Dori Caymmi comemora 70 anos com show no Teatro Bradesco

Repertório da apresentação privilegia sua parceria com o poeta e letrista Paulo César Pinheiro

por Ailton Magioli 07/11/2014 07:30

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Janine Moraes/Esp.CB/D.A Press
(foto: Janine Moraes/Esp.CB/D.A Press)
Ao constatar, via Nelson Rodrigues, que a memória do brasileiro “não chega ao sétimo dia”, Dori Caymmi, que mora em Los Angeles (EUA), decidiu dedicar mais tempo ao Brasil, onde, além de participar das festividades do centenário de seu pai, Dorival Caymmi (1914-2008), vai comemorar a nova idade.


Atração desta sexta-feira no Teatro Bradesco, o cantor, compositor e violonista lança o CD 'Dori Caymmi – Setenta anos', em que privilegia sua parceria com o poeta e letrista Paulo César Pinheiro. “Com a morte de papai e mamãe, uso as letras de Paulo César para me inspirar a compor. Ele virou a minha muleta”, diz Dori.

A primeira parceria da dupla foi 'Evangelho', em 1969. De lá para cá, os dois fizeram mais de 70 canções, entre elas Desenredo, clássico da MPB. “A minha paixão por Minas Gerais vem daí”, diz ele a respeito dessa música, citando passagens de sua infância em Pequeri, na Zona da Mata, além dos dois anos em que estudou em Cataguases.

Indicado ao Grammy Latino de melhor canção com 'Alguma voz', gravada por ele e por Maria Bethânia, Dori costuma recorrer à literatura para reforçar a admiração por Paulo César. “Fico ‘suassuna’ da vida quando falam alguma coisa dele”, diz, referindo-se ao autor pernambucano Ariano Suassuna.

No show desta noite, além de parcerias com Paulo César ('Beira-rio, beira-estrada, beira-mar', 'Pesca de rede', 'Toada de carro de boi' e 'Alguma voz'), Dori promete homenagear os mestres Ary Barroso, Noel Rosa, Tom Jobim e Lupicínio Rodrigues. “Faço isso botando harmonias novas e me divertindo, colorindo tudo”, explica, referindo-se a clássicos como Nunca e Último desejo, de Lupicínio e Noel, respectivamente.

DORI CAYMMI
Nesta sexta-feira, às 21h. Teatro Bradesco, Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada). Informações: (31) 3516-1360.

Amor pelo Brasil
Sergio Santos
Cantor e compositor

Para entender como é única a música de Dori, antes veja nela o amor profundo pelo Brasil diverso, o mesmo Brasil de Drummond, de Guimarães, de Jorge Amado, o Brasil de Villa, de Jobim, o Brasil de seu pai. Depois, ouça a trama de seu violão em 'Desenredo'. Observe em seu arranjo para a obra-prima paterna, Sargaço mar, o sublime que há naquelas cordas. Perceba o caminho que tomam harmonia e melodia em sua composição Velho do mar, um achado. Note a sutileza de sua voz na interpretação de 'Linda flor'. Descubra então que Dori é um mestre nas quatro possibilidades que a música nos dá, como instrumentista, arranjador, compositor e intérprete. Manter essa maestria aos 70 anos é algo a ser comemorado por todos que amam a música e amam o Brasil! Pois façamos isso. Comemoremos com ele!.

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