Tradicional espaço underground em BH, A Obra é reduto de shows autorais

Casa abre espaço para pelo menos duas bandas por semana e realizará um festival de garage punk no próximo sábado

por Fernanda Machado 07/08/2014 15:09

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Facebook / Reprodução
Os Dead Pixels, que já tocaram na Obra, são uma das atrações do festival Eu Nunca Aprendo, no sábado (foto: Facebook / Reprodução)
Se a maioria das casas dedicadas ao rock em Belo Horizonte têm programação formada quase que exclusivamente por bandas cover, A Obra vai na contramão. O inferninho, localizado na Savassi, com capacidade para cerca de 200 pessoas, faz questão de oferecer, pelo menos duas vezes por semana, o espaço para quem compõe suas próprias músicas — independente de fama ou reconhecimento. A proposta da casa está diretamente ligada à essência do rock e à ideia de "faça você mesmo". No próximo sábado, o local recebe mais um festival, com bandas de quatro estados diferentes. 

 

Artistas estrangeiros ou bandas recém-formadas na cidade, todos têm vez n'A Obra. "Sentimos uma alegria de manter essa proposta inicial, dando toda a estrutura necessária, bom equipamento, técnico de som, boa divulgação, independente de quem esteja tocando", explica Claudão Pilha, um dos proprietários e fundadores doe estabelecimento. Ele explica que o objetivo é manter em atividade aquilo que já existe e proporcionar o surgimento de novos artistas, para que a cena sempre se renove .

 

Compromisso com o autoral

Lá se vão 17 anos desde que o porão na Rua Rio Grande do Norte, quase esquina com Getúlio Vargas, na Savassi, abriu suas portas pela primeira vez. Conhecida como o "O bar dançante", a Obra mais underground da cidade foi arquitetada por um grupo de amigos que buscavam um lugar para tocar suas próprias músicas e que se tornasse uma alternativa às outras casas da região — à época, a concorrência exigia que os músicos tocassem apenas aquilo que o público soubesse cantar. O tempo passou, mas a proposta segue inalterada. Mesmo diante da popularidade das bandas cover entre o público belo-horizontino, A Obra preza por dar espaço para quem faz seu próprio som.


Atualmente, pelo menos duas vezes por semana, a boate recebe shows de artistas de BH, de outros estados ou até mesmo do exterior, independente da importância e do tempo de estrada que tenham. O importante é fazer as próprias canções. Um exemplo são os paranaenses do Vulgar Gods, de Londrina, formada em 2013. Eles tocaram lá na semana passada. "Foi excelente, o equipamento é ideal para o tamanho da casa, é possível ouvir o próprio som com clareza e a passagem de som é rápida e bem feita. Isso é raridade em bares deste tamanho", comenta o guitarrista Vinícius Carneiro.

Neste ano, a banda de punk rock norte-americana Punch foi uma das atrações internacionais no palco da casa. Artistas da Argentina, Holanda, Suécia, Alemanha e até do Japão, como o Guitar Wolf, também já desceram as escadas do inferninho em anos anteriores.

 

Os shows são geralmente às quartas e quintas, com a entrada custando r$ 10. Desde janeiro, eles acontecem sempre entre 20h e 22h, para facilitar a vida de quem levanta cedo no dia seguinte. Nesta semana, as atrações são o Drunk Demons, de Contagem, adeptos do psychobilly, e o Fodastic Brenfers, que toca stoner rock. As duas se apresentam nesta quinta-feira, 7, a partir das 20h.

“Antigamente, quando abrimos, era tudo mais complicado, o pessoal mandava cds ou fitas para que a gente pudesse ouvir o material, hoje basta mandar um link que a gente escuta o som da banda”, explica Claudão Pilha, que faz um apelo para que bandas autorias interessadas em tocar na Obra procurem a casa para agendar shows. O contato é através do e-mail aobra@aobra.com.br .

Sábado de rock selvagem

Além dos shows semanais, a Obra também abriga alguns festivais ao longo do ano, como o tradicional Primeiro Campeonato Mineiro de Surf. Na noite do próximo sábado, 9, acontece o 'Eu Nunca Aprendo': serão quatro bandas de quatro estados diferentes do país, todas adeptas do estilo garage punk, uma das vertentes mais primitivas e barulhentas do rock. “O garage punk é o filho feio do rock and roll, é o que há de mais underground no underground'', explica Marcelo Crasso, organizador do evento.

Do Rio Grande do Sul, uma das atrações será o Phantom Powers, uma dupla porto-alegrense composta apenas de guitarra e bateria, que representa o estilo com uma dose de surf music nos acordes. Também do sul, os curitibanos do Os Savages fazem jus ao nome com canções em português, para expressar o garage de forma bem clara. Outra banda de fora é o Bang Bang Babies, de Goiânia, outros fiéis adeptos do rock selvagem. Quem faz as honras da casa são os Dead Pixels, banda formada no ano passado em Belo Horizonte, sob as barulhentas influências de The Cramps e New York Dolls.

Um detalhe curioso do festival é que ele foi viabilizado por uma iniciativa coletiva. Os interessados na realização dos shows em BH puderam comprar rifas de um livro e uma fita k7 original do The Cramps. O dinheiro arrecado foi convertido para custear as despesas do festival, como transporte, hospedagem e alimentação das bandas.

A Obra

(Rua Rio Grande do Norte, 1168, Savassi)

Censura: 18 anos. Mais informações:3215-8077 ou em www.aobra.com.br


Quinta Selvagem de Rock Pauleira
Shows de Drunk Demons (Contagem) e Fodastic Brenfers (BH). Quinta-feira, 7 de agosto, às 20h. Ingressos: R$10.

Eu Nunca Aprendo
Shows de Phaton Powers(RS), Os Savages (PR), Bang Bang Babies (PR) e Dead Pixels (BH). Sábado, 9, às 22h. Ingressos: R$25.

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