Espetáculo Valencianas, da Orquestra Ouro Preto, é exibido hoje pela primeira vez na TV

Show conta com a participação do cantor e compositor Alceu Valença e será transmitido às 17h, no Canal Brasil

por Walter Sebastião 24/08/2014 00:13

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Rafael Motta/Divulgação
(foto: Rafael Motta/Divulgação)

Quem chega pela primeira vez à televisão é um grupo mineiro respeitado não só no Brasil, mas também no exterior: a Orquestra Ouro Preto (OOP). Às 17h, no Canal Brasil, será exibido o DVD Valencianas, com a participação do cantor e compositor Alceu Valença. Concerto que teve calorosa recepção do público em Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Observando que se trata de algo novo, “não só pelo fato de o intérprete cantar com a orquestra, mas pelo grupo ser força motriz do projeto”, o maestro Rodrigo Toffolo explica que gravadora e canal se interessaram por levar a apresentação para a TV. “Acho importante. É uma oportunidade de mostrar o que fazemos em um meio ainda muito distante da música de concerto ”, afirma.

Valencianas é a segunda investida da orquestra na área da música popular. Um concerto com as músicas dos Beatles, há quatro anos, com direito à manutenção de riffs de guitarra antológicos nos arranjos, provocou alvoroço. E encheu salas de música erudita de jovens com camiseta, jeans e tênis, dando ao ambiente ar festivo e descontraído como pouco se vê. Proposta tão bem-sucedida que foi apresentada no Philharmonic Hall, em Liverpool (Inglaterra), na Beatles Week, principal evento ligado à música do grupo, tendo na plateia a irmã de John Lenon. Material devidamente gravado, que, em breve, se tornará mais um DVD dos mineiros – já foram negociados direitos autorais e normas sobre como as músicas podem ser tocadas.

“O ponto comum entre Valencianas e Beatles é trabalharem a interseção do clássico com o popular. Que, na minha opinião, é tema essencial para as orquestras, já que temos de formar plateias. Quem viu Beatles, voltou para ver Mozart, Alceu Valença, Guerra-Peixe”, conta Toffolo. “A decisão do público de ir ao concerto é muito importante, pode mudar vidas”, garante. “A música só tem a ganhar com o encontro desses dois mundos. Por um lado, a música erudita fica mais flexível, menos quadrada. E o popular menos improvisado, o que é essencial para uma orquestra que trabalha com 30 pessoas, arranjos e vê a música com mais detalhes, timbres etc. Para fazer muitos violinos tocando juntos, é preciso partituras, disciplina”, observa.

“A grande lição que Valencianas trouxe foi a evidência de brasilidade na música, a percepção de que o Brasil é algo sublime. Passamos muito tempo estudando e ouvindo a música de outros países, o que é natural para a formação do instrumentista erudito, mas existe muito mais. Se você diz adágio, todo mundo sabe o que é. Mas se fala em aboio, maracatu, caboclinho, parece que está falando uma língua que ninguém conhece”, conta Rodrigo Toffolo. “Gostaria de ver crescer uma geração de músicos com percepção mais aberta, que conheça a música que nos identifica como nação”, explica.

Desafios A Orquestra Ouro Preto foi criada em maio de 2000 e tem coordenação-geral de Rodrigo Toffolo. O diretor artístico é o compositor Rufo Herrera, fundador do grupo. Lançou, em 2006, o CD e o DVD Latinidades e, no momento, finaliza novo projeto nos dois suportes, com previsão de lançamento até setembro: Oito Estações – Vivaldi e Piazzola.

Projeto ainda em andamento é o concerto com o bandolinista Hamilton de Holanda, e há também o sonho de fazer um trabalho com Chico Buarque. O maestro Rodrigo Toffolo diz que eles têm interesse também de fazer trilhas originais de cinema e trabalhar com dança.

No ano passado, a Orquestra Ouro Preto fez 60 concertos, somando apresentações no Brasil e em outros países. A expansão de atividades, como observa o maestro, é vista com prazer e preocupação, já que acirra a necessidade de busca de patrocínios. “Vivemos de trabalhos que elaboramos e procuramos recursos para realizar, mas não temos um apoio que nos permita passar um fim de ano tranquilo, sabendo que as nossas iniciativas vão ter continuidade”, explica, ressaltando que a Gerdau e a Petrobras têm sido parceiras. Por isso mesmo, o grupo ainda não sabe se poderá atender a convite para realizar concerto no Convento de Cristo, em Tomar, Portugal, em janeiro de 2015.

Lançamento do DVD em BH

O lançamento do CD e DVD Valencianas em Belo Horizonte será amanhã, às 20h30, na Fundação de Educação Artística (FEA), com apresentação de Concertos para Orquestra de Cordas, de Antonio Vivaldi (1678–1741). Concerto da Orquestra Ouro Preto que tem convidados: Fernando Cordela (cravo) e Guilherme de Carvalho (teorba e guitarra barroca). São nove peças selecionadas em conjunto de 30 concebidas por Vivaldi para mostrar toda a versatilidade que um grupo de cordas pode ter. E, para tanto, o compositor não economiza virtuosismo. “São composições praticamente experimentais, com efeitos sonoros fortes e muito populares. Pelo modo como exploram as massas sonoras, são quase rock and roll: orquestra no amplificador e exploração das distorções”, compara. Lembra que ainda os Concertos... são inéditos no Brasil e raros de ouvir.

O uso de cravo, guitarra barroca e teorba (instrumento da família do alaúde, precursor do violão) traz um pouco dos instrumentos da época de Vivaldi – momento, recorda Toffolo, em que não havia partituras, o compositor escrevia apenas a linha melódica e apresentava praticamente fazendo improviso sobre essa anotação. “O que dava grande liberdade ao intérprete”, observa o regente. A decisão de usar tais instrumentos torna os efeitos sonoros da composição mais audíveis e marca desejo de uma sonoridade para a interpretação que a orquestra faz da obra. “São, ainda, instrumentos raros de se ver no palco, com poder musical transformador, que dão outra dimensão à composição”, garante.

Concerto Para Orquestra de Cordas
Apresentação da composição de Antônio Vivaldi (1678-1741), com a Orquestra Ouro Preto, amanhã, às 20h30. Fundação de Educação Artística, Rua Gonçalves Dias, 320, Funcionários, (31) 3266-6866 ou 3224-1744. Entrada franca. Capacidade: 190 lugares.

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