Ayran Nicodemo lança o trabalho solo 'Pedra cigana'

Músico diz que a música do Leste Europeu desperta o lado dionisíaco dos ouvintes

por Eduardo Tristão Girão 11/07/2014 06:00

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Ariel Subira/divulgação
(foto: Ariel Subira/divulgação)
O mineiro Ayran Nicodemo não é cigano, não tem pais com essa origem nem morou nos países onde essa cultura é forte. A atração pela temática “gipsy” não tem explicação racional, conta ele: “Desde o momento em que toquei as primeiras notas no violino, o idioma da música cigana do Leste Europeu já irrompia de mim. Isso aos 12 anos de idade”. Por esse motivo, apesar de sua trajetória no universo erudito, o trabalho solo de estreia de Ayran se chama 'Pedra cigana'.

Sete das oito faixas são autorais, como a vigorosa 'Ciganada' e a releitura de 'Hora de la munte', tema do folclore romeno arranjado por Nicodemo. Entre os temas para violino solo alternam-se momentos de maior introspecção e outros de execução acelerada, remetendo à sonoridade do Leste Europeu, ainda que se trate de um álbum autoral. As gravações ocorreram em fevereiro, com produção a cargo do compositor Sergio Roberto de Oliveira.

Nicodemo, que mora no Rio de Janeiro, recentemente passou a integrar a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, na capital fluminense. Ele passou pela Orquestra Sinfônica Brasileira Jovem, Camerata Sinfônica do Rio de Janeiro e frequentemente colabora com a Orquestra Petrobras Sinfônica, OSB Ópera & Repertório e Orquestra Sinfônica Nacional. Venceu o 1º Concurso Jovens Solistas promovido pela Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e o concurso Jovem solista UFMG 2009.

 “Nunca me propus a ter critérios para a composição do repertório desse disco. Portanto, tudo com o que me identifico influenciou o trabalho. O mais claro é a linguagem da música cigana do Leste Europeu, mas também fazem parte do CD a polifonia de Bach, o virtuosismo de Paganini, a liberdade modal do Hermeto Pascoal, os recursos tímbricos da música contemporânea de concerto”, resume o violinista.

Saudade
O grupo romeno Taraf de Haïdouks, com suas interpretações virtuosísticas, é a maior influência de Auran. “Existe, claro, muita referência no violino de Stéphane Grappelli, mas, com relação à música cigana dos últimos anos, o Taraf é minha maior inspiração. Há muitos grupos como esse, mas o trabalho que ele vem fazendo é de uma qualidade enorme. Além disso, o material gravado em som e vídeo é fantástico. Como consequência, eles estão viajando o mundo todo”, elogia.

Na avaliação de Nicodemo, a relevância da música cigana está nos sentimentos que consegue despertar ainda hoje: “Ela é muito envolvente, seja ‘quente’, despertando o Dionísio de cada um de nós, seja introspectiva, dialogando com a nossa solidão e a saudade. O dionisíaco e a saudade são forças intrínsecas ao ser humano de qualquer lugar e época, por isso elas permanecem tão vivas e sedutoras”, conclui.

Agenda

Além de concertos realizados com a Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Ayran Nicodemo se dedica a vários outros trabalhos, como o trio com violão e bateria com o qual pesquisa a relação entre as músicas popular brasileira e do Leste Europeu. “Vamos lançar nosso primeiro disco este semestre e já temos vários shows marcados”, informa ele. O mineiro planeja lançar o CD 'Pedra cigana' fora do Rio de Janeiro, contemplando Belo Horizonte, São Paulo e Salvador, entre outras capitais. Ano que vem, ele vai gravar outro álbum, desta vez dedicado à música brasileira do século 21 para violino solo.

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