. Nesse sentido, o foco é melhorar as condições de acesso a esse tipo de música. “O problema é o massacre imposto pela lógica de mercado. Em um cenário de convivência harmônica de todos os gêneros, todos os artistas estariam contemplados. É preciso ter consciência do poder e da necessidade do que é de pequeno porte. Uma plateia de 100 pessoas, para a gente, é algo muito forte. Quando criamos o projeto, foi um grito desesperado para cavar espaço com as próprias mãos”, esclarece Luís Gabriel.

CAMINHOS

“Não sou formado em música, tive bandas de rock e agora estou na onda de voz e violão, influenciado por amigos compositores. Trabalho com malabarismo na rua; minha música é a extensão dessa convivência com as pessoas”, resume o belo-horizontino Téo Nicácio, de 28 anos. Residente na capital, ele mantém projeto com outros dois cantautores, intitulado Batucantes. Suas referências vão do Clube da Esquina ao novo som do duo mineiro TiãoDuá. As canções passam por MPB, rock, samba e baião. Ele vai tentar gravar um disco em 2015.

Também planejam os respectivos álbuns de estreia a pianista Pamelli Marafon, de 29, e Vinikov, de 33, que trocará o baixo por piano e violão em seu show. “A harmonia das minhas composições remete um pouco à mineira e, ao mesmo tempo, à da vanguarda paulista, algo mais experimental. Consigo associar o que faço mais a cores e texturas do que à matemática musical”, explica ela. Vinikov define seu trabalho assim: “São love songs com influência de Nick Cave e Tom Waits, nessa linha melancólica e com voz grave”.

No estilo “pronto, mas guardado”, William Serra, de 39, declara ter cinco discos autorais finalizados na gaveta. “São 20 anos de música. Farei um apanhado das minhas composições para esse show. Sou da geração que tem estúdio em casa e gravou muito nesse ambiente. Passei por samba, rock, vários estilos diferentes. Foram muitas noites tocando MPB na boemia. Cresci no Bairro Santa Tereza”, conta.

Entre as surpresas da mostra, está Laura Catarina, de apenas 19 anos, filha do cantor e compositor mineiro Vander Lee. “Gosto do lado pop do que faço. As músicas ficam na cabeça”, diz ela.

4ª MOSTRA CANTAUTORES

AMANHÃ
» Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, Av. Afonso Pena, 4.001, Mangabeiras
18h – Abertura: Rafael Martini (MG). Aula-show de Zé Miguel Wisnik (SP)
20h30 – Abertura: Pedro Carneiro (RJ). Lançamento do CD Roendopinho, de Guinga (RJ)

TERÇA-FEIRA
» Funarte MG, Rua Januária, 68, Floresta
20h30 – Pamelli Marafon (MG) e Iara Rennó (SP)

QUARTA-FEIRA
» Funarte MG
20h30 – Laura Catarina (MG) e Téo Nicácio (MG)

QUINTA-FEIRA
» Funarte MG
20h30 – William Serra (MG) e Thiago Amud (RJ)

SEXTA-FEIRA
» Casa Una de Cultura, Rua Aimorés, 1.451, Lourdes
15h – Encontro com Sergio Santos (MG). Entrada franca
» Funarte MG
20h30 – Vinikov (MG) e André Travassos (MG)

SÁBADO
» Teatro Espanca!, Rua Aarão Reis, 542, Centro
14h – Encontro com Thiago Amud (RJ). Entrada franca
16h30 – Debate: “Artistas, público, imprensa: onde está o gargalo?”. Entrada franca
» Funarte MG
20h – Tiganá Santana (BA)
21h30 – JP Simões (POR)

DOMINGO
» Teatro Oi Futuro Klauss Vianna
17h – Abertura: Luiza Brina (MG). Tó Brandileone (SP)
19h – Abertura: Pablo Castro (MG). Sergio Santos (MG)

Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada), à venda nas bilheterias e nos sites www.ingressorapido.com (para shows no Oi Futuro) e www.sympla.com.br/mostracantautores (Funarte MG).
Informações: www.mostracantautores.com.br, (31) 3229-2979 e (31) 3213-3084.

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