Bebel Gilberto apresenta novo trabalho em BH no fim do mês

Novo disco da cantora é o primeiro após cinco anos sem lançamentos, e já ocupa o quarto lugar em parada nos EUA

por Mariana Peixoto 09/09/2014 08:17

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HARPER SMITH/DIVULGAÇÃO
"Sou Bebel, não sou filha. Sou o que construí, sem rótulos. Faço a Bebel%u2019s music%u201D Bebel Gilberto (foto: HARPER SMITH/DIVULGAÇÃO)
Convidada a participar de um show em homenagem a Neil Young, há dois anos, no Carnegie Hall, Bebel Gilberto logo se lembrou da trilha do filme 'Comer, rezar, amar' (2010). Em certo momento da história protagonizada por Julia Roberts, ouve-se ao fundo 'Samba da bênção'. O standard de Baden Powell e Vinicius de Moraes foi o principal single do álbum 'Tanto tempo' (2000), gravado por ela. No longa, a canção aparece colada a Harvest moon, outro standard, só que de forte acento folk graças ao registro de Neil Young. Quando recebeu o convite para o tributo, Bebel pensou: “Se deu certo na trilha, por que não cantá-la ao vivo?”.

Dois anos mais tarde, a única tristeza que a cantora tem é não saber se Neil Young a viu naquela noite; tampouco se ouviu sua versão para 'Harvest moon', um dos destaques de 'Tudo', seu novo álbum. Uma das 12 faixas do disco, ela aparece em sensual registro bossa-novista, baseado no violão, piano e percussão. “Uma música pode levar você para outro mundo de acordo com o acompanhamento que ganhar. Dou quase o mesmo valor para uma canção minha ou de outro autor”, afirma a cantora, radicada há mais de duas décadas em Nova York. No fim do mês, Bebel vem ao Brasil para fazer três shows. Vai cantar no Rio de Janeiro, em São Paulo e Belo Horizonte (dia 26, no Cine-Theatro Brasil Vallourec).

A exemplo do que ocorreu em seus quatro álbuns anteriores, o repertório mistura tanto canções autorais quanto versões – no caso, além de 'Harvest moon', há duas em português – 'Saudade vem correndo' (Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo) e 'Vivo sonhando' (Tom Jobim) – e uma em francês, 'Tout est bleu' (Andres Anisere/Allioum Ba/Pascale Hospital). O produtor foi o mesmo de Tanto tempo, Mário Caldato Jr., que, vivendo em Los Angeles, concentrou as gravações em seu próprio estúdio – houve também registros em cinco estúdios dos EUA e do Brasil.

Mudança

São cinco anos sem um disco de estúdio – o mais recente é 'All in one' (2009). Nesse meio tempo, Bebel gravou seu primeiro DVD, 'In Rio' (2013), lançado somente no Brasil, e mudou de gravadora. Agora na Sony, está lançando Tudo no país e no mercado internacional. Nos EUA, o álbum ocupa o quarto lugar na parada de world music. A filha única de João Gilberto e Miúcha, que virou musa da new bossa (ou bossa eletrônica) graças a 'Tanto tempo', vem carregando, desde então, esse rótulo um tanto limitador.

“Tento me desvincular dos rótulos, ainda mais sendo filha do meu pai. Há coisas de que ainda preciso me livrar, lembrar a quem quer que seja que sou uma cantora, não só a filha de..., a cantora de bossa nova. Sou Bebel, não sou filha, sou o que construí, sem rótulos. Faço a Bebel’s music”, diz.

Nuances

“Bebel’s music” (música de Bebel) ou não, à primeira audição, 'Tudo soa como Tanto tempo'. É elegante como o disco que fez sua carreira despontar no Brasil, nos EUA e no Japão. Mas sucessivas audições vão descortinando a sonoridade, que ganha nuances distintas da bossa atualizada, pasteurizada devido ao excesso de intérpretes ao longo da última década e meia. Bebel assina seis canções, destacando-se a que abre o álbum. Em inglês, desfia 'Somewhere else', acompanhada de um piano jazzy e clima solar graças ao sofisticado arranjo de cordas. É, sem dúvida, a melhor das composições dela.

'Nada não', outra de lavra própria, vem em seguida. Aqui é a percussão de Mauro Refosco que chama a atenção. Na sequência, 'Tom de voz' (música do violonista baiano Cézar Mendes, letra de Kito Ribeiro), com interpretação mais contida de Bebel. Já no sambinha 'Novas ideias', ela divide vocal e autoria com Seu Jorge. O contraste entre a suavidade dela e a gravidade dele resulta num dueto interessante para a letra bem-humorada e simples.

A faixa-título tem letra escrita em parceria com Adriana Calcanhotto, enquanto 'Areia' foi musicada por Bebel e Pedro Baby. O acompanhamento percussivo (que mistura berimbau, chocalho e caxixi) colore a canção, que fala basicamente de areia e mar. É 'Inspiração' a mais eletrônica do repertório, com programação e sintetizadores. Não acrescenta muito ao álbum.

A questão é que Bebel brilha mesmo na interpretação de outras canções. Além de 'Harvest moon', ela consegue demonstrar domínio e dar interpretação pessoal a 'Saudade vem correndo' e 'Vivo sonhando' (do repertório de João Gilberto) sem fazer feio frente aos registros clássicos. “Minha maneira de trabalhar é muito intuitiva. As canções são um reflexo do que está passando na minha cabeça”, acrescenta ela, revelando que só termina de mexer em um álbum quando ele está sendo masterizado. “Aí não tem jeito, mas vou até a última hora.”

Bebel deixou o Rio de Janeiro em 1991. Vivendo em Nova York desde então, não pensa em voltar para o Brasil. “Não, não mesmo. Montei a minha vida aqui”, afirma a moradora do East Village. “Quando se é mais jovem, você é menos preocupado. Estou com 48 anos, hoje é tudo mais complicado. Estou em Nova York, estou acostumada à vida que tenho. Na verdade, sou apenas um ser humano tentando sobreviver”, conclui.

Ponta

Bebel Gilberto faz uma ponta em Rio, eu te amo, que chega aos cinemas quinta-feira. Com vestido esvoaçante de seda branca, todo drapeado, criado pelo mineiro Vitor Dzenk, ela interpreta um cupido no fragmento dirigido pelo australiano Stephan Elliott. É ao som de Eu preciso dizer que te amo que um dos personagens se descobre apaixonado. Com um cenário daqueles e a música escolhida, a cena não precisava de nada mais. No entanto, o voo da moça sobre a Baía de Guanabara acrescenta uma pitada kitsch ao terceiro longa da franquia 'Cities of love'. (Carolina Braga)

BEBEL GILBERTO
O show de lançamento do álbum Tudo será no dia 26, às 21h, no Cine-Theatro Brasil Vallourec (Praça Sete, Centro). Plateias A e B: R$ 160 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada); plateia C: R$ 100 e R$ 50 (meia). Informações: (31) 3201-5211

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