Morrissey resgata origens e explora novos sons em 'World peace is none of your business'

Vegetarianismo, política e sexualidade guiam as letras bem construídas de novo álbum

por Mariana Peixoto 20/07/2014 11:43

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Túlio Santos/EM/D.A Press
(foto: Túlio Santos/EM/D.A Press )
A paz mundial não é da sua conta. Só mesmo Morrissey para destilar tal ironia já no título. Disponível nos formatos digital e físico, 'World peace is none of your business', 10º álbum solo de Steven Patrick Morrissey – e o primeiro em cinco anos desde 'Years of refusal' – é um dos trabalhos mais interessantes que você ouvirá neste ano.

 

Com trajetória recente cheia de altos e baixos – aí incluídos problemas de saúde que fazem com que suas turnês sejam cada vez mais erráticas –, o velho Moz, do alto de seus 55 anos, continua mostrando que ainda tem muito a dizer. Mesmo que não se concorde com tudo o que ele diz.


O novo álbum chega na esteira de sua ruidosa autobiografia, com a promessa de ser lançada este ano no Brasil. Produzido e gravado na França por Joe Chiccarelli (vencedor de três Grammys por trabalhos com Café Tacvba, White Stripes e The Raconteurs), o disco foi antecipado por clipes de algumas faixas como 'Istanbul' e 'Earth is the loneliest place'.

 

A demora em lançar um trabalho inédito é compensada pela variedade de canções. 'World peace...', por sinal, tem diferentes formatos: o álbum oficial conta com 12 canções; há uma versão de luxo com seis faixas-bônus.

O rock, a quem seu nome sempre estará ligado graças aos Smiths, ganha aqui outros ecos. Tem guitarra flamenca ('Earth is the loneliest planet' e 'The bullfighter dies') como também música clássica ('Oboe concerto'). Um dos últimos grandes letristas do rock, Morrissey destila no novo álbum suas próprias idiossincrasias. Para uma maioria que se formou por meio dos versos irônicos, amorosos, dolorosos e por vezes também contraditórios tanto dentro quanto fora dos Smiths, 'World peace...' é um prato cheio, pois abrange todo o universo de Morrissey: política, vegetarianismo e sexualidade.

 

Ouça a faixa 'Earth is the loneliest planet':

 

A canção-título, que remonta aos Smiths, dispara: "Each time you vote, you support the process/ Brazil, Bahrain, Egypt, Ukraine/ So many people in pain" (“Cada vez que você vota, você apoia o processo/ Brasil/ Barein/ Egito/ Ucrânia/ Tanta gente em agonia"), acompanhada por belo solo de guitarra. Na sequência, 'Neal Cassady drops dead' relata a reação do poeta beat Allen Ginsberg ao tomar conhecimento da morte de seu antigo companheiro. Aqui a guitarra vai ganhando camadas distintas no decorrer da canção, até cair num solo quase choroso.

Morrissey canta a morte de um toureiro, defendendo a vitória do touro ('The bullfighter dies') e, dizendo-se cansado de homens e mulheres, já que nunca matou ou comeu um animal, coloca-se acima deles: “I’m not a man/ I'm something much bigger and better than/ A man”. Trocando em miúdos: é algo maior e melhor do que um homem. Este é Morrissey. Melhor ou pior, não dá para ser indiferente a ele. Ainda bem.

Na primeira pessoa
Lançada em outubro de 2013 na Inglaterra, a autobiografia de Morrissey, antes mesmo de vir a público, levantou polêmicas. Foi publicada pela Penguin Classics, editora reconhecida por editar clássicos. No livro de 450 páginas ele descreve a infância dolorosa em Manchester e suas brigas com a gravadora Rough Trade. Também fala de rancores do passado, como com o baterista Mike Joyce, a quem dedica 50 páginas. Dá mais espaço para a vida pessoal do que ao processo criativo. “Não sou mais infeliz do que qualquer outra pessoa”, afirma. No Brasil, a autobiografia será lançada pela Globo Livros. Mas não há data confirmada.

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