Saulo Duarte e A Unidade recriam temas populares da Amazônia entre canções inéditas

Álbum do paraense é uma boa surpresa

por Kiko Ferreira 26/07/2014 00:13

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José de Holanda/Divulgação
(foto: José de Holanda/Divulgação)
O paraense Saulo Duarte, criado em Fortaleza, está desde 2009 em São Paulo. Depois de fazer shows esporádicos e acompanhar a cantora Tita Lima, o cantor, compositor e guitarrista foi destaque na imprensa no ano passado com o show de lançamento de seu álbum de estreia, produzido pelo onipresente Carlos Eduardo Miranda. Membro do movimento que resgata a guitarrada com elementos de brega, Jovem Guarda, lambada, cumbia e outras sonoridades latinas e da tradição romântica brasileira, ele acaba de lançar o segundo trabalho, Quente.

Produzido pelo próprio artista, em parceria com Beto Gibbs, Klaus Sena e João Leitão, o álbum de 11 faixas tem uma pegada menos efusiva do que a da maioria dos seus contemporâneos, servindo tanto para a audição caseira, observando detalhes da boa trama instrumental, quanto para dançar e animar a festa. Parte da eficiência instrumental vem do uso de um grupo eclético de 26 músicos.

Além de seu grupo, A Unidade, com João Leão (teclados), Klaus Sena (baixo), Beto Gibbs (bateria), Túlio Tobias (percussão) e Ighor Caracas (percussão), Saulo conta com queridinhos da crítica, como Curumim, Daniel Groove e Felipe Cordeiro, e com um eficiente naipe de metais dos cubanos Jorge Ceruto e Luiz la Hoz, e steel drums de David Hubbard, da Guiana. E as participações das vozes de Vera Souza (em Yo tengo) e de Luê no clássico paraense Tô que tô... saudade, completada com a inclusão do reggae Me dei conta.

Contando com uma das mais belas capas do ano, com um desenho inspirado do artista plástico Tarik Klein, Quente tem a desejável dose de exotismo amazônico (No coração da mata, Flores pelo ar, Lambada do anel) e uma rara reverência à geração clássica da MPB da região Norte, com a releitura de Tô que tô... saudade, tema de outros festivais criados pelo cearense Eudes Fraga e transformado em hit por Nilson Chaves, líder de uma geração nortista que costuma ser esquecida pelos mais jovens.

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