Sérgio Mendes reúne convidados especiais do Brasil e do exterior em 'Magic'

Adepto da colaboração criativa, artista é apaixonado pelas variações musicais de cada lugar

por Eduardo Tristão Girão 11/11/2014 08:39

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Andrew Southam/Divulgação
Radicado nos EUA, Sérgio Mendes não faz música pensando nesse ou naquele país, mas gosta de fazer sucesso no Brasil (foto: Andrew Southam/Divulgação)
Radicado há cerca de quatro décadas nos Estados Unidos, o pianista e compositor fluminense Sérgio Mendes não pensa em voltar para o Brasil. Além de achar que a internet encurtou as distâncias, o artista mantém o hábito de visitar o país duas vezes por ano. Nessas ocasiões, ele aproveita não só para rever família e amigos, mas também continuar realizando os encontros musicais que tanto o estimulam e que serviram de mote para seu novo disco, 'Magic'.

Os convidados que marcaram presença nesse novo trabalho vão de will.i.am a Maria Gadu, passando por Carlinhos Brown, Milton Nascimento, Seu Jorge e Ana Carolina. No repertório estão composições de Mendes, como 'Hidden waters' e 'Don’t say goodbye' (com letra de Legend), além de outras que escolheu de autoria de Toninho Horta ('When I fell in love', com Brenda Russell e Tatá Spalla), Guinga ('Atlantica', com Thiago Amud) e o próprio Milton ('Olha a rua', com Ricardo Vogt).

O princípio da “colaboração criativa”, diz Mendes, foi o que norteou o trabalho. “Fiz muitas músicas, algumas com esses convidados. A ideia é ter encontros mágicos. Desde o início da minha carreira foi assim, com Tom Jobim, Moacir Santos, Cannonball Adderley, Frank Sinatra. Foram encontros mágicos. Queria reunir essa diversidade. Comecei na Bahia, com o Carlinhos, e, antes do Rio, passei por Minas também, onde fiquei encantado com o Tizumba. Ouvem-se diferentes brasis, diferentes perfumes”, diz.

Sobre a escolha de dois nomes fundamentais da música mineira, o pianista aproveita para elogiar a tradição de composição do estado e identificar afinidade crucial com ela: “Minas é todo um universo musical, melódico e harmônico. Toninho e Milton não são apenas harmonia, as melodias deles são muito fortes e estou sempre em busca de melodias diferentes, que possam comover as pessoas. Sou da melodia. O perfume da música mineira é totalmente diferente daquele do Rio e da Bahia, por exemplo”.

Temperos Gravado no Brasil e nos Estados Unidos, o disco começa e termina com a participação de Carlinhos Brown. Primeiro na percussiva 'Simbora', pensada para dançar, depois em One nation, homenagem ao futebol. A mulher de Mendes, a cantora Gracinha Leporace (que sempre o acompanha nos shows), divide o microfone ao longo do álbum com Maria Gadu ('Meu Rio'), Ana Carolina ('Atlantica'), Seu Jorge ('Sou eu') e Milton Nascimento ('Olha a rua').

John Legend e will.i.am são os nomes internacionais que mais chamam a atenção no disco, com participações nas faixas 'My My my my Love' e 'Don’t’ say goodbye', respectivamente. Mendes conta que, no caso da parceria com Legend, foi Gracinha quem sugeriu ao marido que enviasse a música a ele. “Ele ouviu, quis fazer a letra na hora, no estúdio mesmo. Terminou em uma hora e meia e já foi gravar. Acho ele um novo Nat King Cole”, elogia.

Mendes garante não fazer música pensando nesse ou naquele país, mas confessa ficar especialmente satisfeito quando as coisas vão bem no Brasil. “Espero que vários países se interessem pelo que faço. Fico muito feliz quando fico sabendo que usarão músicas minhas em novelas, por exemplo. Desse novo duas entrarão em novelas. Esse apoio é muito importante para mim”, revela.

Galera O artista, de 73 anos, conta que não para de viajar e que seu próximo compromisso é uma turnê por países do Sudeste asiático. “Estou cada vez mais entusiasmado para trabalhar, compor e viajar”, garante. Outro estímulo importante, continua, é perceber em suas plateias não apenas gente que o conheceu no início da bossa nova (com seu grupo Brasil 66). “Os filhos dessa turma também aparecem. É muito curioso, muito engraçado. A galera nova dança 'Mas que nada', gravada pelo Black Eyed Peas”, termina.

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