Elba Ramalho faz homenagem a Gonzagão em show na capital

Espetáculo retoma a veia teatral da cantora paraibana

por Ailton Magioli 21/11/2014 08:36

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João Vicente/Cria S/A
(foto: João Vicente/Cria S/A)
Do sertão ao litoral, a trajetória de Elba Ramalho, que trocou Conceição, na Paraíba, pelo Rio, se equipara à do mestre Luiz Gonzaga (1912-1989), que deixou Exu para se consagrar como o Rei do Baião na Cidade Maravilhosa. Comemorando 35 anos de carreira fonográfica, a cantora homenageia Gonzagão no espetáculo 'Cordas, Gonzaga e afins', que Belo Horizonte assiste em apresentação única, hoje à noite, no Sesc Palladium. O apoio cultural é do jornal Estado de Minas.


O grupo Sagrama, o quarteto de cordas Encore e o sanfoneiro Marcelo Caldi se juntam à cantora na performance encenada em dois atos, que alterna músicas de Gonzagão com as de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Lenine, Chico Buarque, José Miguel Wisnik, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Marcelo Jeneci, entre outros. Os textos são de Newton Moreno e João Cabral de Melo Neto. Cantora e atriz, Elba retoma a veia teatral em espetáculo que vai do drama à comédia, com direito à riqueza melódica que só a música nordestina poderia oferecer. A direção é de André Brasileiro.

“É um desafio fazer um espetáculo deste, com roteiro e figurino. Com início, meio e fim”, avalia a cantora, que interpreta 32 canções. Elba, que em 2002 dedicou disco ao repertório de Luiz Gonzaga ('Elba canta Luiz'), lembra que o novo show é produto do convite feito a ela pela jornalista e produtora cultural Margot Rodrigues.

A proposta é criar uma roupagem armorial para repertório que privilegia pérolas de Gonzagão como 'Algodão', 'Assim preto', 'Braia dengosa', 'Sabiá' e 'Quem nem jiló', além de pérolas de seus discípulos, como 'Domingo no parque', de Gilberto Gil, e 'O ciúme', de Caetano Veloso. Única canção inédita do roteiro, 'Gravitacional' foi especialmente composta por Marcelo Jeneci para o espetáculo, que também promove leitura erudita da música popular. “O resultado é lindo, fabuloso”, empolga-se Elba Ramalho, elogiando o “roteiro enxuto e preciso”.

“Um ponto de luz” e “caboclo forte” são alguns dos substantivos usados pela cantora para definir o mestre, com quem ela conviveu. “Lôra, o futuro da música nordestina tá nas suas mãos”, costumava dizer Luiz Gonzaga a Elba Ramalho, segundo relato da cantora. “Acho que ele viu que, a exemplo dele, resisti à seca e cheguei com bagagem, talento e vontade de vencer”, afirma Elba, literalmente arrebatada pelo espetáculo com o qual homenageia o mestre.

Em cartaz com 'Cordas, Gonzaga e afins' desde agosto, Elba gravou o espetáculo ao vivo, no Recife, para lançamento nos formatos em CD e DVD. Paralelamente, a cantora gravou disco de inéditas ('Meu olhar pra fora'), com produção do filho Luã Mattar e de Yuri Queiroga. “Este está sendo um ano de grandes desafios”, garante ela, que classifica o projeto de inéditas de algo de “sonoridade nova, moderna e, ao mesmo tempo, tão Elba”. “A maturidade me dá conforto para fazer algo como 'Cordas, Gonzaga e afins'”, garante ela sobre a homenagem que classifica de “surpreendentemente bela”.


'CORDAS, GONZAGA E AFINS'
Sexta, às 21h. Grande Teatro do Sesc Palladium, Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro. Plateias 1 e 2: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada); plateia 3: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia). Associados do Sesc têm descontos especiais. Informações: (31) 3270-8100.

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