Pianista Paulo Braga e guitarrista Lupa Santiago fazem parceria em CD

Experientes e bons de improviso, músicos privilegiam repertório mais introspectivo

por Eduardo Tristão Girão 21/09/2014 09:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Karin Fernandes/Divulgacao
Paulo Braga e Lupa Santiago demonstram habilidades de composição, harmonização e improviso (foto: Karin Fernandes/Divulgacao )

Nada de bateria ou percussão, nada de sopros. Apenas piano e guitarra. Assim, contando exclusivamente um com o outro, o pianista Paulo Braga e o guitarrista Lupa Santiago se uniram para gravar o recém-lançado 'N101'. O disco tem 10 faixas instrumentais e autorais, nas quais ambos demonstram suas habilidades de composição, harmonização e improviso. Jazz feito sem truques ou modismos, por dois nomes experientes.

A propósito, impressiona a escassez de informações técnicas no encarte, como que indicando que a música registrada pelo duo dispensa maiores lapidações. Basicamente, o ouvinte fica sabendo que o baterista Ricardo Mosca foi o responsável pela gravação, mixagem e masterização do álbum, no fim de 2012. O trabalho é aberto com a faixa-título (assinada por Santiago), um diálogo entrosado entre um piano preciso e uma guitarra de timbre macio.

'Oh lugar', de autoria do pianista, dá prosseguimento ao repertório, que conta com várias músicas de tom mais introspectivo, a exemplo de 'Oração', 'Cabeça de melão' e 'Valsa'. Santiago homenageia dois mestres ao batizar composições suas: o multi-instrumentista pernambucano Moacir Santos e o saxofonista norte-americano Joe Henderson. Bons improvisadores, Santiago e Braga demonstram suas habilidades com competência em peças como Moacir Santos e Ibéricos, respectivamente.

Não é para menos. Os dois artistas têm bagagem de sobra. A começar pelo pianista, que participa de três bandas (QuartaD, Trio Bonsai e Trio 3-63) e acompanha outros artistas de peso em seus projetos especiais, como Arrigo Barnabé (Caixa de ódio) e Toninho Ferragutti (O sorriso da Manu). Seu toque está registrado nos discos de Léa Freire, Ivan Lins, Orquestra Jazz Sinfônica e vários de Barnabé.

Já Santiago acumula experiência tanto com artistas nacionais quanto com estrangeiros. A guitarra jazzística dele já acompanhou gente como Nenê, Vinicius Dorin, Sizão Machado, Dave Liebman, Jerry Bergonzi e Ronan Guilfoyle. Lançou vários discos como solista, recebendo indicações para o Grammy Latino por Images (2001).

Ensino Além de muitos discos lançados e colaborações com outros artistas, os dois instrumentistas têm como marca a atuação na formação musical. Braga foi o responsável pela criação do Departamento de Música Popular do Conservatório de Tatuí, foi professor na Universidade Estadual de Campinas e, atualmente, dá aulas na Escola de Música do Estado de São Paulo. Santiago é membro da diretoria da Associação Internacional das Escolas de Jazz e autor de três livros didáticos editados no Brasil e no exterior.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA