Lenine e João Cavalcanti se encontram no fim de semana em BH

Pernambucano se apresenta com a Orquestra Sinfônica de Minas e seu primogênito lança CD do grupo Casuarina

por Ana Clara Brant 31/10/2014 08:24

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LENINE/ARTE SOBRE FOTO DE ANE HINDS/DIVULGAÇÃO
''Tem artista que carrega a herança dos pais e até assume os fãs deles. Não acho isso errado, mas preferi outro caminho'' João Cavalcanti (d), cantor (foto: LENINE/ARTE SOBRE FOTO DE ANE HINDS/DIVULGAÇÃO)
O filho se apresenta hoje; já o pai, no domingo. Enquanto João Cavalcanti e seu grupo Casuarina fazem, a partir das 21h, show de lançamento nacional no Teatro Bradesco de seu mais novo disco, 'No passo de Caymmi', Lenine retorna domingo a Belo Horizonte para mais uma apresentação ao lado da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, no Grande Teatro do Palácio das Artes. “Vamos trombar, né? Acontece eventualmente de nos encontrarmos na estrada e, algumas vezes, como vai ser em BH, de um estar de chegada e o outro de partida. Outro dia, estávamos tocando ao mesmo tempo em Nova York, mas em locais diferentes”, conta Lenine.


João, o primogênito do cantor e compositor pernambucano, conta que o processo para se tornar músico não foi tão natural como se imagina. Na adolescência, ele se aproximou do ofício de escrever, tanto é que optou pelo jornalismo no vestibular. “Escrevia crônicas, exercitava o texto e sempre gostei de brincar com as palavras. Nos tempos de escola, tinha colegas que chegaram a ser músicos, mas estava afastado desse ambiente. Quando entrei na faculdade, acabei sendo convidado para participar de uma banda e assim começou tudo”, recorda.

Nesse meio tempo, ele nunca deixou de escrever, sobretudo poesia. Os textos se transformaram em canções e, a partir daí, João Cavalcanti começou a se enxergar como compositor. “Depois, vi que cantava e tocava e que podia fazer daquilo uma paixão. Nessa época, o Casuarina surgiu e a coisa foi rolando. Foi todo um processo de construção. Não foi uma coisa da noite para o dia”, diz.

A avaliação de Lenine sobre a escolha do filho, no primeiro momento, não foi das mais entusiasmadas. “Não chegou a ter uma reação proibitiva, mas a predileção era por uma carreira mais estável”, lembra João. O pai diz que os filhos, sobretudo o mais velho, sabiam das dificuldades que uma carreira musical enfrenta, mas a partir do momento em que eles tomaram a decisão, apoiou-os em todos os momentos.

“João sentiu na própria pele o que significava investir numa carreira autoral. Ele pode mensurar isso. E ele viu o que passei. A vida sorriu amarelo para mim durante um bom tempo, e isso gera uma série de incertezas. Mais do que ninguém, ele tinha certa indecisão que foi até um determinado momento, assim como com os demais, Bruno e Bernardo, que também estão completamente imersos no mundo musical. Mas já que estão aí, vibro, jogo e apoio os três. Sou um pai babão e todos eles mostram uma competência infinitamente maior do que a minha”, celebra.

Influências


Apesar de João Cavalcanti ter ficado bem marcado com seu trabalho no samba, sua primeira influência é a música nordestina. Mesmo tendo nascido no Rio de Janeiro, passou toda a juventude e seus verões no Recife, terra da família do pai, e acabou se familiarizando bastante com a cultura pernambucana, sobretudo com seus ritmos. “É natural que em algum momento isso tenha se deflagrado e refletido no meu primeiro disco solo, 'Placebo', que tem um pouco de frevo, do coco, das cirandas. Para você ter ideia, o primeiro samba com o qual tive contato foi o do Jackson do Pandeiro (paraibano), que era coquista (cantador de coco), forrozeiro e sambista. Nessa minha composição heterogênea, o samba ocupa uma posição importante, mas sempre digo que jamais vou conseguir me descrever como sambista”, diz João.

Lenine e João costumam dar palpite no trabalho do outro e, eventualmente, sobem ao palco juntos. Mas a primeira vez que tiveram uma apresentação registrada foi em 2011, na gravação do DVD em comemoração aos 10 anos do Casuarina, na Lapa, no Rio. “Como documento, aquela foi a nossa estreia. Mas estou sempre junto; sou torcedor dele antes mesmo de o Casuarina surgir”, garante Lenine.

João diz que o encontro no DVD foi uma espécie de “saída do armário da relação pai e filho”, já que nunca fez questão de omitir e nem de sublinhar a ligação familiar. Ele enfatiza que tudo foi conduzido de maneira espontânea e que era normal que ele passasse pela construção da própria personalidade.

Tanto é que tudo está caminhando para que a dupla assine a primeira parceria, que deve ocorrer no próximo disco de Lenine. “É bem possível que façamos nossa primeira música em conjunto. João tem o recurso da palavra. Tem composto ao lado de gente não só da geração dele como da minha”, destaca o compositor pernambucano.

Canções para orquestra

A apresentação com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais (OSMG), aos pés da árvore Tamboril, em Inhotim, no mês passado, foi tão especial que ficou com gostinho de quero mais. Tanto é que o cantor e compositor Lenine está de volta a BH neste domingo para reapresentar o mesmo show-concerto realizado no Centro de Arte Contemporânea. “Foi justamente em decorrência daquele encontro que decidimos fazê-lo novamente, mas agora no Palácio das Artes. Foi maravilhosa aquela conjugação de música e arte, porque não foi simplesmente tocar num parque, num jardim. Tivemos essa noção clara de uma empatia entre a orquestra e o meu trabalho e todo aquele ambiente”, ressalta Lenine.

No programa constam 14 músicas do repertório do artista, que foram apresentadas junto com a OSMG, como 'Chão', 'Se não for amor eu cegue', 'Tudo por acaso', 'Que baque é esse', 'Paciência', 'Lavadeira do rio', 'Leão do Norte', entre outras. “Tenho tocado muito com orquestras e cada uma tem um sotaque, um relevo sonoro e sua própria autoralidade. E isso é muito interessante”, observa Lenine.

Tributo ao mestre Dorival

Não é a primeira vez que o Casuarina – que está completando 13 anos de carreira – lança um trabalho em BH. Assim foi com 'Trilhos – Terra firme', em 2011, no Music Hall, e agora a dose se repete com 'No passo de Caymmi'. Para João Cavalcanti (tam-tam e voz), que integra o grupo ao lado de Daniel Montes (violão de 7 cordas), Gabriel Azevedo (pandeiro e voz), João Fernando (bandolim e vocais) e Rafael Freire (cavaquinho e vocais), a escolha da capital mineira, além dos motivos de agenda, se deve ao fato de a banda ser sempre muito bem recebida na cidade. “O público é muito caloroso, cúmplice e condescendente com a gente. Está sempre disposto a nos ouvir e ver a gente crescendo no palco”, diz João Cavalcanti.

'No passo de Caymmi' é o sexto trabalho do Casuarina e traz 17 canções representativas de todas as fases da carreira do compositor baiano. No repertório, 'É doce morrer no mar', 'O bem do mar', 'Dora', 'Marina', 'A vizinha do lado' e 'Requebre que eu dou um doce'.

Este é o primeiro CD gravado exclusivamente pelos cinco integrantes do grupo, sem overdubs (técnica de gravação que consiste em adicionar novos sons), músicos convidados ou instrumentos “estrangeiros” à formação do grupo. “O disco soa o mais natural possível e a gente o reproduz quase integralmente no show. Tem arranjos bem delicados, que voltam à nossa essência. Foi um processo enriquecedor e de autoconhecimento”, conclui o músico.

Lenine e Orquestra Sinfônica de Minas Gerais

Domingo, às 19h, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada). Informações: (31) 3236-7400

Casuarina
Show de lançamento do CD No passo de Caymmi. Sexta, às 21h, no Teatro Bradesco (Rua da Bahia 2.244, Lourdes ). Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia). Ingressos promocionais antecipados: os 100 primeiros ingressos serão vendidos pelo valor de R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Classificação livre. Informações: (31) 3516-1360.

 

Ouça um teaser de 'Requebre que eu dou um doce', com João Cavalcanti e o grupo Casuarina:

 

 

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