Aposta no estilo som-ambiente marca lançamento do '3 na Bossa volume 2'

Box conta com cinco álbuns e 70 faixas

por Kiko Ferreira 05/08/2014 09:09

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João Victor Pessanha/Divulgação
Fernando Merlino (piano), Zé Luiz Maia (baixo) e Erivelton Silva (bateria) recriam os arranjos (foto: João Victor Pessanha/Divulgação )
De novo, 14 anos depois, nada de novo, mas a velha bossa nova de sempre reembalando canções de vários ritmos e estilos. Em 2000, a extinta gravadora Abril Music lançava, com produção de Roberto Menescal e textos de Ruy Castro, a caixa de cinco CDs 3 na bossa, com um trio formado pelo pianista Edmur Hebter e a baixista Elaine do Valle, então campeões das noites paulistas, e o baterista Toninho Pinheiro, ex-Jongo Trio e ex-Som Três. Eles recriavam standards da bossa nova em clima de lounge music e num dos cinco CDs, A bossa deles, faziam leituras de standards do jazz com algum parentesco com a música de Jobim e sua turma.


De lá para cá saíram dezenas e dezenas de discos do gênero, com arranjos bossa-novistas para todo tipo de música, de Beatles a Bob Marley, de Burt Bacharach a Stevie Wonder, com samba, choro e rock n’roll incluídos. Muitos deles produzidos pelo próprio Menescal para seu selo Albatroz, de olho no mercado externo, principalmente nipônico. Agora, com produção do japonês Kazuo Yoshida, sai mais uma caixa, 3 na bossa volume 2, formada por cinco álbuns e com 70 canções brasileiras lançadas depois do período áureo do movimento, vertidas para o idioma musical da bossa.


Como no primeiro volume, o clima aqui é de música ambiente. Zé Luiz Maia (baixo), Fernando Merlino (piano) e Erivelton Silva (bateria) conhecem a sintaxe, as viradas, os truques e os tiques . Os arranjos de Merlino são de piano-bar de boate dos anos 1950 e remetem a agremiações como os grupos que tocavam no carioca Beco das Garrafas e em suas filiais estilísticas espalhadas pelo país, como Bossa 3, Sambalanço, Jongo Trio e outros, mas sem o virtuosismo deles. Nem uma pegada pessoal marcante, que não é o objetivo da empreitada.
Com títulos que parecem escolhidos sem muita lógica, a caixa é daquelas de deixar rodando em um CD-player com exibição randômica, garantindo o fundo para um milhão de atividades. O que pode causar maior curiosidade são aqueles temas que, em suas versões originais, têm um caráter dramático, político ou contemplativo que não sugerem uma leitura BN.


No disco 1, por exemplo, Olha aqui este sambinha/Samba saravah reúne Somos todos iguais nesta noite, de Ivan Lins e Vitor Martins, e Beatriz, de Chico Buarque e Edu Lobo. No segundo, Amanhã tudo volta ao normal/Bridges, tem a Travessia, de Milton Nascimento, que, na verdade, Sarah Vaughan já havia suingado num dos seus discos, mais Ronda e Não dá mais pra segurar (Explode coração). O CD Abre alas pra minha folia/ By the shine of your eyes contempla Sob medida, de Chico Buarque, Estácio Holly Estácio, de Melodia, e Romaria, de Renato Teixeira. Batizado com nome de samba de Martinho das Vila, Canta canta minha gente/My sweetheart suaviza a dramática Gente humilde e a romântica Meu bem querer, de Djavan. E o quinto disco, Pra ver a banda passar, acrescenta balanço tanto às buarquianas Folhetim e Trocando em miúdos como ao hino paulistano Sampa e à derramada Pra você, de Sílvio César. Provas explícitas de que, em se querendo, tudo é bossa.



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