Paula Fernandes planeja agenciar colegas e grava CD de duetos

A mineira canta com ídolos brasileiros e até com Frank Sinatra em 'Encontros pelo caminho'

por Ana Clara Brant 06/10/2014 08:13

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É na sala zen da sua produtora, a Jeito de Mato, no Bairro Funcionários, que Paula Fernandes costuma “pegar o touro pelo chifre”, como costuma dizer. Naquele espaço agradável, com plantas, flores e pedras, a cantora e compositora mineira toma as decisões mais importantes de sua carreira.



Com um vestido tomara que caia de Patrícia Nascimento, a estilista favorita, a sete-lagoana recebe o EM. Ela acaba de lançar o CD e DVD 'Encontros pelo caminho' (Universal) com duetos gravados ao longo de sua trajetória, além de parcerias inéditas. Paula dividiu os vocais com a canadense Shania Twain (de quem é fã desde a adolescência), Michel Teló, Marcus Viana, Hebe Camargo, o cantor e compositor colombiano Juanes, as duplas Chitãozinho e Xororó e Victor e Léo. Tem até Frank Sinatra (1915-1998), em dueto póstumo: eles cantam a versão em inglês de 'Aquarela do Brasil' (Ary Barroso). O convite partiu da família do astro norte-americano.

Paula conta que não foi nada fácil selecionar esse time de parceiros. Certamente, o projeto renderia um volume 2, admite. “Foi acontecendo naturalmente. Nós nos demos conta da quantidade de duetos que fizemos ao longo da carreira. O projeto estava pedindo para acontecer, teria que ser lançado mesmo. Sou muito de observar o fluir da vida e o disco me pediu para vir, é como se fosse um filho”, explica. A artista acaba de ser indicada para duas categorias do Grammy Latino, cuja festa está marcada para 20 de novembro, em Las Vegas (EUA).

O novo trabalho conta com a participação de Leonardo, provando que a relação dos dois prossegue, apesar da saída da cantora da Talismã, depois de acionar a Justiça contra a produtora do sertanejo. “Foi uma questão totalmente burocrática, de escritório. Não teve ligação minha com o Leonardo, até porque ele nunca administrou pessoalmente as minhas coisas. Era contratada pelo escritório dele e resolvi dar um passo assim como ele fez no dia em que montou a própria empresa. Tenho um carinho enorme pelo Leonardo. A primeira música que cantei na vida é dele, 'Desculpe mas eu vou chorar'. Infelizmente, as pessoas falam muito e acabam inventando coisas”, afirma.

Se o goiano está em 'Encontros pelo caminho', o mesmo não se pode dizer de Roberto Carlos, que ajudou a projetá-la nacionalmente. O Rei não participou do disco. “A gente queria muito esse dueto. Foi uma questão de gravadora para gravadora. Nada pessoal, nada artístico. É uma pessoa que admiro demais e me deu a oportunidade de ouro de estar com ele no programa de 25 de dezembro (o especial de Natal da TV Globo, em 2010). Agradeço muito a Deus por ter vivido aquele momento. Foi um grande encontro”, afirma.

Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press
Paula Fernandes voltou amorar em BH, onde administra a produtora Jeito deMato (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)
Rédeas


O projeto 'Encontros pelo caminho' foi totalmente concebido pelo escritório da cantora. “Tem aquele ditado: o olho do dono é que engorda o boi. Sou o dono e o boi, é mais ou menos isso”, brinca ela. Paula, que acaba de completar 30 anos, revela estar vivendo a fase mais intensa de sua carreira e isso se deve muito ao fato de administrar o próprio trabalho.

“Estou superfeliz em dar esse passo e poder cuidar da minha carreira pessoalmente. Este momento é muito incrível e maduro, posso estar aqui na Jeito de Mato e cuidar melhor dos fãs, porque eles são a minha prioridade. É muito bom ver as coisas com a nossa cara, com o meu jeito. Dá muito mais trabalho, mas está valendo a pena”, conta. Formada em marketing, ela chegou a cursar geografia na PUC Contagem. Paula já vendeu 4 milhões de discos.

Por enquanto, a Jeito de Mato vai cuidar apenas de Paula Fernandes, mas ela não descarta administrar a carreira de colegas. “Brinco que a gente começou com um escritório pequeno, mas com uma artista grande. Quero me estruturar para ter condições de assumir não só um artista, mas vários, e com a garantia de que todos terão o mesmo carinho, cuidado e trabalho que a Paula Fernandes”, garante.

Fortemente ligada a Minas Gerais – o DVD traz imagens em Sete Lagoas, na região da Serra do Cipó, onde ela cresceu, e na capelinha onde foi batizada –, a cantora faz questão de morar em BH. E confessa: viveu sete anos fora e sentia falta de casa. “Sabe aquela coisa do pãozinho de queijo, de parente servindo cafezinho? A criatividade está muito ligada a meu berço. Resolvi retornar. Embora ame muitos lugares do mundo, nenhum lugar é melhor do que a minha casa”, ressalta.

Caseira, ela não costuma badalar muito pela capital. Prefere ficar com a família, receber amigos ou ir para Sete Lagoas visitar os tios, primos e a avó, de 84 anos. “Gosto de tudo em BH, mas não sou de sair muito. Tenho pouco tempo aqui. Quero ficar grudada na minha mãe, nos meus cavalos. O namorado (o dentista Henrique do Valle) vem pra cá ou às vezes vou para Brasília. Divirto-me com coisas muito simples”, diz.

O jeitinho simples e bem mineiro se reflete no trabalho e na relação com as pessoas. Paula brinca, dizendo que tem de se policiar para não carregar no mineirês. “Sou mineira da gema. Gosto de tudo daqui: da comida, do povo, do clima. Tenho muito orgulho, e é bom isso, né? Ter orgulho de onde a gente vem, da nossa origem, por mais simples que seja. Quando vejo a estrada que está na capa do meu disco, fico superemocionada. Quem poderia imaginar que sairia dessa estrada de terra, de cascalho, pro mundo?”, comemora.

De olho no mundo

Paula diz que 'Encontros pelo caminho' retrata seus 22 anos de carreira. “Pude transitar por gêneros tão diferentes de forma natural e mostrando que a minha voz é universal”, comenta. Ela diz ter feito alguns convites para duetos, mas muitos partiram dos próprios artistas.

“A gente não está fazendo um trabalho específico pra isso (carreira internacional). A música não tem barreiras e nem fronteiras. Com a chegada da internet e das redes sociais, um mostra o trabalho para o outro e aí fica mais fácil”, explica.

A mineira tem se surpreendido com os fãs que conquistou fora do Brasil. “Inclusive em lugares a que nunca fui, como o Japão. Agora mesmo em novembro vou fazer uma turnê por Portugal”, revela.

TRAJETÓRIA
 
22 anos de carreira
  • 200 mil cópias vendidas de 'Encontros pelo caminho', em 15 dias
  • 130 shows por ano, em média

 

 

 

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