Mineiro Rafael Nassif é atração na abertura da série 'Composição em Foco'

Concertos e palestras estão na programação do evento que vai até esta quinta-feira com entrada franca

por Mariana Peixoto 06/08/2014 08:44

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Julio Khol/Divulgação
Rafael Nassif vai interpretar obras próprias e peças de John Cage, Alvin Lucier e Hans Richter (foto: Julio Khol/Divulgação)
A ordem dos fatores altera o produto? Definitivamente, pelo menos no caso do mineiro Rafael Nassif, o primeiro convidado da série Composição em foco, que será realizada hoje e amanhã, na Fundação de Educação Artística. Projeto que pretende aproximar compositores já com carreira estabelecida daqueles ainda no início da trajetória, abrange conferência, orientação de trabalho e concerto.

Nascido em Cataguases, na Zona da Mata, e hoje vivendo na Alemanha, Nassif, de 30 anos, estudou composição na UFMG e na Escola Superior de Música e Artes Performáticas de Stuttgart. “Como trabalho muito com timbre, espaço e formas, vou falar como se compõe um concerto, o que se discute muito pouco”, afirma ele, que realiza hoje conferência. Compor, neste caso, diz respeito a uma ordem no concerto que seja musical, “que uma música reaja a outra.” Para Nassif, essa questão não é devidamente explorada. “Principalmente em concertos de orquestra, há (no programa) uma salada mista que não tem muito sentido.”

O melhor exemplo do discurso do compositor será mostrado amanhã no recital de piano que vai apresentar na FEA. As peças escolhidas por ele – tanto autorais quanto de outros autores – têm um discurso que é enfatizado pela ordem que serão executadas. A abertura será com 4’33’’, peça revolucionária de John Cage, criada em 1952. Durante quatro minutos e 33 segundos o músico não executa nenhuma nota em seu instrumento. “É uma peça em silêncio, em três movimentos. Na verdade, é uma preparação da escuta”, diz Nassif.

Na sequência, será apresentada a peça Music for piano with slow sweep pure wave oscillators, de Alvin Lucier, norte-americano também experimental que traz apenas algumas poucas notas. Depois desses dois momentos, Nassif vai apresentar sua própria obra. Still life with music by Piet Mondrian será executada com Vídio Rhythmus 21, de Hans Richter, um filme abstrato mudo de 1921. “Em cada música que faço tento descobrir um novo mundo sonoro. Trabalho a tradução do quadro (de Mondrian) casando-o com o vídeo.”

Também dele é a música a seguir, Ainda que sob véus, composta em memória do compositor Almeida Prado e de seu intérprete, Eduardo Tagliatti, ambos mortos em 2010. “Trabalho elementos da obra deles nessa que é uma música de piano”, diz Nassif. Algo convencional se levada em consideração a música a seguir, A mizmar happening, que também será apresentada junto ao Vídeo rhythmus 21. “O mizmar é o oboé árabe. Improvisei com ele de acordo com o vídeo e se tornou uma música mais rica.”

Para a parte final da apresentação, Nassif escolheu a peça Versunkene form, do alemão Caspar Johannes Walter. “Será a primeira vez que ela será tocada na América Latina.” Ele retorna a John Cage para o número final, com Dream, peça composta para o bailarino Merce Cunningham.

COMPOSIÇÃO EM FOCO
Encontro com Rafael Nassif. Nesta quarta, às 16h, conferência A música reverbera (n)o espaço e delineia uma forma no tempo. Às 18h, orientação de trabalhos de outros compositores (somente para inscritos anteriormente). Quinta, às 20h30, recital de piano Ritmos do som e do silêncio. Entrada franca.

VEM AÍ

A série Composição em foco será realizada pela FEA até dezembro. A cada mês, um convidado virá a Belo Horizonte para apresentar tanto sua obra quanto para orientar jovens compositores. “A Fundação de Educação Artística sempre deu ênfase muito grande à composição. Estamos agora retomando este fio, também para estimular o lado da formação”, afirma Berenice Menegale. Entre os nomes confirmados estão o boliviano Edgar Alandia e o argentino Dante Grela.

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