Rômulo Fróes aposta na reinvenção da música brasileira em 'Barulho feio'

Talentos dos grupos Metá Metá e Passo Torto são parceiros nessa tarefa

por Eduardo Tristão Girão 05/11/2014 09:28

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Fernando Eduardo/divulgação
Rômulo Fróes, um dos nomes mais importantes da cena musical de São Paulo, busca novos paradigmas para a MPB (foto: Fernando Eduardo/divulgação)
O novo disco do cantor e compositor paulistano Rômulo Fróes chama-se 'Barulho feio'. A capa é uma releitura em preto e branco da polêmica instalação 'Bandeira branca', do artista plástico Nuno Ramos, que ficou conhecida ao pôr urubus voando, confinados, na 29ª Bienal de São Paulo, em 2010. Na versão física, o CD é completamente preto, sem uma letra ou ilustração qualquer. É assim que o músico prova manter-se na função que mais lhe agrada: a de desconstrutor/reconstrutor da canção brasileira.

Fróes conta que o título surgiu antes mesmo de o disco ser gravado. A canção que batiza o CD nasceu justamente das discussões em torno de 'Bandeira branca'. “Na época, era assistente do Nuno. Ainda que tivéssemos tomado todos os cuidados para a presença dos animais na Bienal e estivéssemos amparados por uma licença do Ibama, por conta da comoção um tanto desorientada do público eles foram retirados da instalação antes do término da mostra, mutilando o trabalho tal qual foi concebido”, lembra.

O quinto disco de Rômulo nasce da tentativa de compreensão do episódio: “Vivemos certa falta de comunicação, mesmo com o excesso de informação que temos, ou por isso mesmo”. Produzido por ele e Carlos “Cacá” Lima, o álbum traz 15 canções, a maioria delas escrita por Rômulo. Seus parceiros são Alice Coutinho, Clima (Eduardo Climachauska), Rodrigo Campos, Guilherme Held e o próprio Nuno Ramos, com quem divide a autoria de cinco faixas.

“Trabalhei como assistente do Nuno durante 16 anos, vem daí a amizade e a parceria com ele. Reputo parte fundamental de meu trabalho à parceria não só com o Nuno, mas com o Clima. Desde o meu primeiro disco solo, há 10 anos, mesmo com os vários parceiros, o núcleo formado por nós três é o que de mais profundo resiste em minha obra”, conta Fróes.

Há participação de músicos de ponta no disco, boa parte vinda dos grupos paulistanos Metá Metá e Passo Torto (do qual Fróes faz parte), conhecidos por fazer um som fora do comum. “A partir de um determinado momento, Kiko Dinucci, Marcelo Cabral, Rodrigo Campos, Thiago França e Juçara Marçal se tornaram parte fundamental da minha carreira. Pude levar meu trabalho a um aprofundamento que só seria possível com a energia e o talento de cada um deles e com o nosso interesse pela experimentação, desconstrução e renovação na música brasileira”, observa.

Caminhos Musicalmente, o disco tem como base o violão de Fróes e o baixo (ora acústico, ora elétrico) de Marcelo Cabral. O saxofone de Thiago França e a guitarra de Guilherme Held complementam a sonoridade sem ficar, necessariamente, presos à função de acompanhamento. Poesia, ruídos, contribuições musicais fora do habitual e ecos de samba aqui e ali evidenciam que quem sabe procurar acaba encontrando caminhos alternativos para manter viva (e atraente) a canção.

“Antes de mais nada, sou compositor. A maneira que encontrei para exercer o meu ofício sem me repetir e sem perder meu interesse por ele foi enveredar pela experimentação, pela reinvenção, pela desconstrução da própria canção. Tento, a meu modo, construir um novo olhar sobre a história da canção popular brasileira. Conseguindo ou não, é essa vontade que me move”, conclui Rômulo Fróes.

NOVOS PROJETOS

Apesar de estar focado nos shows de lançamento de 'Barulho feio', Rômulo Fróes não descuidou de outros projetos. Está envolvido com a produção dos discos de dois parceiros: o terceiro solo de Rodrigo Campos e o primeiro de Clima, ambos previstos para 2015. Além disso, ele promete o álbum do Passo Torto em parceria com a cantora Ná Ozzetti. Pelo Selo Sesc, vai sair disco dedicado inteiramente à obra de Nelson Cavaquinho, de quem Fróes é fã.

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