Nigeriano Seun Kuti se apresenta neste sábado em BH

Carreira do músico segue os passos de seu pai, o gênio africano Fela Kuti

por Mariana Peixoto 03/10/2014 10:55

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KELECHI AMADIOBI/DIVULGAÇÃO
(foto: KELECHI AMADIOBI/DIVULGAÇÃO)
Os tempos são outros, mas certas coisas não mudam. Dezessete anos após a morte de Fela Kuti, gênio africano da música, seu caçula, Seun Kuti, procura seguir seus passos. Na vida e na arte. Em sua maior turnê pelo Brasil, ele faz amanhã, no Sesc Palladium, seu primeiro show em Belo Horizonte. E vem com a turma toda. No show, em que vai lançar seu terceiro álbum, 'A long way to the beginning', estará acompanhado da Egypt 80, a última banda do pai – nove dos integrantes tocaram ao lado de Fela.
 

Aos 31 anos, Seun é também cantor, compositor e saxofonista. A base de seu som é o afrobeat, gênero criado por Fela. Mas a cada novo trabalho ele procura dar um passo além. No novo disco, adicionou o hip-hop, que marca presença na participação dos rappers norte-americanos M-1 e Blitz The Ambassador. Seun tornou-se o herdeiro natural de Fela por que desde a infância acompanhava o pai nos shows. Com a morte dele, assumiu seu posto e sua banda. Tanto que não se furta a executar as músicas de Fela nos shows.


O símbolo dos Kuti, um punho fechado, é também utilizado por Seun. A capa de ''A long way to the beginning' traz uma imagem em vermelho do continente africano fechado num punho. Isso porque, além da música, a política está na base da história dos Kuti. Em 2012, ele teve participação ativa no Occupy Nigéria, protestos contra a política de remoção do subsídio dos combustíveis por parte do governo federal.


Vivendo, assim como o pai, em Lagos, em entrevista ao Estado de Minas, Seun disse: “A Nigéria tem que ser mais igualitária e plural. O país deve dar oportunidades iguais para que todos consigam realizar seus sonhos. Se o governo tivesse criado programas de saúde, as pessoas não teriam ebola, ou não precisaríamos dos Estados Unidos para conseguir a cura. A questão no meu país é maior, de infraestrutura e, principalmente, de corrupção.”

 

Quem foi Fela Kuti

 

Criador do afrobeat – mistura das tradições africanas com funk, jazz e rock psicodélico, que permite longas improvisações em músicas hipnóticas que facilmente atingem os 20 minutos –, o saxofonista, pianista e vocalista Fela Kuti (1938-1997) lançou pelo menos 70 álbuns. Além da Egypt 80, que está no Brasil, Fela comandou a Afrika 70, esta sim sua banda mais importante. Fela teve importância vital na história recente da Nigéria. Contra o domínio militarista, criou, na década de 1970, a República Kalakuta, comuna nos arredores de Lagos que chegou a declarar independência da Nigéria. Ele tentou inclusive se candidatar a presidente, mas não conseguiu.

 

Sua vida pessoal foi igualmente tumultuada. Durante a República Kalakuta, casou-se, ao menos tempo, com 27 mulheres, muitas delas dançarinas que o acompanhavam. É também pai de Femi Kuti, outro nome que levou a música da Nigéria para muito além das fronteiras africanas. Fela morreu em decorrência da Aids.



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