Mombojó se volta para o experimentalismo em novo disco 'Alexandre'

Com formação reduzida a quarteto banda continua com a pegada tradicional

por Mariana Peixoto 10/07/2014 10:05

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José de Holanda/Divulgação
O Mombojó quer fazer turnê nacional para divulgar o novo disco, mas depende de uma %u201Cvaquinha%u201D (foto: José de Holanda/Divulgação)
Alexandre, quinto álbum do grupo pernambucano Mombojó, é quase um corpo estranho em sua discografia. E isso é um bom sinal, diga-se de passagem. Em vez de canções, muitos ruídos, algumas vinhetas e experimentações. “Este é o disco de que mais gostei”, assume o tecladista Chiquinho. “Quando termina um trabalho, a gente acaba meio enjoado de tanto ouvir. Este ainda está na minha cabeça.” Do septeto formado há 13 anos no Recife, o Mombojó atual se resume a um quarteto: os irmãos Marcelo (guitarra) e Vicente Machado (bateria), o vocalista Felipe S. e o tecladista.

Ainda que todo o material – são 11 faixas – seja inédito, o título não. Nadadenovo, o álbum de estreia (2004), deveria ter se chamado Alexandre (uma brincadeira que o grupo fazia com a frase “are you sure?”). Mas acabou calhando melhor para a proposta atual. “Num primeiro momento, esse disco seria um EP com quatro músicas. Mas quando começamos a gravar, resolvemos gravar um trabalho com mais músicas, só que curtas, algumas quase vinhetas, para dar uma quebrada”, continua Chiquinho.

Colaboradores

Para a empreitada, que tem um quê de Radiohead, Stereolab e Cidadão Instigado, o quarteto não trabalhou sozinho. Rebuliço, a primeira faixa do CD, abre em clima carnavalesco, com um som de bateria de escola de samba, e vai caindo na pura eletrônica com efeitos de guitarra – Vitor Araújo faz os teclados. Me encantei por Rosário, com letra que mistura trechos do Movimentos Direitos Humanos, criado há dois anos no Recife, traz o guitarrista Yuri Queiroga. Hello, com letra em inglês, tem como autor China.

Vocalista do Stereolab, Laetitia Sadier cantou em Summer long. Outra voz feminina é de Céu, em Diz o leão, uma das canções que mais remete ao que o Mombojó fez em outros trabalhos. Em contraponto à polifonia do disco, Hortelã é voz, violão e guitarra. Já Cuidado, perigo!, com a participação de Dengue, da Nação Zumbi, é quase uma trilha sonora, até que na parte final muda completamente o tom, virando música de pista e com as duas palavras que formam o título repetidas com uma voz cheia de efeitos.

Há ainda a faixa-título, uma vinheta à la Kraftwerk em que Phillip Vohringer, um amigo alemão da banda, gravou em sua língua natal um texto curto sobre a banda tirado da Wikipedia. E Pro sol, que fecha o trabalho em alta rotação, é puro road movie com clima que mistura Nordeste com São Paulo, criada a partir de roteiro que tinha uma atriz de Natal que chega à capital paulista.

Até agora só houve um show de Alexandre, no Sesc/Pompeia (SP). Chiquinho diz que a banda pretende fazer a turnê do novo álbum via o site de crowdfunding Queremos. “A gente está acostumado a gravar um disco com elementos muito doidos e depois ter que levá-lo para o palco”, conta. “O primeiro show funcionou, e ficou muito próximo do próprio disco. Para a turnê, vamos eleger 10 cidades, para tentar fazer o esquema da vaquinha virtual. A ideia é estreitar a relação do público com a banda.”

Projeto paralelo
Ainda não há data marcada para o Mombojó em Belo Horizonte. Mas os músicos vão estar aqui dia 25 com a Del Rey, a banda cover de Roberto Carlos, formada por China e Mombojó. O show será no Arraiá Sensacional, no Mercado das Borboletas.

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