Primeiro DVD do Ilê Aiyê, 'Bonito de se ver' celebra os 40 anos do bloco afro

Gravado ao vivo em Salvador, registro reafirma ligação do grupo com a cultura africana

por Eduardo Tristão Girão 02/11/2014 11:00

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Acervo/Ilê Aiyê
O bloco afro Ilê Aiyê comemora seus 40 anos de dedicação à cultura negra (foto: Acervo/Ilê Aiyê)
No ano em que o Ilê Aiyê, o mais antigo bloco afro do carnaval baiano, completa quatro décadas, é mais do que bem-vindo o lançamento de seu primeiro registro audiovisual, o DVD 'Bonito de se ver'. Gravado ao vivo em Salvador, o trabalho reafirma a vocação do grupo, que tradicionalmente homenageia países africanos, além de movimentos, personalidades e regiões brasileiras que contribuem para a afirmação da identidade negra no país.

“O saldo desses 40 anos é positivo. Conseguimos mudar a musicalidade do carnaval da Bahia e as cores também. O nosso grande ganho foi resgatar o orgulho de ser negro. Ainda não podemos nos sentir contemplados, mas a coisa melhorou muito”, resume Antônio Carlos dos Santos, o Vovô do Ilê, um dos fundadores e presidente do bloco.

O local escolhido para a gravação foi o Teatro Castro Alves. O Ilê Aiyê interpretou 18 composições significativas de sua carreira extraídas, sobretudo, de repertórios dos anos 1970 e 1980. Entre elas estão 'Comando doce', 'Ilê de Guiné', 'Negro de luz', 'Deusa do ébano' e 'Negrume da noite'. Nos extras – 'Um canto de afoxé para o bloco de Ilê' e 'Adeus bye bye' – participa o cantor baiano Saulo Fernandes.

O artista, aliás, não foi o único convidado do DVD. Também estão lá Daniela Mercury, Margareth Menezes, Carlinhos Brown, Beto Jamaica e Barabadá. “Daniela participava muito de nossos ensaios e hoje é a cantora que melhor se identifica com a percussão, não precisa nem ensaiar. Carlinhos é parceiro de todos os dias. Beto é cria nossa, não tem igual”, comenta o presidente do Ilê Aiyê.

PRODUÇÃO
Para a direção musical foi convocado o músico e produtor norte-americano Arto Lindsay, com quem o bloco baiano trabalhou anteriormente. Entre as parcerias deles está o disco 'Canto negro IV', lançado em 1998. Já a direção de imagem coube ao fotógrafo Pico Garcez, que, além de clipes, curtas e peças publicitárias, assinou trabalhos dos baianos Claudia Leitte, Durval Lelys e Margareth Menezes.

“Além de já ter dirigido um disco nosso, o Arto trabalha com os nossos músicos no carnaval. Ele deu contribuição muito importante para esse DVD. Os arranjos criados com nossos regentes e a facilidade para lidar com a percussão são algumas de suas marcas. As interferências sutis dele permitiram um resultado grandioso”, elogia Vovô do Ilê.

O novo trabalho será ferramenta importante para abrir novos horizontes para o grupo, acredita o presidente do bloco. No momento, o Ilê Aiyê tenta obter recursos para comprar passagens até a África do Sul, onde conseguiu agendar apresentação em dezembro. Já há convite para outro show no exterior, que será realizado na Alemanha, em maio.

Novos produtos
Vovô do Ilê anuncia para breve o lançamento de CD com 14 faixas incluídas no DVD, que sairá pela Universal, diferentemente do disco, financiado pelo programa Natura Musical. Está programada também uma caixa de cinco CDs, um para cada década de atuação do bloco e o quinto em homenagem às mulheres. O Ilê Aiyê recentemente ganhou estúdio próprio e já começa a ensaiar para o carnaval. “Falaremos sobre a diáspora africana, Jamaica e uma pincelada de Caribe”, adianta Vovô.

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