Baixista Fred Heliodoro trabalha ritmos brasileiros em novo EP

Álbum batizado de 'Neo arrocha pós arcaico' é centrado na versão elétrica do baixo

por Eduardo Tristão Girão 05/09/2014 09:40

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Jair Amaral/EM/D.A Press
O baixista Fred Heliodoro lança 'Neo arrocha pós arcaico %u2013 N.A.P.A.' (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
O novo trabalho do baixista mineiro Fred Heliodoro, talento da nova geração instrumental de Belo Horizonte, tem nome improvável: 'Neo arrocha pós arcaico – N.A.P.A.' Entretanto, a ideia do artista com esse EP de quatro músicas não é tão estranha quanto pode parecer. Ao contrário dos três álbuns anteriores, Fred se dedica exclusivamente à forma elétrica do instrumento. Além disso, manteve vocalises e aposta numa maneira diferente de trabalhar com ritmos brasileiros. Um som elegante, acima de tudo.

“As músicas têm novos elementos em que até então nunca havia pensado. Timbres, estruturas musicais e caminhos harmônicos e melódicos que surgiram quando saí da minha zona de conforto. É muito legal pensar em ritmos brasileiros como o arrocha e o axé, colocando a minha identidade por cima deles. Gosto muito desses dois ritmos, acho que eles podem e devem ser usados, reformulados, quebrados, loopados”, defende Heliodoro.

As novas músicas foram escritas entre o fim de 2013 e o início deste ano. Em estúdio, o baixista contou com o baterista Felipe Continentino, o guitarrista Pablo Passini e os tecladistas Christiano Caldas e Marcus Abjaud – todos tocaram na mesma sala, como se fosse um show. “Foi um processo rápido. Atualmente, estou com 20 peças inéditas guardadas, esperando a seleção para o que pode vir a ser um álbum duplo”, adianta.

A nova leva de trabalhos surgiu da necessidade de abrir caminhos. “Quis mudar um pouco a maneira como o trabalho pode ser visto. O som serve tanto para teatros quanto para palcos abertos. É interessante para quem gosta de jazz e música brasileira e também de rock e experimentalismos”, explica. Fora isso, o baixista apreciou o fato de ele e o grupo terem criado espaço para improvisação na sessão de gravação.

Influência

O baixo elétrico foi o primeiro instrumento de Heliodoro. “Sempre tive vontade de usá-lo em meus discos anteriores, mas sentia que as músicas e a estética não pediam”, confessa. No caso do EP, ele compôs as músicas já pensando no elétrico, o que possibilitou que colocasse nas composições algumas de suas influências mais antigas, como Paul McCartney e Billy Cox.

O uso dos vocalises nas faixas conferiu colorido especial, uma espécie de brilho “novo-velho”. Algo que remete ao jazz dos anos 1970 e 1980 (Pat Metheny e Toninho Horta usaram esse recurso, por exemplo) e, ao mesmo tempo, faz com que as músicas se destaquem em relação ao jazz instrumental arroz com feijão (ainda que bem feito) apresentado por boa parte dos instrumentistas brasileiros atualmente.

“Gosto muito de vozes. A voz pega a música instrumental e a leva mais perto de um ouvido desinteressado, que, a partir daí, pode se interessar. Ela destaca a melodia, populariza a composição e dá um pouco mais de alma ao som”, observa Heliodoro. Se as boas quatro composições vão virar um CD cheio no futuro, ele ainda não sabe dizer. “Sou ansioso, pode ser que daqui a pouco já exista outro projeto. A princípio, o foco é no EP e na venda virtual. Pretendo experimentar isso e evitar prensar CDs”, conclui.

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