Bahia universal: canções praieiras, samba de roda, musas e família

Série de shows deixa evidente caráter contemporâneo da obra de Caymmi

por Ailton Magioli 22/11/2014 00:13

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Daryan Dornelles/divulgação
Alice Caymmi vai interpretar o "repertório doméstico" (foto: Daryan Dornelles/divulgação)
BH verá um espetáculo especial em 14 de dezembro. Danilo e Alice, filho e neta de Dorival Caymmi, vão mostrar canções caras ao patriarca. Acalanto remete a momentos de intimidade familar: Dorival compôs a música que batiza o show para a primogênita Nana, ainda criança. Nos anos 1960, os dois a gravaram em estúdio. Foi o primeiro dueto de Nana e Dorival.

Carlos Pontual (violões e direção musical), Davi Mello (violão), Alex Rocha (baixo) e João Bani (percussão) formam a banda de acompanhamento das duplas que se apresentarão na série Caymmi, quando se canta todo mundo bole. Maestro e arranjador, Pontual destaca a vastidão da obra do baiano – não pela quantidade, mas pela abrangência de estilos e de emoções que desperta. “Meu papel como diretor artístico foi transformar isso em unidade sonora coerente. A formação que escolhi – violão, baixo, percussão e trombone – possibilita a conversa do passado com o futuro”, explica. “As duplas de cantores trazem personalidades próprias que também me apontam direções, mas puxei um pouco mais para o samba de roda do Recôncavo Baiano”, anuncia.

Pontual ressalta que, além da óbvia presença rítmica, a obra de Caymmi tem melodias bem construídas. “Ao mesmo tempo sofisticadas e simples, elas compõem com o texto uma unidade indissociável, como toda boa canção”, conclui o maestro.

O show de Teresa Cristina e João Cavalcanti, neste fim de semana, traz mais sambas exaltando a beleza feminina, enquanto Jussara Silveira e Moreno Veloso cantam a Bahia ancestral, o samba de roda e os adereços da baiana do acarajé. Já Camila Costa e Bem Gil mostrarão o mar dialogando com a cidade, enquanto Alice e Danilo Caymmi representam o DNA familiar.

Teresa Cristina canta Caymmi desde o início de sua carreira, na Lapa carioca. Ela se sente representada nas mulheres da obra do baiano. “Ele inaugurou um lugar de reverência e de crônica na MPB”, afirma.

Jussara Silveira considera Dorival a essência da música popular brasileira. “Ele é a expressão da nossa existência. Como já está tudo perfeito nas canções do mestre, basta cantá-las assim como ele as fez, como a gente as escutou”, diz. Por sua vez, Camila Costa diz se sentir atraída melódica, harmônica e poeticamente pela obra de Caymmi.

CAYMMI, QUANDO SE  CANTA TODO MUNDO BOLE
Sábados e domingos, às 19h. Centro Cultural Banco do Brasil, Praçada Liberdade, 450, Funcionários. Ingressos: R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Informações: (31) 3431-9400.


Três perguntas para...

Stella Caymmi
Biógrafa e neta de Dorival Caymmi

As mulheres, a Bahia, o mar e as canções da intimidade familiar são temas em destaque do projeto que chega a BH. Qual deles é o mais importante?
Depende do critério de importância usado para essa avaliação. Em termos de variedade de gêneros, por exemplo, as canções praieiras são as mais representativas, pois foram compostas nos formatos samba, samba-canção e toada. Já a Bahia aparece na música de meu avô, que era uma espécie de antropólogo instintivo, em seus aspectos arquitetônico, religioso e culinário, entre outros, em canções normalmente descritivas, enquanto as outras são narrativas. Enquanto isso, Rosa, Marina, Dora e Juliana expõem a noção do feminino dele. A obra de Caymmi é muito enxuta e preciosa.

Há algum tema desse universo ignorado pelo público?
As canções inspiradas no folclore, tirando Acalanto, uma cantiga de ninar muito conhecida. Ele fez Santa Clara clareou, Roda pião, Dona Chica, inspirada em Atirei o pau no gato, e Francisca Santos das Flores, o fado que os filhos gravaram recentemente no CD Nana, Dori e Danilo – Caymmi.

Como a família recebe as homenagens ao centenário de Dorival?
Ainda tem muito por vir. O Troféu Caymmi está de volta a Salvador, com final agendada para abril. Há colégios do Brasil inteiro interessados na obra de Caymmi. Eles trabalham as canções tanto em termos de história quanto de geografia, passando pelos costumes. A família recebe tudo isso com muita alegria.


PROGRAMAÇÃO

» HOJE E AMANHÃ
Requebre que eu dou
um doce. Com Teresa Cristina e João Cavalcanti. As mulheres na obra de Caymmi.

» DIAS 29 E 30
Acontece que eu sou baiano. Com Jussara Silveira e Moreno Veloso. Canções sobre a Bahia, suas tradições e encantos.

» 6 E 7 DEZEMBRO

Quem vem pra beira do mar. Com Camila Costa e Bem Gil. Canções praieiras

» 13 E 14 DEZEMBRO

 Acalanto, com Alice Caymmi e Danilo Caymmi. Pai e filha interpretam canções da intimidade familiar.

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