Da Guaicurus à Savassi: ocupação da Virada Cultural revela problemas estruturais nas ruas de BH

Maratona levou atrações a espaços públicos que costumam ficar de fora do circuito de eventos

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Leandro Couri/EM/D.A Press
Acompanhado por multidão, show de Tom Zé foi uma das atrações na região da Rua dos Guaicurus (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Para muita gente, a segunda edição da Virada Cultural de Belo Horizonte foi uma oportunidade de circular por ambientes nunca antes visitados, alguns até considerados “marginais”. Na Rua Guaicurus, famosa pela prostituição local, um palco foi montado entre os quarteirões das ruas Curitiba e São Paulo. Lá, na madrugada de ontem, apresentou-se o cantor Tom Zé.

 

Veja fotos do show de pole dance promovido na Rua dos Guaicurus

 

No início da tarde de ontem, o bloco carnavalesco Baianas Ozadas fez o público dançar ao som de músicas antigas de axé. “Acho interessante fazer esse evento aqui, em uma região tão desvalorizada. Muita gente tem medo de vir aqui”, disse a advogada Marcelle Miranda, de 30, que estava acompanhada de duas amigas, a bióloga Ana Beatriz Borges, de 27, e a auxiliar administrativa Priscila Borges, de 26.

A proximidade entre vários endereços onde a Virada marcou presença na área central de BH – Praça da Estação, Parque Municipal, Rua Aarão Reis, Praça 7, Sesc Palladium e outros –, muita gente ia de um lugar para outro a pé. Depois da apresentação das Baianas Ozadas, muita gente caminhou até o cruzamento da Avenida Santos Dumont com a Rua da Bahia, onde o bloco Então Brilha! começou a marchar às 15h.

 

Antes de o desfile começar, uma inusitada trupe chamou a atenção e provocou risadas. Parte da programação oficial, a intervenção “Invasão de palhaços”, realizada por 30 profissionais do Grupo Trampulim e convidados, percorreu de bicicleta alguns dos endereços do evento. “É como se nós fôssemos um bloco. Cada um caracterizou sua bicicleta. Queremos incentivar o uso desse meio de transporte”, explicou a diretora do Trampulim, Adriana Morales.

Marcos Vieira/EM/D.A Press
Savassi abrigou o ''quarteirão eletrônico'' da virada; lixo deixado após evento despertou queixas (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Lixo e banheiros são problemas
Na Praça da Savassi, no encontro das avenidas Getúlio Vargas e Cristóvão Colombo com a Rua Antônio de Albuquerque, um palco foi montado para receber o “Quarteirão eletrônico”. No início da tarde de ontem, centenas de jovens dançavam animados por um DJ. O local tinha lixo por todo lado. Garrafas plásticas e de vidro, copos plásticos, latas de cerveja, bitucas de cigarro e cacos de vidro estavam espalhados no chão e em canteiros. Também havia odor de urina. “O cheiro está muito forte e há muita sujeira. Falta educação para muita gente”, reclamou Janice Moreira, de 66 anos, que ontem passou por lá acompanhada do marido, José Moreira, de 68, ambos empresários.

Na Praça da Estação, mais queixas. Depois de tecer diversos elogios à escolha dos artistas e à estrutura de palcos, o diretor de produção Frederico Antoniazzi, de 48, apontou: “A estrutura de banheiros foi mal projetada. Com isso, ou se espera muito tempo na fila ou fica sem ir ao banheiro. Vi muitas pessoas fazendo xixi na rua”, contou.

A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) afirmou que reforçou as equipes que atuaram durante a Virada. Cerca de 600 funcionários trabalharam ao longo das 24 horas. Duzentos e sessenta contêineres foram instalados em pontos estratégicos, informou o órgão. A superintendência afirmou que estava atenta para reforçar o trabalho ontem em locais onde houvesse maior demanda pelo serviço. Sete turmas de garis e dois caminhões-pipa estavam previstos para fazerem um pente-fino hoje.

Marcos Vieira/EM/D.A Press
Destaque do carnaval em BH, bloco Então Brilha! promoveu folia temporã no Centro (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)
 

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA