Pianista Nelson Freire celebra 70 anos em concerto com a Filarmônica de Minas Gerais

Orquestra vai apresentar programa por dois dias seguidos, que conta ainda com a estreia de peça criada por Leonardo Margutti, vencedor do Tinta Fresca

por Mariana Peixoto 26/08/2014 08:52

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Divulgação
Mineiro comemora 70 anos de vida em apresentação com a Filarmônica (foto: Divulgação)
A repetição do mesmo programa em duas noites seguidas é uma exceção na agenda da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, que se apresenta hoje e amanhã no Palácio das Artes. O fato é plenamente justificado esta semana quando Nelson Freire vai executar, sob regência de Fabio Mechetti, músicas de seu compositor preferido. É com o 'Concerto nº 2', de Chopin, que o mais importante pianista brasileiro celebra seus 70 anos – Freire nasceu em Boa Esperança, Sul de Minas, em 18 de outubro de 1944. As duas noites ainda terão a estreia da peça 'Identidades', do compositor belo-horizontino Leonardo Margutti, vencedor do concurso Tinta Fresca em 2013. A peça abre o programa, que será encerrado com a Sinfonia nº 15 em lá maior, op. 141, de Shostakovich.

Será a segunda vez que Margutti, de 36 anos, assistirá à Filarmônica estreando uma peça de sua autoria. A primeira foi Em sete, no ano passado, que venceu o concurso criado pela própria orquestra, dedicado a novos compositores. Com o prêmio, ele recebeu a encomenda de uma nova composição. “Criei ideias ao piano, como temas principais. O que fiz foi transformar não só o tema, mas o ambiente dele. Muitas vezes, a melodia aparece num contexto de música contemporânea, depois, num momento de quase choro, outra sob influência de Bach. O tema se mantém, mas o ambiente vai mudando, como se estivesse buscando a própria identidade”, explica.

ALEXANDRE REZENDE/DIVULGAÇÃO
Leonardo Margutti assiste à apresentação de sua peça 'Identidades' pela Filarmônica, no Palácio das Artes (foto: ALEXANDRE REZENDE/DIVULGAÇÃO)
Para criar a peça, ele teve que seguir apenas dois critérios: que ela não ultrapassasse os 15 minutos e que pudesse utilizar o poder máximo da Filarmônica. “A questão da identidade é muito importante para a música hoje em dia, pois existem tantas vertentes, que cada compositor tem que buscar a sua própria”, continua Margutti, que já assistiu a dois ensaios de sua peça.

“Uma estreia envolve muita coisa, pois quando você escreve uma peça orquestral, só sabe o que vai funcionar quando ouve com a própria orquestra. Há programas de computador que simulam, mas não se pode confiar. Você tem que escrever partes para todos os instrumentos. Entrei um bolo de 75 páginas de partituras, mas depois do ensaio no Grande Teatro (ocorrido ontem pela manhã) vi que o maestro foi muito cuidadoso, e a orquestra entendeu bem o que eu quis fazer”, conclui ele, que depois de cursar composição na UFMG, viveu em Londres, onde fez mestrado e doutorado no King’s College.

Programa

• 'Identidades', de Margutti
• 'Concerto para piano nº 2 em fá menor, op. 21', de  Chopin
• 'Sinfonia nº 15 em Lá maior, op. 141', de Shostakovich

ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
Terça e quarta, às 20h30. Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Ingressos: R$ 70 (plateia 1), R$ 54 (plateia 2) e R$ 36 (balcão). Valores para inteira.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE MÚSICA