Virada Cultural leva música de qualidade e multidão às ruas de BH

por Valquiria Lopes 31/08/2014 10:55

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No lugar dos carros, pessoas. Uma multidão de pessoas. E também palcos, estrutura de circo, carrinho de pipoca, pista para bicicleta e skate e muitos artistas. A Virada Cultural transformou o Centro de Belo Horizonte – habitualmente vazio durante a noite – em uma grande arena de atrações e diversão. Com shows simultâneos ocorrendo em oito espaços, o coração da cidade teve vibração mais forte. E misturou ritmos, batidas, tribos, idades e classes sociais num movimento pacífico de ocupação urbana. De acordo com a Polícia Militar, apenas pequenos furtos de celulares e carteiras, além de brigas pontuais, foram registradas. Ainda segundo o órgão, cerca de 6 mil pessoas estiveram no Centro e na Região da Savassi para conferir a programação da segunda edição do evento. As atividades tiveram início às 19h de sábado e, com previsão para 24 horas, ininterruptas, a Virada reuniu música, teatro, dança, circo, audiovisual, literatura, artes plásticas, moda e gastronomia.

Veja imagens da noite de shows

 

 

Para muita gente, o evento foi uma oportunidade de circular por ambientes nunca antes visitados. A Rua Guaicurus, marcada pelo histórico de prostituição e degradação arquitetônica, se viu tomada de pessoas que por ali pouco ou nunca passaram. Uma delas, a relações públicas Valéria Gomes Reis, de 48, visitou a Guaicurus pela primeira vez, para conferir a apresentação do cantor Tom Zé, que subiu ao palco às 2h. O quarteirão entre as ruas Curitiba e São Paulo ficou tomado por uma multidão durante o show. Com a proximidade entre os pontos onde a Virada marcou presença – Praça da Estação, Parque Municipal, Teatro Francisco Nunes, Praça da Liberdade, Rua Aarão Reis, Praça 7, Sesc Palladium, além da Guaicurus – muita gente armou um verdadeiro esquema trança-trança e não parou durante a madrugada. "Estive em várias apresentações e andei muito pelo Centro, o que nunca tinha feito", contou a psicóloga Ludmila Orlandi, que também foi conferir a apresentação do cantor Tom Zé.

Leandro Couri/EMDAPress
Show de Tom Zé foi um dos mais aguardados na madrugada de domingo (foto: Leandro Couri/EMDAPress)


O cantor Diogo Nogueira abriu as apresentações da Virada, às 19h, na Praça da Estação, região com maior concentração de público. "O Centro não faz parte do nosso roteiro à noite. Viemos para comemorar o aniversário de um amigo. O evento está bem bacana", disse o funcionário público Bruno Moreno, de 32, que estava na companhia da mulher Fernanda Mara, de 25. Outro ponto alto das apresentações na praça foi o espetáculo da companhia de circo paulista Picadeiro Aéreo. Dez integrantes do grupo fizeram performances de deixar o público vidrado, com destaque para os movimentos no tecido e no trapézio. De passagem pela Praça da Estação, o casal de namorados Camila Marinho, de 26, que é veterinária, e o advogado Mauro Filho Neves, de 28, aprovaram o evento. "Acredito que este tipo de intervenção deva ser feita com frequência. É bom para as pessoas e também para a cidade", disse Mauro.

BIKE A Avenida dos Andradas, na esquina com Rua dos Tupinambás, foi fechada ao trânsito e se rendeu às bicicletas. No local, foi montada uma pista que hoje (domingo) irá sediar o 2º Campeonato Brasileiro de Bike Polo, entre 9h e 19h. No esporte, os cavalos do polo são trocados pelas magrelas e os ciclistas, sem poder colocar o pé no chão, têm como objetivo guiar uma bola com um taco até o gol. Escolhido como proposta cultural para a Virada, o campeonato dialoga com o objetivo de ocupar espaços públicos e fomentar a diversidade cultural na cidade.

De acordo com o organizador do evento, o designer de produtos Pedro Felipe, o esporte é praticado no Brasil há cinco anos e teve início em São Paulo. Em BH, o Bike Polo existe há cerca de um ano e meio. "Nossos encontros são em vias ou praças da cidade. Trazer o esporte para o Centro, durante a Virada, está sendo sensacional", afirmou Pedro. A competição contará com 10 equipes de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo e servirá como etapa eliminatória do 4° Campeonato Sulamericano de Bike Polo, que acontece em outubro em Bogotá, na Colômbia.


INCÔMODO Depois de tecer diversos elogios à escolha dos artistas e à estrutura de palcos, o diretor de produção Frederico Antoniazzi, de 48 anos, ressaltou inconvenientes do evento. "A estrutura de banheiros foi mal projetada. Com isso, ou se espera muito tempo na fila ou fica sem ir ao banheiro. Vi muitas pessoas fazendo xixi na rua", contou. Assim como ocorreu na Copa do Mundo, quando o número de sanitários foi insuficiente, muitos comerciantes vão começar a segunda-feira com muita limpeza a ser feita na porta das lojas. Houve ainda quem reclamasse da segurança. Na avaliação de Paloma Alves dos Santos, de 35 anos, que esteve na virada com a companheira, havia poucos policiais na rua. "O risco de acontecer um problema é muito grande, porque é muita gente e o evento é disperso", disse.

 

LIXO Já no fim da madrugada, também sobrou muito lixo nas ruas, apesar de já haver movimentação de varredores contratados pela organização do evento e funcionários da SLU trabalhando na limpeza.

 

 

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