Com 50 anos de experiência, produtor Canela passou aperto com os iniciantes Roberto Carlos e Chico Buarque

Ao lado de Levy Freire, produtor cultural trouxeram muitas estrelas à cidade

por Carlos Herculano Lopes 24/07/2014 07:00

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Cristina Horta/EM/D.A Press
Carlos Marcos Leite, que ficou conhecido como Canela, produz apresentação da Orquestra Montanhez no Automóvel Clube (foto: Cristina Horta/EM/D.A Press)
Talvez o mais antigo produtor cultural de Belo Horizonte em atividade, Carlos Marcos Leite, o Canela, do alto dos seus 67 anos bem vividos, continua fazendo o que mais gosta: promover shows. De uns tempos para cá ele assessora o Status Café Cultura e Arte, na Savassi. E está produzindo a apresentação da Orquestra Montanhez, marcada para 22 de agosto, no Automóvel Clube.


Criada por ele “há mais ou menos uns 30 anos”, com músicos remanescentes do antigo cabaré que marcou época em BH, a orquestra teve Xuxa como madrinha. Regido pelo maestro Rony de Souza, o grupo ensaia números especiais em homenagem ao tradicional clube, conhecido como “o mais britânico” de BH.

Belo-horizontino nascido no Bairro São Cristóvão – numa casa que ficava onde hoje está o Hospital Odilon Behrens –, Canela iniciou sua carreira aos 15 anos. Promovia pequenas apresentações na igreja do bairro, pois precisava ganhar dinheiro. A mãe, Geralda Castora de Souza, banqueira de jogo de bicho, não deixava que ele e os irmãos participassem de seu negócio. O apelido veio das partidas de futebol: Carlos Marcos era muito “caneleiro”.

 A grande guinada, que o fez entrar para o mundo dos shows, ocorreu quando tinha 17 anos. Certo dia, Canela foi com uma garota a uma festa no Floresta Tênis Clube. Lá, apresentaram o casal ao conhecido radialista Levy Freire, locutor da TV Itacolomi e produtor de shows. Encantado com a bela moça, Levy acabou dando um jeito de se sentar na mesa de Canela. “Acabei perdendo a namorada, mas consegui um emprego, pois Levy me chamou para trabalhar com ele”, relembra.

Canela tem muitas histórias para contar. O início da parceria com Levy Freire – só interrompida com a morte do produtor – se deu em grande estilo: a dupla trouxe à capital a famosa cantora italiana Rita Pavoni para fazer dois shows no Minas Tênis Clube. “Naquela época, estrelas nacionais e internacionais passavam por Belo Horizonte”, diz Canela.

REI Graças à dupla, Roberto Carlos, ainda no início de carreira, veio cantar na capital mineira. Um pouco inseguro, mas já exibindo seu famoso faro para os negócios, o futuro “Rei” da Jovem Guarda pediu a uma amiga, chamada Gegê, que percorresse as lojas Eureka, onde os ingressos eram vendidos. O show estava marcado para as 20h de um domingo, no Ginásio do Mackenzie, mas até as 16h de sábado (as lojas fechavam às 18h) a procura era quase nenhuma. Criou-se o impasse.

Canela conta que Roberto Carlos propôs o cancelamento da apresentação, dispôs-se a pagar a multa, mas isso se mostrou inviável. Para solucionar o caso, RC comprou a metade dos ingressos. Os bilhetes foram distribuídos gratuitamente por meio da Rádio Inconfidência, onde Levy tinha um programa e anunciou a boa-nova. Resultado: no domingo à noite, o Mackenzie não só recebeu um bom público, como os cambistas deitaram e rolaram vendendo entradas. “Todos nós ficamos muito invocados, mas já não tinha mais jeito, o prejuízo já estava tomado”, diz.

CHICO Na década de 1960, Chico Buarque de Holanda foi outro artista que Levy Freire e Canela trouxeram a BH. A dupla negociou com o empresário do cantor um show no auditório da Secretaria de Estado da Saúde, onde hoje fica o Minascentro, em comemoração à formatura de uma turma de engenharia. Os promotores da festa, todos estudantes, combinaram de se encontrar com a dupla lá mesmo, no início da tarde, para os devidos acertos. Como os produtores demoraram, os rapazes passaram todo o dinheiro para o empresário de Chico, que ficou de pagar à dupla à noite, no Hotel Normandy, no Centro. Depois de uma série de desculpas, isso acabou não ocorrendo. O empresário ficou de enviar o dinheiro depois de chegar ao Rio de Janeiro.

Passaram-se dias. Depois de diversos telefonemas não atendidos pelo empresário, Levy Freire ligou para o próprio Chico Buarque. Combinaram que o artista, que voltaria a Minas para cantar em Sete Lagoas, acertaria com eles. “Preparamos tudo: alugamos o espaço, pagamos um monte de gente para ajudar, providenciamos passagens e hospedagens para Chico, que foi muito bacana conosco. Entretanto, no dia da apresentação não apareceu ninguém e tivemos de cancelar. O prejuízo foi total”, lembra Canela.

MISS Um motivo de orgulho para ele é o fato de há mais de 10 anos ajudar o empresário José Alonso Dias, de Divinópolis, a organizar o concurso de Miss Minas Gerais. “Lembra-se do dia em que levamos a Débora Lyra lá no Estado de Minas?”, pergunta ele. A simpática moça, que se elegeu Miss Brasil em 2010, desfilou pela redação ao lado de Canela. Fez um sucesso danado.

O PARCEIRO

“Aqui fala Levy Freire, da Rádio Inconfidência. Olá! Como se sente? Rim doente?”
Era assim que o “speaker” Levy Freire recepcionava os ouvintes de seu programa transmitido pela Rádio Inconfidência, patrocinado pelo remédio Urodonal. Radialista famoso, o tio do pianista Nelson Freire fez fama em Belo Horizonte como promotor de shows de astros e estrelas. Além de Roberto Carlos e Chico Buarque, a dupla Levy Freire e Canela produziu apresentações de Nelson Gonçalves, Gal Costa e Altemar Dutra na cidade.

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