Belo Horizonte recebe festival dedicado à viola

Evento mostra a força do instrumento que chegou ao país junto com os portugueses

por Ailton Magioli 03/10/2014 09:49

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Ricardo Labastier/Divulgação
Roberto Corrêa é a atração de amanhã do 1º Viola Brasil, no Teatro Alterosa (foto: Ricardo Labastier/Divulgação)
Defendida recentemente na Escola de Comunicações e Artes (ECA), da USP, a tese “Viola caipira: Das práticas populares à escritura de arte,” de Roberto Corrêa, ganhará edição em livro apenas no ano que vem. Enquanto isso, o violeiro mineiro continua valorizando o instrumento, que, de acordo com sua pesquisa, teve bom momento na década de 1960, mesma época em que despontavam aqui o rock (Jovem Guarda), a bossa nova e a MPB (nos célebres festivais).


Atração de encerramento do 1º Viola Brasil, sábado, no Teatro Alterosa, Roberto promete contextualizar a história do instrumento que chegou ao país via Portugal utilizando as violas caipira e de coxo. No programa, clássicos de Ernesto Nazareth (Brejeiro e Odeon) e Villa-Lobos (O trenzinho do caipira), além de canções autorais. Em cena, o compositor e o intérprete que com o livro Viola caipira, de 1983, incorpora-se definitivamente à história do instrumento com a edição de livros e discos (estes somam 19). Hoje à noite, quem faz show do proejto, também ás 20h, é Pereira da Viola.

“Por aqui, a viola sempre esteve ligada às práticas populares: da catira à folia”, recorda o violeiro, lembrando que no ambiente urbano ela sempre esteve mais associada às duplas caipiras, principalmente a partir das décadas de 1920 e 30. “Nas décadas de 1950 e 60, no entanto, apesar de os estúdios já investirem em arranjos de violão e viola, ela não entrava nas gravações”, lamenta o músico.

No mesmo período, segundo diz, começa-se a falar também em música sertaneja, em vez de música caipira, com a viola passando por uma espécie de urbanização paralelamente à Jovem Guarda. “O fenômeno tem início em 1960, quando a viola já não é mais o instrumento principal”, recorda o violeiro. “Por outro lado, no entanto, começam a ocorrer coisas fundamentais para que ela possa existir e adquirir papel desvinculado das duplas”, acrescenta ele, que, no livro, pontua pelo menos sete fatos fundamentais para a história do instrumento.

A começar pela gravação do primeiro LP de música instrumental de viola no Brasil, sob a responsabilidade de Julião, em 1960. Na sequência, Tião Carrero criou o pagode de viola – ritmo lançado com a composição Pagode em Brasília, de Ted Vieira e Lourival dos Santos, para a qual ele fez o arranjo. No mesmo período, o compositor erudito Ascendino Theodoro Nogueira compôs sete prelúdios para viola solo e um concertino para viola e orquestra, além de ter feito transcrições de Bach para a viola brasileira. Em 1966, a canção Disparada, de Geraldo Vandré e Theo de Barros, dividiu o primeiro lugar do 2º Festival de MPB da TV Record com A banda, de Chico Buarque. Trata-se de uma canção em que a viola é o instrumento principal.

“Era a viola entrando na MPB”, ressalta Roberto Corrêa, lembrando a presença de Heraldo do Monte à frente do instrumento. Já no ano seguinte, o país viu nascer a Orquestra Violeiros de Osasco, a primeira do gênero, na região metropolitana de São Paulo, enquanto a própria TV começou a absorver o instrumento. “Trata-se de uma década em que a viola foi abandonada pelas duplas, adquirindo outras vidas por meio de outros tipos de música”, conclui o violeiro, que escreveu também A arte de pontear viola, método de ensino do instrumento, que chegará ao DVD ainda este ano.

1º VIOLA BRASIL

Shows de Pereira da Viola, hoje, e de Roberto Corrêa, sábado: ambos às 20h. Teatro Alterosa, Avenida Assis Chateaubriand, 499, Floresta. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), na bilheteria e no site. Informações: (31) 3237-6611. 

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