Criolo arrasa no BH Sarará, no Parque das Mangabeiras, e lança novo álbum

Rapper se apresenta na capital mineira depois de ter sido muito aplaudido no Rio e em São Paulo. Novo trabalho mistura rap, MPB, baião, rock, reggae e samba

por Ângela Faria 23/11/2014 15:03

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Jorge Karam/Divulgação
Criolo faz show no Parque das Mangabeiras e lança terceiro disco solo (foto: Jorge Karam/Divulgação )
Depois de ser ovacionado em São Paulo e no Rio de Janeiro durante os shows de lançamento de seu terceiro disco solo, 'Convoque seu Buda' (Oloko Records), Criolo cantou para plateia empolgada na festa BH Sarará, no Parque das Mangabeiras. Sábado à noite (22/11), os jovens fãs sabiam de cor algumas músicas do novo CD, lançado no dia 3 e disponibilizado gratuitamente no site do artista. O bordão 'Lázaro me ajude a entender!', de 'Cartão de visita', o refrão 'É o céu da boca do inferno esperando você', de 'Esquiva da esgrima', e a 'palavra de ordem' convoque seu Buda, da canção homônima, já caíram na boca da moçada.
Em pouco mais de uma hora, o rapper e sua banda competente – com o animadíssimo DJ Dan Dan, Marcelo Cabral e Ganjaman, entre outros – apresentaram as novidades de 'Convoque seu Buda', que mescla rap, MPB, baião, rock, reggae e samba, cujas letras politizadas falam do Brasil contemporâneo. Jornadas de junho de 2013, ocupações urbanas, cracolândia, o coletivo Fora do Eixo, a metrópole paralisada pela greve, Instagram e a obsessão consumista por roupas Armani e sapatos Louboutin fazem parte das rimas contundentes e poéticas de Criolo. No palco do Parque das Mangabeiras estava alguém que realmente representa aquela moçada.

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O repertório do show trouxe também canções mais antigas do compositor, sobretudo do disco 'Nó na orelha' (2011), como 'Grajauex' e o hit 'Não existe amor em SP', que inspirou até cartazes nos protestos de 2013. Criolo chegou a BH depois de empolgar, na madrugada de sábado, a carioca Fundição Progresso. Sobrou gás -- e muito -- para fazer barulho no Parque das Mangabeiras. O som estava ótimo, a plateia alegre e bonita: gente de todas as tribos foi até lá ver o rapper: patricinhas, rastas, o pessoal do hip-hop, a garotada indie. Todo mundou cantou com ele 'eu tenho orgulho da minha cor/ do meu cabelo/ e do meu nariz/ sou assim e sou feliz/ índio, caboclo, cafuso, criolo/ sou brasileiro' -- refrão mais que oportuno neste momento pós-eleições em que teve gente defendendo até a "expulsão" dos nordestinos do Brasil.

 

BRASIL DE HOJE

 

Os universitários Rafael Sedov, de 25 anos, e Gabriela Rúbia Vieira, de 24, vieram de São João del-Rei só para assistir ao show. Para Gabriela, Criolo traduz como poucos o Brasil de hoje. Sedov diz que as canções do paulistano denunciam e também trazem a esperança de transformação. Ao encerrar sua apresentação, o cantor e compositor saudou a juventude e foi acompanhado pela multidão ao bradar: 'Convoque seu Buda!'.
Colado na grade, Jorge Lisboa, de 15, estudante do Colégio Santo Antônio, vibrava com o segundo show de sua vida -- o primeiro foi 'Abraçaço', de Caetano Veloso. Ele já chegou ao Parque das Mangabeiras com as rimas de 'Duas de cinco' e 'Convoque seu Buda' decoradas. Voltou para casa feliz com o CD de Criolo na mão, vendido a R$ 10 na barraquinha do músico, preço compatível com a mesada.
Meninos como Jorginho e jovens como o casal são-joanense não deixaram de mandar o seu recado para o rapper, cantor e compositor, que chegou a pensar em não gravar esse terceiro disco e até em desistir da música. Agora, não tem volta: vai ser difícil Criolo descer do palanque -- ops, do palco... Afinal de contas, rap é compromisso, como bem avisou o saudoso Sabotage.



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