Alaíde Costa se arrisca em primeiro álbum autoral

Artista teve sua formação musical com a ajuda de mestres como Moacir Santos, Tom Jobim e Johnny Alf

por Kiko Ferreira 31/10/2014 09:31

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Paola Prado/divulgação
Aos 78 anos, a cantora Alaíde Costa se revela compositora talentosa em seu álbum autoral (foto: Paola Prado/divulgação)
Quem tem bom ouvido não se cansa de acompanhar os mais velhos. Ao longo de 60 anos de carreira, a cantora Alaíde Costa aprendeu piano com Moacir Santos, dicas de harmonia com Tom Jobim, composição com Johnny Alf e poesia com o amigo Hermínio Bello de Carvalho. Desde o início, a porção compositora, que começou aos 17 anos, sempre aparecia nos discos e shows da artista. Mas só agora, um ano e meio antes de completar 80, Alaíde se arrisca a gravar um álbum só com faixas próprias. Lição que muitas – muitas mesmo – cantoras da nova geração deveriam levar para casa.

Pensado a partir de um show do final dos anos 1990, reafinado e refinado em 2012, o CD traz 14 canções de diversas épocas distribuídas em 13 faixas, pois 'Ternura' (parceria com Geraldo Julião) e 'Cadarços' (com Hermínio Bello) se juntam no medley com participação do pianista Gilson Peranzzetta. A intérprete definitiva de 'O que é amar e Catavento' se mostra autora de melodias inspiradas, traduzidas por parceiros em letras muitas vezes melancólicas, de amores perdidos e desencontrados. É o que sugerem 'Afinal' (“como explicar minha vida sem você/como aceitar que o nosso amor não pode ser?”) e 'Saída' (“eu quis te dar o meu carinho/amor, ternura, amor, enfim/porém nada disso quisestes/fiquei numa angústia sem fim”).

A cantora e poeta ganhou versos inspirados de Tom Jobim ('Você é amor'), Geraldo Vandré ('Canção do breve amor'), Vinicius de Moraes ('Amigo amado', 'Tudo o que é meu') e Johnny Alf ('Meu sonho'). E fica muito à vontade para desfilar sua voz de cristal sobre a cama confortável formada pelos músicos com quem vem trabalhando há décadas: o pianista Giba Estebez, o flautista Vitor Alcântara e os violonistas Conrado Paulino e Fernando Corrêa. Alaíde ainda ousa ao cantar o amor inter-racial de 'Banzo' em dueto com a calorosa Adyel Silva, aqui contida e respeitosa com a mestra.

Cantora refinada e dona de voz de uma fragilidade segura de louça chinesa, Alaíde Costa não concede ao ouvinte falsas facilidades. Oferece obras que merecem audições sucessivas e que ganham corpo e sabor a cada gole, como o vinho de guarda, aberto em ocasiões especiais.

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