Violinista Luíz Filíp se apresenta com a Filarmônica de MG no Palácio das Artes

Músico é um dos mais conceituados brasileiros na atualidade, atuando como solista na mundialmente famosa Filarmônica de Berlim

por Ana Clara Brant 05/08/2014 09:09

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Anja Collins/Divulgação
Luíz Filíp mora na Alemanha desde 2001, atuando como solista e com a Filarmônica de Berlim, entre outras formações eruditas (foto: Anja Collins/Divulgação)
Integrante de uma das orquestras mais conceituadas do mundo, a Filarmônica de Berlim, o violinista brasileiro Luíz Filíp é um dos convidados da série 'Vivace', Nesta terça, em concerto da Filarmônica de Minas Gerais. Será a quarta vez que o músico paulista de 29 anos se apresenta com a orquestra mineira, que vai contar também com a participação do maestro Celso Antunes. “Há dois anos, fizemos três concertos, em Belo Horizonte, no Festival de Campos do Jordão e em Juiz de Fora. Foi uma convivência muito interessante, e é um prazer tocar com esses artistas novamente”, destaca Luíz Filíp, que fica no Brasil até dia 22. Depois de BH, ele se apresenta em Curitiba, Brasília e São Paulo.

A Filarmônica de Minas Gerais dá início ao concerto com a abertura de 'As ruínas de Atenas, op. 113', de Beethoven. A peça conta a história da deusa Minerva, que, após ser amaldiçoada por Júpiter e dormir por 2 mil anos, é acordada por Mercúrio. É nesse momento que a deusa das artes se depara com o Parthenon em ruínas e ocupado pelos turcos. Desolada, ela busca abrigo em Pest, onde estão as musas Tália e Melpômene. Lá, a humanidade celebrava a arte, por servir ao enobrecimento dos mortais, abrindo-lhes a mente e sensibilizando os corações.

O compositor, que anteriormente escrevera uma canção para o drama trágico 'Egmont', de Goethe, em 1810, reforçou com 'As ruínas de Atenas' sua apreciação pela literatura. Embora seus interesses raramente fossem algo fora da música, ele apreciava os grandes poetas, dramaturgos e filósofos de seu tempo e admirava profundamente Goethe, Schiller e Schelling. A abertura de 'As ruínas de Atenas' chegou a ser publicada em 1823, em Viena, mas a versão completa foi impressa somente após a morte de Beethoven, em 1846.

Vibrando no ar Na sequência, o 'Concerto para violino nº 3 em sol maior, K. 216', de Mozart, ganha o palco com a presença de Luíz Filíp. A peça, que estreou em 1775, não traz maiores novidades formais ou melódicas. Trata-se de um concerto bem ao gosto do modelo clássico, com três movimentos distintos: o primeiro em forma sonata; o segundo um adágio de modelo nitidamente vocal; e o terceiro um rondó. É de se notar o diálogo que o violino trava com o oboé no primeiro movimento. E igualmente notável é o final do último movimento, que, em vez de brilhante, opta pela delicadeza, o que reforça seu caráter de dança. “Mozart era muito jovem quando compôs essa peça. É uma obra muito bonita”, analisa o violinista.

É com a 'Sinfonia nº 2', do inglês Michael Tippet, interpretada pela primeira vez em Belo Horizonte, que a orquestra encerra a noite. Depois de um hiato de 250 anos (desde Purcell), a Inglaterra conheceu dois artistas nacionais dispostos a escrever óperas e sinfonias: Benjamim Britten e Michael Tippett, um artista dotado de uma rara profundidade intelectual e consciência social. A composição de sua Sinfonia nº 2 durou cinco anos, desde a ideia, oriunda de uma nota dó grave ouvida de Vivaldi e que marca o início e o final da obra, dando a ela o sentido de continuidade cíclica.

Preparando sistematicamente sua estrutura, Tippett iniciou a obra somente quando estava certo das formas de seus movimentos. Para cada um deles esquematizou quatro diferentes ambientes emocionais: “alegria, ternura, travessura e fantasia”. Segundo Tippett, “quando o dó grave reaparece no final da sinfonia, temos a sensação de satisfação, de trabalho concluído”. Na partitura, anotou a seguinte indicação para o último acorde: “deixar vibrar no ar”.

Sonho de criança Luíz Filíp começou a tocar violino com 4 anos. Mora na Alemanha desde 2001. É o único brasileiro na Filarmônica de Berlim e no Berlin Ensemble, grupo de câmara da mesma orquestra. O músico apresenta-se regularmente em Berlim, Roma, Tóquio, Telavive e Paris, onde fez seu début na série de concertos do Auditorium do Museu do Louvre. “Mesmo fazendo parte da Filarmônica, a gente consegue tempo livre para participar de concertos de outros corpos líricos ou mesmo de tocar com o grupo de câmara do qual eu faço parte”, revela.

O violinista conta que desde que foi criada, a Filarmônica de Berlim sempre figurou como uma das orquestras tops do mundo e que por ela passaram os compositores alemães Brahms, Strauss e Mahler. “Na década de 1960, o maestro Herbert von Karajan, que esteve muitos anos à frente da orquestra, passou a fazer muitas gravações com ela, e isso ajudou a torná-la mundialmente famosa. Lembro-me quando criança de assistir aos concertos da Filarmônica na TV e nem imaginava que um dia iria fazer parte dela”, destaca.

Série Vivace
Concerto da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, com regência de Celso Antunes e solos de Luíz Filíp (violino). Nesta terça, às 20h30, no Grande Teatro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos: R$ 70 (plateia 1), R$ 54 (plateia 2) e R$ 36 (plateia superior). Meia-entrada para estudantes e maiores de 60 anos, mediante comprovação. Informações: (31) 3236-7400

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