Revival pagodeiro dos anos de 1990 invadiu o carnaval de Belo Horizonte

Bloco belo-horizontino arrastou multidão pelas ruas ao som de antigos hits do SPC, Art Popular e Raça Negra

por Ana Clara Brant 06/09/2014 09:00

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Sérgio Amzalak/Esp.EM/D.A Press - 23/2/14
Bloco Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro desfilou pelas ruas do Bairro Gutierrez, na Região Oeste (foto: Sérgio Amzalak/Esp.EM/D.A Press - 23/2/14 )
Em Belo Horizonte, um dos sucessos do pré-carnaval de 2014 foi o bloco voltado para hits de Molejo, Só Pra Contrariar, Art Popular, Raça Negra e Os Travessos. Cerca de 4 mil foliões desfilaram nas ruas do Bairro Gutierrez ao som daquelas músicas. O Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro foi convidado a se apresentar em casas de shows da cidade, como o Granfinos, e na quadra da Escola de Samba Cidade Jardim.

O músico Matheus Brant, um dos criadores do Me Beija, conta que a ideia surgiu quando o grupo de samba do qual fazia parte, o Chapéu Panamá, acabou. “Foi uma loucura no carnaval. Com certeza, vamos manter o bloco em 2015. Temos a intenção de fazer um show tipo Baile do síndico, chamado Pagode do Me Beija, e trazer algum pagodeiro dos anos 1990 para se apresentar em BH”, avisa.

O cantor, compositor e violonista acredita que, assim como ocorreu com o brega e o axé, agora é a vez da volta do pagode. “Muita gente vê esse estilo como algo menor, pejorativo. A gente gosta mesmo das músicas, reconhece que elas têm suas qualidades. O tempo passa, mas a memória afetiva fica”, afirma.

Salgadinho, ex-vocalista do Katinguelê, observa um fenômeno interessante no universo do pagode: se antes esse repertório fazia muito sucesso entre as classes C e D, agora ele é aceito pelo público A e B. Pagodeiros até viraram cults, aponta o cantor. “Quem antes torcia o nariz para o nosso trabalho, agora escuta e sabe cantar, porque aquilo marcou sua infância e adolescência. Nossas músicas têm estrutura melódica, poética e de arranjos. Aprendemos a fazer samba com artistas de talento”, enfatiza.

O negão voltou

Outro grupo pagodeiro que retoma a carreira depois de 16 anos é o Cravo e Canela. O conjunto surgiu em São Paulo e fez sucesso na década de 1990 com o hit 'Lá vem o negão'. O quarteto não chegou a acabar oficialmente, apesar de cada músico ter outra profissão – um é taxista, outro trabalha com caminhões, o terceiro é funcionário de hospital e o quarto cuida de gramados em estádios de futebol. Desde o mês passado, Nenê do Timba, Juninho, Chiquinho e Maurício voltaram aos palcos.

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