Música de novo espetáculo do Grupo Corpo será executada pela Filarmônica

Compositor, engenheiro de som, maestro e coreógrafo fazem 'mutirão' para gravar a trilha

por Helvécio Carlos 25/10/2014 00:13

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Miguel Aun/Divulgação
(foto: Miguel Aun/Divulgação)
Pode não parecer, mas a gravação de uma trilha sonora executada por uma orquestra é trabalho extremamente solitário. Em dois dias desta semana, o engenheiro de som Ulrich Schneider passou cinco horas isolado em um dos camarins do Teatro Bradesco, em BH. Em meio à parafernália de equipamentos, ele registrou, com extrema precisão, a música do próximo espetáculo do Grupo Corpo – ainda sem nome –, executada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e composta por Marco Antônio Guimarães. A estreia está prevista para agosto de 2015.

“A gravação é bem diferente da execução no teatro. São outras exigências”, afirma o maestro Fábio Mechetti, explicando que o grande desafio de Ulrich foi identificar pequenos deslizes. “Mesmo sem estar no palco, ele conseguia sentir se as cordas estavam relaxadas, por exemplo. De lá, chamava a atenção dos músicos para não perder a energia”, revela Mechetti.

Até dezembro, Ulrich vai trabalhar na mixagem. Depois, Marco Antônio Guimarães acrescentará os intrumentos do Uakti, grupo criado por ele. A partir disso, Rodrigo Pederneiras vai montar a estrutura coreográfica.

“Temos uma obra para orquestra executada pela filarmônica mineira, uma das maiores deste país. Em nossas últimas coreografias, trabalhamos com compositores de MPB. Aqui não, estamos voltados para o erudito. Só não me pergunte para onde vamos. Tenho que descobrir também”, afirma Rodrigo.

“Foi um grande prazer receber o convite do Rodrigo e do Paulo Pederneiras para mais um balé. É o quinto que faço para o Corpo”, comentou Marco Antônio. “A ideia é que as peças para a orquestra e para o Uakti funcionem por elas mesmas. Com o Uakti, vou criar pontes de ligação entre as danças com timbres que não existem na orquestra, um contraste bem interessante”, revela.

Maior parceiro do Grupo Corpo, nas palavras de Pederneiras, Marco Antônio considera a atual encomenda a mais difícil. “Trabalhei milhares de notas com a Filarmônica. Há também a questão da rigidez da estrutura da orquestra, formada há séculos”, pondera. “Bach, fiz sozinho, sem o Uakti. Depois veio Sete ou oito peças para balé, com Phillip Glass, um trabalho interessantíssimo: ele mandava as danças escritas para piano manuscritas e eu fazia uma releitura para os instrumentos do Uakti”, relembra.

Mas 21 parece ser a menina dos olhos do compositor. Foi ali que ele começou a descobrir a maneira como Rodrigo coreografa. “Ele acompanhou tudo, desde os primeiros ensaios”, recorda Marco Antônio, interrompido por Rodrigo: “Éramos vizinhos na época”. No fim do processo, o coreógrafo sabia ler as partituras. “Isso foi bom para criar os movimentos, pois ele tinha referências claras das estruturas musicais”, conclui o compositor.


PARCERIAS

Uakti (1988)
Trilha: Marco
Antônio Guimarães

21 (1992)
Trilha: Marco
Antônio Guimarães (foto) e Uakti

Sete ou oito peças
para um balé (1994)

Trilha: Philip Glass
e Uakti

Bach (1996)
Trilha: Marco Antônio Guimarães, sobre a obra de J. S. Bach

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