Xande de Pilares lança primeiro CD da carreira solo

Cantor conversa com o Estado de Minas sobre o passado da carreira e o atual momento

por Ailton Magioli 11/11/2014 09:25

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Guto Costa/Divulgação
Além de lançar 'Perseverança', Xande de Pilares está na TV, em 'Esquenta', e no cinema, em 'Made in China' (foto: Guto Costa/Divulgação)
É ao som de Tem amor nesse tempero, de sua autoria e parceiros, que Xande de Pilares conversa com o Estado de Minas: “Prepara a mesa, bota fé no coração/ Numa só voz vai meu samba em louvação/ É o meu Salgueiro com gosto de quero mais/ Oh, Minas Gerais!”, canta ao telefone. Vencedor, pela segunda vez, do concurso de samba-enredo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, o cantor, compositor e cavaquinista está lançando 'Perseverança' (Universal Music), primeiro disco solo de carreira depois de mais de duas décadas de Grupo Revelação.

“Desde quando comecei, sabia que tinha de ir para a rua, correr atrás do sonho”, conta Xande, lembrando que o começo foi puxado, diante da ausência de condições para bancar a banda que ele ajudaria a consagrar. “A gente tirava leite de pedra”, reconhece. “De tanto perseverar, a situação virou a nosso favor”, afirma o cantor, que, antes de chegar ao mundo do samba (do qual privilegia o romantismo e o partido- alto), cultivou ídolos da Jovem Guarda como Roberto Carlos, Renato e seus Blue Caps, Paulo Sérgio e Wanderléa, entre outros.

Depois é que chegaram à vida de Xande sambistas como Elza Soares, Clara Nunes, Nelson Sargento, Candeira. “A improvisação” (tão cara ao partido-alto) veio da folia de reis, na qual ele temia o palhaço, medo que foi perdendo. E conta que o improviso em versos aprendeu com o compositor Beto Sem Braço.

De carregador de compras em porta de supermercados a faxineiro, passando por fábricas, nas quais trabalhou como metalúrgico, Xande fez muita coisa antes de passar pela Escola Villa-Lobos e estrear no Grupo Revelação. Chegou a fazer faxina no Maracanã, mas não aguentou o rojão depois de uma partida entre Brasil e Chile. Ao trabalhar na UniRio, acabou se aproximando do mundo artístico.

O artista vive atualmente um dos períodos de maior exposição. Além de se lançar na carreira solo, está no programa Esquenta, da TV Globo, ao lado de Regina Casé, com quem fez o filme Made in China, de Estevão Ciavatta, em cartaz nos cinemas. “É a parte que mais gosto. Sou um cara muito resolvido em relação a isso”, diz Xande.

A participação no filme de Ciavatta, a princípio, provocou “frio na barriga”. A confiança depositada no personagem, no entanto, teria sido suficiente para ele encarar o medo de atuar. No disco Perseverança, além do romantismo característico na carreira, o cantor apresenta repertório bem dançante. “A intenção foi essa mesmo”, garante Xande, que, antes da estreia solo, criou o projeto Canta Pilares, por meio do qual teve a oportunidade de cantar muitos de seus ídolos, além de se valer da criação autoral.

O samba romântico (Sintoma de amor, A senha e Manda a polícia me prender, de sua autoria, além de Se eu fosse você, de Arlindo Cruz, Acyr Marques e Aluísio Machado) e o partido-alto (Pagode formado e Orgulho negro, entre outros) dão o tom do trabalho de estreia do cantor, cujo show de lançamento do CD será em fevereiro, em São Paulo. Fã de Clara Nunes e de Vander Lee, ele também acabou se tornando parceiro do Jota Quest em É de coração, do repertório do mais recente disco da banda mineira.

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